segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

uma elegia tardia a um filme muito bom













Se você vive no planeta terra a mais de 20 anos, provavelmente deve ter ouvido falar da Trilogia Poderoso Chefão. A estupenda saga de uma família de Mafiosos , que traça um panorama da América, dos anos 00, ate o fim dos anos 70 do século XX. Filmes mais do que reconhecidos com Oscars e todo o tipo de prêmio cabível a um filme desta magnitude.  Se você não viu a interpretação ainda de Marlon Brando, como o patriarca da família Corleone ; Don Vito, pare tudo o que você esta fazendo e entre no Youtube e veja – o filme está completo e por meios legais para todo infiel que ainda não tenha visto esta verdadeira pedra preciosa.
As primeiras partes são – e merecidamente – classificadas entre os melhores filmes da historia do cinema. Tudo o que é necessário saber sobre o andamento de um bom filme esta la. Suspense, violência, ação, grandes conflitos familiares, atores no melhor de sua forma jogando seu melhor futebol, musica inesquecível, reconstituição de época magnifica , roteiro que é incapaz de ofender a inteligência do espectador. Coisas de uma Hollywood que não mais existe, no qual o dinheiro parece ser a única e exclusiva motivação para se produzir cinema, em detrimento a arte pura e simples, mas este é um assunto que eu tratarei num próximo momento por aqui.
A terceira parte é injustamente mal falada, como uma conclusão aquém do que a saga mereceria. O que é uma tremenda falácia pra começo de conversa. Vale uma pequena reconstituição do estagio que estavam tanto a carreira de Francis Copolla quanto a de Mario Puzo e Al Pacino ( a estrela da trilogia e um dos heróis da casa sem duvida)
Copolla vinha de uma série de fracassos na carreira, tinha se afundado em dívidas para concluir seu Apocalypse Now , e alternando entre filmes grandiosos como Do Fundo do Coração , e coisas menores como Tucker tinha perdido sua verve de diretor influente e garantia de bilheteria. Ou seja, não poderia impor seus projetos aos grandes estúdios , não podia contar mais com os grandes nomes para estrelar suas obras. Tinha se tornado um mero diretor operário padrão.  Mario Puzo vinha de romances problemáticos e fracos em venda, experiências mal sucedidas no cinema , e também não tinha o vigor de outrora.
Al Pacino vinha dum hiato de alguns anos sem filmar, graças a vicio em drogas e álcool. E do grande ator que era tinha se tornado um ator problema, mais conhecido pelas constantes manchetes em tabloides sensacionalistas.
Junte-se esta formula, e se tem um filme niilista ao extremo. Copolla talvez se vendo na persona de Michael Corleone, não tem pudores em entregar o personagem as situações mais extremas de fragilidade emocional. Do leão austero e violento do segundo filme, capaz de mandar matar até mesmo o próprio irmão, vemos um gato acuado, com temores e doenças da idade, com a voz enfraquecida e corroendo-se pela culpa das suas decisões passadas, por mais certas que possam ter soado num primeiro momento
A melhor maneira de se entender a saga , é como uma Opera baseada na ascensão e queda da persona de Michael Corleone. O jovem inseguro que almejava trilhar um caminho pessoal no primeiro filme, mas que por fatos alheios a sua vontade se torna um gangster pior ainda do que o seu pai foi no segundo filme, se torna um velho triste no terceiro. Colhendo os frutos de tudo que errado que fez na vida. As traições a mulher, a culpa pela morte do irmão, a distância dos filhos, a associação com pessoas de moral duvidosa que o tornaram poderoso como era. Enfim esta terceira parte é duma tristeza , que chega a ser dilacerante.
O filme não era sequer para ser chamado de O Poderoso Chefão, e sim “A Morte de Michael Corleone”. O que talvez explicaria um pouco mais do que deveríamos entender da personagem de Al Pacino. O Michael Corleone deste filme não era a mesma coisa, ele tinha morrido da maneira de que era O que tinha sobrado era somente um farrapo. Um filme do tempo que Hollywood era inteligente, sem duvidas



Obs 1: fica mais do que recomendada a edição da série em bluray. Meticulosamente restaurada , com a fotografia no auge da sua beleza conforme deveria ter sido sempre. Realmente é outro filme, se comparado com a edição em dvd.
Obs2; assista com os comentários ligados, garanto que vale cada minuto das 9 hrs que os três filmes tem. 



sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

BAR 1211 SOB NOVA DIREÇÃO !

Por motivos de força maior (sempre quis usar essa expressão) comunico aos clientes e amigos que me afasto deste boteco de idéias por um bom período. Deixo-o nas mãos mais que competentes do amigo Mario Cesar, pelo menos até que eu esteja devidamente casado e com o barraco reformado (é ou não é força maior?).
Antes, porém, os últimos recados:


Nunca deixo de me surpreender com a publicidade, por mais que acredite já ter visto de tudo. A onda agora é ridicularizar os outros. Você ri de um cantor "brega" e se acha o cara mais bacana do mundo por que toma uma cerveja com gosto de água suja. Agora se trata de ridicularizar uma mulher feia, chamando-a de dragão. É a lógica daquele programa detestável, o  Pânico na TV, em que aquelas mulheres que parecem o Vitor Belfort de biquini (e que,aliás, são seguidamente humilhadas) nos colocam pra rir de gente desdentada e que fala o português "errado". É a mentaidade de quem faz os meios de comunicação, esse pessoal cheio de "idéias" mas de nível cultural rasteiro e que olha com desdém para o grosso da população brasileira.
Chega a ser deprimente aquele anúncio do governo do estado em que um sujeito que é o estereótipo de "brega" enche a cara num bar e sai fazendo barbeiragens na rua. O vilão nunca é sujeito bem vestido que pilota um carro de luxo, em contradição às estatísticas de acidentes de trânsito. Mas não só de trânsito. Os pais do adolescente que pilotava um jet-ski e matou uma criança de três anos na praia fugiram levando o filho de helicóptero. A elite nunca tem nada a ver com isso.


