quarta-feira, 9 de junho de 2010

POR QUE REVER -O PODEROSO CHEFÃO 2


Das maravilhosas passagens de Poderoso Chefão 2, escolhi comentar uma sem motivo especial, apenas para que o leitor tenha idéia do porquê esta é uma obra a ser vista e revista.
É um filme repleto de simbologia (as imagens muitas vezes tem um significado metafórico), onde a presença da morte e da decadência (que dialogam como o progressivo e inexorável isolamento de Michael Corleonne) é marcante e constante; são muitas as cenas de inverno pesado, aliás, significativamente, parte-se de um outono (o vento leva as folhas caídas, mortas) para um inverno rigoroso que se contrapõem à história solar, luminosa, que conta em paralelo a juventude de Vito Corleonne e sua ascensão no mundo do crime, tempos mais românticos(como fora o primeiro filme).


À cena, então :
Os mafiosos Michael Corleone e Hyman Roth (à esquerda na foto.Se o nome não for esse é bem parecido...)vão a Cuba sob o pretexto de serem empresários do ramo do “turismo e lazer”, quando, na verdade estão mesmo é dando uma boa grana para o presidente para poderem explorar os Cassinos locais. E não são só eles, muitos figurões da ilegalidade e da legalidade (ou ambos) aparecem no filme, como de fato era na realidade, fazendo de Cuba uma espécie de Resort dos Estados Unidos. Lá a máfia não seria incomodada pelo FBI, lá, com no resto da América Latina, os empresários teriam nos governo corrupto um parceiro interessado e dedicado. Mas veio Fidel e acabou com a farra. É precisamente nas horas que antecedem a queda de Fulgêncio Batista que o filme mostra um rebelde escapando do cerco policial e explodindo uma granada presa ao próprio corpo, levando consigo um agente da lei. Copolla corta para uma cena em uma mansão no alto de um morro onde se pode observar a ilha de cima. É aniversário do velho Roth, que recebe um bolo que chega com uma daquelas velas que espalham fagulhas e lembram uma bomba, uma dinamite. Roth pede que o criado mostre o bolo a todos os convidados antes de cortá-lo. Só então vemos que o bolo está pintado o mapa de Cuba, com a vela cravada bem no meio. Roth corta o bolo.
São os americanos partilhando Cuba, ou melhor, repartindo (como os europeus fizeram com a África), só que Cuba é um barril de pólvora prestes a explodir. E Copolla faz da montagem a ferramenta para nos dizer isso, ao justapor a cena do homem que explode à do bolo chegando.


Sem dúvida é uma obra para se ver muitas e muitas vezes, no entanto é bom avisar: a cópia que passa na TV é em tela cheia, o que destrói a rigorosa composição de cena de Copolla. Já das versões disponíveis em DVD, prefira a restaurada (Box de caixinha vermelha com assinatura do Copolla),a diferença é gritante. O profundo do negro , o brilho do dourado, tudo isso está pálido nas versões anteriores. E, neste filme, o contraste entre as cores tem muito significado. Dispensá-lo significa esvaziar um bom tanto de sua grandeza.

Um comentário:

Olga disse...

Que análise! Puta texto!