Eliane Tranchesi, que morreu esta madrugada (vitimada provavelmente por um câncer no pulmão) havia sido condenada a 94 anos de prisão, uns bons anos atrás. Uma pena só quatro anos menor do que a de Lindemberg Alves, com a diferença que a socialite ex-dona da ultra-luxuosa Daslu passou apenas 35 horas presa e,ao invés de ser enxotada pela sociedade e por apresentadores de TV como o assassino confesso de Eloá, continuou desfilando pelas colunas sociais gozando da admiração de deus e o mundo. Talvez não de deus porque, como diria Nietzsche, ele está tão morto quanto Tranchesi.

Matéria da Folha de São Paulo de anteontem mostra uma estatística estarrecedora: apenas 8 % dos crimes de homicídio no Brasil tem um culpado punido. Mais espantoso ainda é que este número é ilusório, o real é algo abaixo dos 5%, afinal, em muitos casos, nem investigação ocorre (logo o crime não entra nas estatísticas). Só este dado já derruba a tese da massa fascista que  diz que o endurecimento das leis e o aumento das penas diminuiria a criminalidade. O que ocorre na realidade é que não é o desdém pela pena prevista  que motiva o criminoso mas sim a certeza de impunidade , sensação a causada pela ineficiência da investigação polícial e pela inexistência de aparato pericial .
Que espécie de diabo toma o corpo das pessoas quando elas assumem o volante de um automóvel? Digo isso por que atualmente parece que existe uma legião de sociopatas à solta nas ruas ruas, todos rosnando uns para os outros e dispostos a passar por cima de qualquer coisa viva que encontram.

Como existe desenhista enganador nessas revistas de super heróis. E como existe gente pra babar ovo pra eles. O exemplo aqui é antiguinho, mas não faz diferença, o panormana não mudou. Repare como Superman,Lanterna Verde,Flash,Ajax e até o Gavião Negro(voando) estão na mesmíssima posição e tem exatamente a mesma anatomia e rosto(com excessão do marciano verde)- a mulher maravilha é o mesmo desenho, apenas espelhado. A mesma coisa vale para as figuras voadoras no canto oposto. E que músculos são esses nas costas do Batman?como essas costelas dele vieram parar nas costas ?  Saudades de Neil Adams (que desenhou o combate Ali vs Superman) desenhista que sabia movimentar personagens, usar e abusar da perspectiva , dos quadros na página e que não preciva desse "control C-control V" para compor uma cena. Já quem quiser saber o que é anatomia em quadrinhos, compre a lendária HQ Ranxerox, do italiano Liberatore. Saiu pela Conrad e é um verdadeiro espetáculo.

Todo mundo adorou o iraniano A Separação, que deve levar o Oscar de melhor estrangeiro este ano. Saí da sala  revoltado e com medo de ser apedrejado por isso. Esse filme é,para mim, uma farsa. Parece ótimo até o ponto em que começa a usar truques dos mais rasteiros pra surpreender a platéia(suprimir uma cena chave, por exemplo). E um final aberto que está ali só pra ser estiloso (porque isso é mania atualmente) me parece mais incapacidade de terminar uma história de maneira decente do que outra coisa. Serve para quem gosta de dizer que assiste a filmes "de qualidade". tss tss

Imperdível a Billboard Brasil deste mês, principalmente por causa da matéria com a fantástica Adele. Impressionante como uma cantora que não faz uso dos artifícios midiáticos obrigatórios hoje em dia consiga romper as barreiras e encantar unicamente pela qualidade legítima de sua arte.

Pra finalizar, ufa, a melhor notícia dos últimos tempos: a Panini vai relançar no Brasil o histórico combate entre Muhammad Ali e ,acredite, SuperMan, publicado originalmente nos EUA em 1978 e que dá uma pista da popularidade que tinha o boxeador naqueles tempos . Ironicamente, menos de dez anos antes Ali era uma das figuras mais odiadas pela América por afrontar o orgulho branco e ter se recusado a lutar no Vietnã.

Sem mais o que dizer, termino por aqui.

hasta la vista, amigos !



terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

A VILÃ DA VEZ (atualizado)


É fácil antipatizar com advogados de defesa de criminosos. Ou, no caso de Lindemberg Alves, de um acusado de um crime. É mais fácil ainda quando se trata de um caso de comoção popular, como o da morte da jovem Eloá Pimentel. Ana Lúcia Assad é, portanto, a vilã da vez. Ao vivo,pela TV, hoje mesmo, foi possível ver populares ameaçando-a que,claro, precisou de proteção policial. Goste-se ou não de suas estratégias e argumentos, é preciso dizer que ela introduziu um componente interessante no caso: chamou para depor dois jornalistas da TV Bandeirantes, Rodrigo Hidalgo e Máricio Campos, que na época fizeram a cobertura do caso. A idéia ,ao que parece, era saber se a atuyação deles interferiu no desenrolar do caso.

Taí um momento oportuno pra se pensar e debater o papel da mídia em casos como esse. Prejulgando o sequestro como um ato desesperado de um jovem  e apaixonado, Sônia Abrão e Brito Jr. colarem em Lindemberg o rótulo de inocente e tomaram,cada um  para si o papel de mediadores(aos olhos do público) enquanto na verdade travavam uma disputa no Ibope onde vencia quem  era capaz de falar mais minutos com o sequestrador ao celular durante a transmissão.

Se isso influenciou mexeu de alguma forma com a cabeça de Lindemberg (ele virou , de certa forma, uma celebridade instantanea) e se isso afetou na decisão do comandante da operação de não ordenar um disparo nas oportunidades em que teve o rapaz 100% sob a mira de atiradores de elite, provavelmente nunca se saberá.

Mas Ana lúcia Assad chamou a mídia para um debate no qual ela evita sempre estar porque,claro, quase sempre julga-se acima de tudo.

***

vale dizer que a conduta questionável aqui foi de apresentadores travestidos de jornalistas e de programecos policiais, mas que gozam de grande apreço dos engravatados do departamento finaceiro das emissoras, razão pela qual preferi o termo "midia" ao "imprensa"que, pelo menos até onde me lembro, teve uma atuação responsãvel.

***

Vejo que agora a pouco  o colunista do UOL Maurício Stycer publicou um texto tratando da malhação de Judas imposta a Ana Assad intitulado "  TVs e público elegem advogada de Lindemberg como a vilã do julgamento". Disponível em;  http://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2012/02/15/analise-tvs-e-publico-elegem-advogada-de-lindemberg-como-a-vila-do-julgamento.htm

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

100 BALAS, VOL.7

Acaba de chegar às bancas o Vol.8 de 100 Balas. este texto,claro, trata do volume anterior, publicado em outubro do ano passado, mas cujas histórias prosseguem no volume atual.


Escrita. Boa.Pra. Caralho”. É desta maneira, enfática e praticamente impublicável, que o premiado roteirista americano Greg Rucka, autor de Whiteout e Gothan City contra o Crime,define, na introdução do sétimo volume da série 100 Balas, o trabalho da dupla Brian Azzarello e Eduardo Risso.Para Rucka, trata-se de literatura o que Azzarello e Risso fazem, dada a incapacidade dos rótulos e gêneros (pós-noir, policial, ação) darem conta de 100 Balas. É claro que é uma bobagem(são artes diferentes, ora bolas) mas dá pista da empolgação que toma o leitor, mesmo quando ele é um artista experimentado como o americano.

O que Greg Rucka diz de mais interessante é que o desenhista argentino Eduardo Risso é também autor da série, o que é quase inédito numa arte em que o desenhista é muitas vezes mero artesão das idéias do roteirista. E ele está certíssimo em afirmar isso.

O que são aqueles rostos, aqueles corpos e aquelas expressões? Ligue a Tv e você verá que nem dez por centos dos atores hoje em dia são capazes as nuances, da profundidade de alma que o traço de Risso é capaz de trazer à superfície do papel.

Seus cenários são pulsantes como eram os do cinema americano dos anos 1970. Personagens meramente coadjuvantes tem vida (no sentido mais amplo)e personalidade, não estão ali meramente para compor uma cena. Flagramos trivialidades o tempo todo que são insights , relances de vidas que nunca conheceremos .

Risso é , em si, um uma equipe inteira de cinema(direção, figurino, fotografia, direção de atores) tamanha a complexidade de seu trabalho, simples só na aparência. Mas ele é ainda mais.

Em dado momento, em um clube de jazz, a figura (estática,porque desenhada)de um saxofonista serve para separar os quadros,criar uma atmosfera e demonstrar a passagem do tempo. Isso demonstra o calibre de seu talento como quadrinista.

Sobre a arte de Azzarello em construir tramas e personagens é melhor não dizer nada aqui, afinal Rucka fala muito,e bem, em seu texto.

Pouco importa se a esta altura (que corresponde aos números 37 a 42 da série original) se você não sabe nada sobre os tais Minutemen ou o misterioso cartel ou o que fez o agente Graves. 100 Balas é quadrinhos em estado de glória e deve ser visto,lido e experimentado como a grande arte que é.


















quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

ADEUS A WANDO E ETTA JAMES


Morreu Wando, que não foi o cantor das multidões, nem popstar, mas cantor de multidões, muitas delas não confessas. Dizer que alguém é  "meu iá iá,meu io io" não é pra qualquer um. Wando era a cara do Brasil, mas não essa cara que quer entrar pela porta da frente no tal primeiro mundo, com cabelo alisado de chapinha e corpo contruído em laboratório. Era beiçudo,"cabelo-ruim", miscigenado. Brasileiro,enfim. E de xaveco sem vergonha, terno barato, "macho jurubeba", pra usar uma expressão do Xico Sá. Wando morre numa época que o renega (mais do que sua música, seu biotipo e tudo que ele significa) e que recentemente só o acolhia no confortável gueto dos "cantores bregas".Seja lá o que isso signifique.


Morreu Etta James. A primeira vez que soube de sua existência, se não me engano, foi num programa de jazz na Bandeirantes apresentado pelo Nelson Motta, lá na década de 1990. Era um Montreux Festival onde uma figura gorducha esparramava sobre o público mais sexualidade do que Beyoncé,Rihanna e outras malhadas jamais serão capazes.

Seu rebolado não era calculado pela coreografia milimétrica, mas pela empolgação genuína. Virava o traseiro para a platéia enquanto  apoiava as mão sobre um piano. Era, como dizia muita gente nos EUA, indecente. A típica dona de bordel à beira da estrada(ou pelo menos como é no imaginário coletivo), figura renegada pelo puritanismo obscurantista em que  mergulhou os EUA e também por esse culto obssessivo pela forma física em detrimento da arte, pela embalagem que fere de morte o conteúdo.
Etta começou na Chess records boazinha, cantando músicas em que uma moça sofre porque vê o amado casar com outra("Stop the Wedding", 1962e "All I do was cry",1960), mas logo foi ficando peralta, falando em striptease(You can leave your hat on,1973) afirmação sexual (Tell Mama,1967) e coisas bem mais barra-pesadas,como racismo(Lets Burn down the cornfield,1974) e niilismo (God´s Song, 1973).

 
 Seu vozeirão poderoso, quase masculino, era, para mim, comparável ao de Aretha Franklin no panteão da soul music. Aliás, eu( e,acredito, só eu) via nas duas algo comparável à rivalidade "Beatles vs Rolling Stones". Aretha de certa forma comportadada , mas cujo ponto de virada foi tornar sua canções mais complexas musicalmente(quando flertou com o funk e o jazz ao lado de Quincy Jones)  e Etta, aquela que se aperfeiçoou em ser uma besta-fera,uma pedra que rola morro abaixo(rolling stones gather no moss!). Fera que o perfeccionimo "artístico" (mercadológico)fez questão de domesticar e transformar nessas atletas de microfone que pulam nos palcos mundo afora.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

CINECLUBE GAMBALAIA- 27/01


Quando éramos Reis (When we were Kings), 1996- 89 min.. Dir. Leon Gast



"Dane-se a América e oque a América pensa. Eu moro na América,mas a África é a casa do homem negro.Eu era escravo quatrocentos anos atrás e estou voltando para casa para lutar com meus irmãos"

- Muhammad Ali



Sexta-feira, dia 27, às 21h, o Cineclube Gambalaia faz uma homenagem ao boxeador Muhammad Ali, que recentemente completou 70 anos e é considerado o maior atleta do século 20 pela Sports Illustrade.
Oscar de melhor documentário em 1997, "Quando éramos Reis" permanece absurdamente inédito em DVD no Brasil.

É sua oportunidade de assitir um raro momento na História em que esporte ,arte, política e mobilização social andavam juntos.


Em 1974 Muhammad Ali, símbolo da luta pelos direito civis e ícone do orgulho negro, buscava reconquistar o cinturão que lhe havia sido tomado quando se recusou a combater no Vietnã, trêas anos antes."Nenhum vietcongue jamais me chamou de preto", afirmou na época.


Para isso ele vai a Kinshasa, no Zaire, enfrentar o jovem e invencível George Foreman, adorado pela américa branca, ao mesmo tempo em que busca por suas origens e por seu povo.


Como complemento exibiremos cenas do documentário "Soul Power", que mostra as apresentaçãos de James Brown, B.B King e outros ídolos da soul music e do blues no festival de Kinshasa, realizado como parte das comemorações em torno do combate.


Haverá também leitura de trechos de uma das mais célebres obras do new journalism, "A Luta", de Norman Mailer, que acompanhou tudo ao lado de Ali.

E quem chegar mais cedo vai curtir muita soul music no nosso tocacedês.

É isso.

Esperamos por vocês !


Espaço Cultural Gambalaia

R das Monções, 1018, Centro, Santo André- SP
gambalaia@hotmail.com

(11)4316-1726

http://www.gambalaia.com.br/









terça-feira, 24 de janeiro de 2012

A MEGA CENA E A LUIZA (QUE VOLTOU DO CANADÁ)

Dois mil e doze mal começou e já temos um forte candidato a mico do ano, a (falsa) história da mega grávida. Ano passado um comediante (na falta de outra atribuição) Amin Khader, pregou uma peça no jornalismo de fofoca, plantando a informação de que tinha morrido. Entre os que tiveram a reputação chamuscada ninguém deve ter sentido mais que Celso Zuccatelli, outrora apresentador do respeitado Jornal da Cultura, hoje apresentador de programa de variedades. Se de Sônia Abrão e seus comparsas não se pode esperar grande coisa, pelo menos de Zucatelli se imaginaria aquilo que po professor ensina na primeira aula de introdução ao jornalismo em qualquer faculdade(boa ou ruim): cheque a veracidade da informação.

E não é que agora o trote pegou todo mundo, de cabo a rabo, na imprensa brasileira? Não houve quem,antes de 16 de janeiro, duvidasse que a professora de barriga descomunal estivesse mentindo. Mesmo que seu corpo mostrasse não ter inchado na mesma proporçõ da barriga,mesmo que ela andasse sem esforço e sem inclinar o tronco para trás(como pede a Lei da Gravidade),mesmo que sua barriga começasse na altura dos seios(qe não eram os de ma grávida).

Não digo nada disso só agora depois que a farsa foi descoberta, apenas repito o que já dizia minha mãe, logo que a mega-grávida de Taubaté apareceu na TV.

Agora aparecem vizinhos que já desconfiavam de tudo, um médico que revelou a mentira e o testemunho que poderia dar boa pista: ela se mudara recentemente. Ora , por que ninguém disse nada antes? Simples:porque ninguém perguntou.

O que me parece claro é que a necessidade de entreter, de entregar um show, um espetáculo(showrnalismo, pra usar a expressão de José Arbex Jr)  suplantou de vez o rigor da notícia. Todo mundo agora é NP(Notícias Populares) saudoso jornal que  não tinha pudor em noticiar o nascimento de um bebê diabo.


Carlos Nascimento ralhou ao vivo, mas isso não suficiente  pra tirar o brilho da bonitinha Luiza(aquela que estava no Canadá), única criatura capaz de ofuscar outro fogo fatuo da internet, Michel Teló. Agora volta e meia aparece um especialista em alguma coisa tentando entender o fenômeno. Não sou especialista em coisa alguma, mas ouço constantemente que as noções de privacidade mudaram(ou se extiguiram, dependendo da abordagem), que as fotos, antes restritas ao ambiente doméstico, reservadas a membros da família, agora só se realizam na esfera pública, ao estarem aos olhos de todos.
Não me parece outra coisa essa mania pela Luiza. Sabe quando algum primo fala uma bobagem numa festa, ou um amigo mistura ditados("isso vai dar farinha pra manga") e aí todo mundo começa a repetir? Pois é, na minha opinião é apenas a transposição daquilo que é da espera privada para a pública, praticaente sem limite de alcance, até porque afora tudo é uma coisa só(o primo falando bobagem pode parar no youtube,coitado).
Agora quando um telejornal,no melhor estilo Big Brother, mobiliza sua redação para receber uma garota alçada involuntariamente à fama
por um propaganda desastrada feita por seu pai, aí a gente entede o motivo da mega grávida ter enganado a todos. O que importa é fazer parte da cena. The show must go on !

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

ALI


"Dane-se  América e o que a America pensa. Eu moro na América,mas a África é a casa do homem negro. Eu era escravo quatrocentos anos atrás e estou voltando para lutar com  meus irmãos"

"Você olha para a miss america ou para o mister america e vê branco. Olha para a miss mundo e vê branco.Olha parao Tarzan,que é o rei das selvas e vê branco".

"Por que me pedem que eu vista uma farda e vá a um local a 15 mil Km de distância atirar bombas e balas no povo pardo o Vietnã enquanto os chamados negros do de Loiusville são tratados como cães e lhes negam os direitos humanos? Não,não vou a um local a 15 mil Km de distãncia para ajudar a matar e queimar outra pobr nação só para continuar o domínio dos senhores brancos de escravos sobre as pessoas mais escuras do mundo. Chegou o dia em que tais maldades tem de acabar"

"As pessoas dizem que eu sou arrogante, algumas dizem que preciso de uma boa surra.Mas eu vou chegar onde tiver de chegar."

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

TAL FILHO,TAL PAI



Ontem estava lá no programa Metrópolis, da TV Cultura, Daniela Mercury, dando entrevista e cantando ao vivo acompanhada de três músicos.
Daniela  perdeu faz tempo o estigma de cantora de multidões(hoje com Ivete Sangalo e Cláudia Leite) e vira e mexe busca novas identidades, como foi o caso do polêmico Trio Eletrônico, em que colocou música eletrônica em seu trio eleétrico  alguns canavais atrás.

Dessa vez ela flerta abertamente com a tal da "seriedade"  e  com a  "profundidade". Lançou um disco com três capas diferentes, casa um deles contendo as mesmas músicas,porém em ordens diversas.
Juro que não entendi a justificativa dela e,creio,nem Cadão Volpato, o entrevistador,entendeu chongas. Mas era algo como mostrar ao público as difersas facetas dela, músicas de diversos tipos, mais lentas, com , sei lá, diferentes interpretações. Enfim, depois de "explicar" a coisa toda,ela anunciou, toda pimpona, que havia neste disco, uma versão de "Como nossos pais", do Belchior(?!?!?),eternizada na voz de Elis Regina . Daniela explicou, de um jeito que eu também não entendi(não foi culpa dela, eu é que estava mastigando sucrilhos na hora), a atualidade da música. Atualidade ou importância, ou algo por aí.

O diabo é que essa é certamente a música mais desatualizada, ultrapassada  e atualmente sem sentido do Brasil. Depois,talvez, de Eu te Amo,meu Brasil,"hino" involuntário da ditadura militar feita pela dupla   Don e Ravel. Porque Como nossos Pais fala de um mundo que nascia, o dos jovens e que buscava,não sem conflito, o direito de existir. E hoje, não tem o menor cabimento cantar que

Ainda somos os mesmos

E vivemos

Como os nossos pais...

Uma ova! Hoje,acho que ninguém se surpreende quando  eu digo, são nossos pais que vivem como nós, a "gente jovem reunida". São eles que, não sem conflito, buscam espaço no "nosso"mundo da revolução tecnológica, das redes sociais  e até dos "amores líquidos"(pra usar uma expressão do filósofo Zygmunt Bauman).
No artigo"Como se relacionam as gerações na sociedade Contemporânea" escrito para a Revista E, de novembro de 2010(nº5-ano17)a professora Vera Lucia Valsecchi de Almeida citou trecho do livro "Tempo da Memória: De Senectude e outros escritos biográficos", de Norberto Bobbio (Editora  Campus,1997):

"(...) as transformações cada vez mais  rápidas, quer dos costumes,quer das artes,viraram de cabeça para baixo o relacionamento entre quem sabbe e quem não sabe.Cada vez mais,o velho passa a ser aquele que não sabe em relação aos jovens que sabem".

Mas para alguém que, em tempos de itunes, lança três versõs do mesmo disco em que o diferencial é a capa e a sequência das músicas (sequência????) Como nossos Pais ainda deve fazer todo sentido do mundo.



Não quero lhe falar,



Meu grande amor,


Das coisas que aprendi


Nos discos...






Quero lhe contar como eu vivi


E tudo o que aconteceu comigo


Viver é melhor que sonhar


Eu sei que o amor


É uma coisa boa


Mas também sei


Que qualquer canto


É menor do que a vida


De qualquer pessoa...






Por isso cuidado meu bem


Há perigo na esquina


Eles venceram e o sinal


Está fechado prá nós


Que somos jovens...






Para abraçar seu irmão


E beijar sua menina na rua


É que se fez o seu braço,


O seu lábio e a sua voz...






Você me pergunta


Pela minha paixão


Digo que estou encantada


Como uma nova invenção


Eu vou ficar nesta cidade


Não vou voltar pro sertão


Pois vejo vir vindo no vento


Cheiro de nova estação


Eu sei de tudo na ferida viva


Do meu coração...






Já faz tempo


Eu vi você na rua


Cabelo ao vento


Gente jovem reunida


Na parede da memória


Essa lembrança


É o quadro que dói mais...






Minha dor é perceber


Que apesar de termos


Feito tudo o que fizemos


Ainda somos os mesmos


E vivemos


Ainda somos os mesmos


E vivemos


Como os nossos pais...






Nossos ídolos


Ainda são os mesmos


E as aparências


Não enganam não


Você diz que depois deles


Não apareceu mais ninguém


Você pode até dizer


Que eu tô por fora


Ou então


Que eu tô inventando...






Mas é você


Que ama o passado


E que não vê


É você


Que ama o passado


E que não vê


Que o novo sempre vem...






Hoje eu sei


Que quem me deu a idéia


De uma nova consciência


E juventude


Tá em casa


Guardado por Deus


Contando vil metal...






Minha dor é perceber


Que apesar de termos


Feito tudo, tudo,


Tudo o que fizemos


Nós ainda somos


Os mesmos e vivemos


Ainda somos


Os mesmos e vivemos


Ainda somos


Os mesmos e vivemos


Como os nossos pais...

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

A ARTE CENSURADA PELO MARKETING


Em matéria de Silas Martí, no caderno Ilustrada da Folha de São Paulo de 29/11 , ficamos sabendo que o Centro Cultural Oi Futuro, “bancado” pela empresa de telefonia Oi ,vetou a exposição de fotografias e vídeos da norte-americana Nan Goldin que estava marcada para estrear em janeiro no espaço carioca. Vetou porque considerou de mau gosto e ofensivo o material que continha fotos de adultos fazendo sexo ao lado de crianças ou uso de drogas e nudez. Segundo o comunicado, as obras vão contra os “os programas educacionais” apoiados por eles e que seguem “os preceitos do Estatuto da Criança e do Adolescente”.

O palavrório é só mais uma prova da profunda anemia intelectual dessa gente que detém o dinheiro e que “banca” o que você e eu temos o direito de ver exposto, seja numa galeria, museu, cinema ou teatro. Digo “banca” porque eles não fazem muito mais do que direcionar o dinheiro que deveria ir para os impostos através de leis de incentivo e lucrar muito com isso. Quase nada sai realmente dos bolsos deles. E,no fim das contas, é tudo uma questão de Imagem(Santo Baudrillard, rogai por nós!). Manter um espaço cultural agrega inteligência, vanguarda, modernidade,beleza e outras abstrações que os consumidores associam a arte e que transferem diretamente à imagem da marca. Programas educacionais mostram que eles não estão só interessados em esfolar os clientes mas estão preocupados, veja só, com nosso “futuro”. Sacou? E o mesmo bla bla bla vale para a tal da “sustentabilidade”.

Hoje a coisa é mais ou menos regulada, porque o Estado é quem aprova quais projetos culturais estão aptos a serem s beneficiados pela Lei Rouanet (a que permite a destinação de parcela do Imposto de Renda)e assim financiados pela iniciativa privada que pode escolher entre eles. Como quem decide o que é, ou não,  art,e é um engravatado com gel no cabelo que não entende nada do assunto, mas sim de marketing,  temos essa daltonismo mental que não diferencia uma coisa de outra e que permite, quando lhe convir, largar a arte às traças (com o HSBC fez com o Cine BelasArtes) para ir fazer propaganda com outra coisa qualquer. E dá-lhe todo mundo querendo financiar o Chico Buarque, a Maria Bethania e o Cirque Du Solei, porque,afinal, que não quer sua marca colada à imagem deles.

É uma pena, porque quem viu The Ballad of Love Dependency , de Nan Goudin, na última Bienal sabe que a nudez ali não tem essa conotação pornográfica que os engravatados retrógrados lhe atribuem. Sua obra tem a força de um soco no estômago, mas dado com toda ternura.

Lucidez absurda teve Hemingway quando, no autobiográfico Paris é uma Festa, escreveu a propósito de seus primeiros anos como escritor em contato com os muito ricos:

Quando exclamavam: “está ótimo, heim! Excelente!Você nem calcula a força que ele tem!”, eu me punha a abanar o rabo,de tanta felicidade,e me entregava àquela vida de prazeres,como se fosse apanhar uma vara que tivessem atirado para seu cachorro buscar,em vez de refletir:”Se esses cretinos gostaram do que escrevi,devo ter cometido um erro qualquer”.

***
Existe atualmente uma proposta para mudar a Lei Rouanet e, de uma tacada, tirar o poder de decisão que hoje fica nas mãos da iniciativa privada e corrigir a distorção  absurda que permite a concentração de 80  % dos recursos no eixo  rio-São Paulo. É o ProCultura, projeto de Lei o qual a iniciativa privada,como é de se imaginar, não vê com bons olhos.
A íntegra do projeto,que é de fevereiro de 2010,  está aqui:
http://www.cultura.gov.br/site/2010/02/03/74194/


sexta-feira, 11 de novembro de 2011

O QUE QUEREM OS BADERNEIROS DA USP? -2


A excelente publicação Le  Monde Diplomatic Brasil, em sua edição de número 50(setembro) trouxe excelente artigo do escritor Owen Jones, A Moral Britânica contra a  "Escória"  que trata do modo como  foi retratada , na midia britânica, a revolta juvenil que tomou as ruas de inglesas em agosto deste ano ,bem como as reais causas dos ataques. É um texto  que serve para compararmos com a repercussão  que teve a revolta dos alunos da FFLCH na opinião pública brasileira.

A destruição de lojas e outras depredações quase aleatórias tornou os  jovens ingleses antipáticos à opinião pública mundo afora, que viu nos atos  nada além de vandalismo, causados "pelo uso excessivo de drogas" pela decadência  moral e a perda de valores familiares, sem jamais buscar entendê-los de outra forma. E,claro, saudou-se a repressão policial violenta ao  "bando de animais ferozes"(termo que ficou comum no Twitter). O jornalista Richard Littlejohn, do DailyMail , um pouco menos comedido que os os colegas brasileiros, sugeriu "matá-los a pancadas como filhotes de foca" . 

Não vou tratar o leitor por tonto e  ficar estabelecendo comparações e paralelos (são situações bastante diferentes) apenas digo que lá,como cá, havia muito mais do que era dito nos meios de comunicação. Transcrevo trechos deste, e também de outro artigo, publicado na mesma edição e intitulado Geração sem Futuro, de autoria de  Ignacio Ramonet, jornalista, sociólogo e diretor da versão espanhola do Diplomatic.

"Em Tottenhan,onde começaram os levantes, há 34 candidatos para cada posto de trabalho. A imensa maioria dos postulantes possui menos  de 24 anos e está desempregada.Parece tão surpreendente que justamente essa população sem emprego,carreira ou auto-estima- e não a dos bairros abastados-tenha se envolvido nos levantes de agosto?     Certamente pobreza e desemprego não conduzem à pilhagem e à violência, mas basta alguns  poucos manifestantes para detonar a bomba-relógio de um bairro pobre"
                                                                                                                                 - Owen Jones


Hoje é diferente (de 1968 - Nota de transcrição).  O mundo está pior  e as esperanças esmoeceram. Pela primeira vez em um século,na Europa,  as  novas gerações têm um nível de vida inferior  ao de seus pais. O processo globalizador neoliberal brutaliza os povos,humilha os cidadãos e despoja os jovens de um futuro.
E  a crise financeira,  com suas ´soluções´de austeride contra a classe média e os mais humildes,piora o mal-estar geral.Os Estados democráticos estão renegando os  próprio valores.em tais circunstâncias, a  submissão e o aacatamento da ordem são absurdos.(...) 

A impetuosa explosão inglesa se diferencia dos outros  protestos juvenis-em geral pacíficos embora com enfrentamentos pontuais em Atenas, Santiago e outras capitais-pelo grau de violência utilizado. (...)os amotinados ingleses, talvez pelo pertencimento de classe, não verbalizaram seu descontentamento. Nem colocaram seu furor a serviço de uma causa política ou da denúncia da desigualdade concreta.Nessa guerrilha urbana, nem sequer saquearam os  bancos com ira sistemática. Deram a (lamentável)impressão de que a raiva pela condição de despossuídos e frustrados tinha como único foco as vitrines repletas de benesses do mundo do consumo.  De qualquer forma,como taantos outros  ´indignado´esses esquecidos pelo sisttema-que já não pode oferecer-lhes um lugar na sociedade,um futuro-  expressavam o desespero".
                                                                                                                                 - Ignacio Ramonet

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

O QUE QUEREM OS BADERNEIROS DA USP? -1 (atualizado)


 

O título da postagem, explico logo, é uma provocação . Vamos tratar de reconhecer quem é quem na artilharia.

Será que é a imprensa que informa pouco e mal quando se trata de casos em que um julgamento se forma rápido e facilmente(nesse caso o tal julgamento parece até óbvio)?
 Os fatos(base da matéria jornalística) não parecem permitir ambiguidade e nos empurram ao julgamento fácil ; dois ou três  jovens são detidos no campus fumando maconha e encaminhados para a delegacia, onde assinam um termo circunstancial e são liberados. Não houve , que se saiba,  queixa alguma de excesso por parte da polícia naquele momento. Os alunos tomam uma posição num primeiro momento claramente indefensável (porque por motivo fútil- o desejo de fumar maconha no campus sem serem incomodados) ao invadir a reitoria em protesto à prisão dos colegas.  Uma assembléia estudantil determina o fim da invasão  mas a minoria derrotada se recusa a sair  até que chega a polícia e todo seu aparato espetaculoso para retirá-los de lá.

No Bom Dia Brasil, Chico Pinheiro lamenta a ação da polícia para retirar os alunos  da reitoria,  mas apenas porque "os policiais poderiam estar em outro lugar, fazendo um trabalho mais necessário"(cito de memória)Entenda-se: ao invés de dar umas palmadas em moleque mimado . Não muito diferente da opinião de Vinicius Mota e Luiz Felipe Pondé, ambos da Folha de São Paulo.

O primeiro chama os jovens de "grupelhos semialfabetizados e violentos" que querem estar "livre para o uso de drogas na Ciddade Universitária" o que "significa liberá-la para o tráfico, sem o qual não há consumo- e o tráfico não existe sem crimes conexos,como homicídios".  A polícia, para ele, é "a força legítima que mantém a ordem na democracia"( Os Bebês da USP- Opinião, 07/11/11).

O segundo acredita que "a diferença entre eles" , os "os baderneiros que invadiram a Faculdade de Filosofia da Usp" e a "última geração revolucionária de fato (Fidel Castro e Che Guevara) é  que enquanto los hermanos de Cuba enfrentaram inimigos à bala,essa moçadinha que  acha que ´todas as diferenças podem conviver lado a lado´ (até a primeira briga de ciúme entre dois caras pela menina mais gostosa do grupo,aliás,coisa rara nesse meio),ao primeiro tiro correria para casa para brincar com o seu iPad"(Geração Capitão Planeta- Ilustrada, 08/11/11).

Via Twitter, a âncora da rádio Estadão-ESPN, jornalista Mia Bruscato, disse que "E, se eu escrevesse tudo o que penso desse episódio todo na USP... quem ia presa era eu, provavelmente. Deixa pra lá".

Parece fácil atipatizar com os estudantes. Fácil demais para não se desconfiar de que falta uma ou mesmo várias peças nessa história. Só quem nunca pisou na USP não sabe que as pichações "Fora PM do Campus" não são de hoje. Fora por quê?  Não nos dizem. Ou melhor, demoraram a dizer. A Estadão  ESPN entrevistou, só ontem, representantes dos sindicatos dos funcionários da USP. Mas, peraí... funcionários? Então tem mais coisa aí nessa história, não é mesmo?- é bom dizer, antes que pedras voem na  janela da minha casa, que entender os motivos da revolta dos alunos  não significa de modo algum concordar com eles. É apenas pedir pela informação completa ao invés de opiniões de  boteco.E aí,sim, formular uma opinião.

A coisa toda tem a ver com uma postura de oposição ao reitor da USP, a acusações de corrupção deste feitas pelos alunos, à reivindicação para que se crie uma polícia universitária(que faria o patrulhamento no lugar da PM e sua postura truculenta e opressora) , ao fato de a USP ser uma autarquia ,e muitas outras coisas. Não é só para fumar maconha sem ser incomodados. Que se repudie a depredação, a invasão após derrota demcrática na assembléia  e mesmo o discurso esquerdista caduco, ok. Que se ache que todas as reivindicações são idiotas, afinal polícia universitária não existe em lugar nenhum do mundo(o que não quer dizer que não possa existir, mas pouco poderia frente a bandidos armados), é justo. Que se considere pertinente a presença da PM no Capus, em face do crescente número de assaltos, estupros e até assassinatos, é bem compreensível também.

Mas antes de se falar em iPad e semianalfabetismo, é bom  saber o que ocorre de fato.

Um vácuo de informação ocorreu também em casos quase idênticos, os protestos estudantis do Chile e os recentes atos de vandalismo na Inglaterra, onde jovens da periferia  londrina incendiavam carros e destruíam lojas sem motivo aparente.
Mas isso fica pra próxima postagem.

***
atualização
É minha querida Olga Defavari quem avisa que, antes da rádio Estadão, a GloboNews(sempre um exemplo de bom jornalismo) já havia dado voz (que não ecoou na TV aberta) ao  outro lado da questão. Falou-se,entre outras coisas, que a  PM revista alunos na entrada da biblioteca e reprime namoros homossexuais. E que outro pnto do prootesto foi a imposição à revelia, pelo  governador do Estado,de um reitor que orna sua sala com tapetes que custariam R$ 35 mil .

terça-feira, 8 de novembro de 2011

A PELE QUE HABITO



Algumas postagens atrás  , para tratar da falsa polêmica do #sandyfazanal, escrevi mal e porcamente sobre Jean Baudrillard e sua concepção de hiper-real, de sociedade da imagem e etc.
Baudrillard foi cantado como a inspiração maior para a concepção dos três filmes da série  Matrix pelos próprios diretores, os irmãos Wachowski, bobagem comprada por jornalistas e  professores de filosofia de meia-pataca mundo afora e que o próprio Baudrillard fez questão de desmentir.

Pode não ter a ver diretamente com as teorias do filósofo francês, mas as questões que envolvem identidade e imagem e o conflito contemporâneo entre elas (existe,afinal de contas, a tal identidade?) estão muito mais presentes no novo filme de Pedro Almodóvar, A Pele que Habito, do que na trilogia norte-americana.  Almodóvar trata essa problemática à sua maneira sanguínea, nos apresentando a tranformação do interno (a identidade)  pela tranfiguração do externo(a pele), via transsexualismo.

E,além disso tudo, é um grande e assustador Almodóvar, com um Antonio Banderas pairando acima de tudo.