quinta-feira, 12 de agosto de 2010

IV JORNADA BRASILEIRA DO CINEMA SILENCIOSO


Não há dúvida de que, pelo menos desde os anos 1980 com a invenção do videocassete, a importância das salas de cinema vem diminuindo frente à possibilidade de se ver um filme na hora e no lugar que lhe for mais conveniente. Essa facilidade passou pela disponibilidade da Tv a cabo, daí para a comodidade do pay-per-view e chegou ao ponto máximo agora que é possível baixar em pouquíssimo tempo o filme que se desejar. Sendo assim, só uns poucos estão dispostos a pagar o preço(alto) do ingresso de cinema.


O fato é que a experiência do filme é afetada pelo lugar onde se assiste a ele.
Ao ver um filme, dividimos nossa atenção com o entorno iluminado (você não vê só o filme, mas a estante, os enfeites)com o parente que passa em frente à TV, com o vizinho barulhento, coisa que inexiste no cinema, onde nossa atenção está toda direcionada à imagem que, pelo tamanho monumental, nos engloba.
Essa sensação de que o cinema é uma atração única, tão insubstituível tanto quanto uma peça de teatro é que a Cinemateca resgata, ao menos uma vez por ano, com a Jornada Brasileira de Cinema Silencioso quando são exibidos filmes mudos com acompanhamento musical e apresentação dos curadores antes de cada filme.


A principal questão é se a música(que muitas vezes incluis até colagens sonora) pode “trair’o filme ou interferir no seu significado original. O curador musical da Jornada Livio Tractenberg diz no catálogo da mostra:


mais do que uma pretensa ‘atualização, que,de resto, soa ridículo quando se trata de criação artística,(...) as musicalizações buscam sobretudo estabelecer uma conversa criativa ,ao invés de uma moldura decorativa, com as narrativas fílmicas”.


A Jornada, que está em sua quarta edição, vai até domingo e tem como destaque o cinema sueco (está lá Greta Garbo, ainda Greta Gusstafson ,anos antes de brilhar na MGM) além de uma imperdível apresentação no Auditório Ibirapuera, nesta sexta-feira 13, de “A Feitiçaria através dos tempos”(1922), de Benjamin Christensen híbrido de horror e documentário com narrativa não-linear que mostra o alcance da feitiçaria na Idade Média. A fotografia de Johan Ankerstjerne é lendária. Na cinemateca pode-se também apreciar fotografias de bastidores de alguma das produções suecas exibidas.


A Sessão no Auditório Ibirapuera será às 21h00 e terá acompanhamento musical de Marcio Nigro e André Abujamra. O Programa completo da IV Jornada Brasileira de Cine Silencioso , que é gratuita, você encontra em http://www.cinemateca.com.br/



segunda-feira, 9 de agosto de 2010

ESTAMOS PAGANDO O PREÇO DE NOSSO ATRASO -1

Alguns anos atrás era comum a máxima “o Brasil é o país do futuro” .
O caso é que o tal futuro chegou para o país (mesmo não sendo “o” país, com sonhavam os ufanistas) e a nação não está preparada exatamente porque o povo nunca teve educação decente . Se isso era intencional, não sei, mas a coisa se voltou contra os próprios políticos que se vêem agora desesperados para consertar a situação.

Reportagem publicada pela Folha de São Paulo em 21 de junho deste ano revelou dados preocupantes. O mote era que o país não forma engenheiros e, dos que se formam, poucos são os que tem preparo adequado (1 em cada 4) e isso custa ao país U$ 15 bi por ano,boa parte por falha no projeto de obras públicas.
O problema começa na má formação do aluno no ensino fundamental. E por que? Faltam professores. E com professores de menos, alguém formado em matemática acaba sendo deslocado para dar aulas de física,por exemplo. E não vai ensinar direito, lógico, porque isso é tão absurdo quanto um professor de História ensinar literatura com a justificativa de que ambas são tidas ciências humanas.
Resultado: Mau formado em física o aluno chega despreparado na universidade o que acarreta a enorme evasão que encontramos nos cursos de engenharia.
Aí o gargalo é outro. Muitas universidades particulares são ruins porque, na guerra por alunos, baixam os preços, derrubando a qualidade de ensino (não há laboratórios de qualidade e as salas são superlotadas, entre outros problemas). Petrobras e outras empresas já estão financiando o estudo de engenheiros, desesperados com os números: aqui se formam 30mil por ano, na India, 250 mil. E o ritmo de crescimento da economia pede outro patamar, de quantidade e qualidade.
No próximo texto desta série: a má formação dos alunos antes da Faculdade.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

EDUCAÇÃO EM DEBATE

No debate de ontem, Serra se deteve pouco sobre o tema educação, Plínio, franco-atirador, disse (como dizia sobre qualquer tema) que teria de mudar tudo, de cima abaixo, distribuição radical de renda.
A conversa mais produtiva foi entre Marina Silva e Dilma Roussef. Dilma exaltou o investimento do governo atual em educação, próximo dos 5 % do PIB e que,com ela no poder, deve chegar a 7% (é bom ter em mente o quanto as metas de campanha, na prática, ficam aquém do prometido). Marina afirmou que,mesmo atingindo os 7%, o Brasil estaria “30 anos atrás de países como o Chile” (é bom ter em mente que dados ditos em debate,ainda que com segurança, podem ser fantasiosos).
Enfim, para Dilma, a solução é o ensino profissionalizante, que irá aproveitar essa massa de jovens trabalhadores que chegam pouco qualificados ao mercado- lembrando que a queda na taxa de natalidade aumenta o número de idosos e diminui o da força de trabalho. Dilma disse que iria integrar a educação, “da pré-escola à pós-graduação”, Deus sabe como e acabar com a progressão continuada, estratégia utilizada para manter os alunos na escolas (os repetentes tendiam a abandonar os estudos, piorando o quadro).

Esse blog, a partir da semana que vem, começa a bancar o chato e tratar longamente sobre educação por entender que o momento é crucial e que é a educação a base para um país que se pretenda desenvolvido. E também para que mudemos nossa mentalidade, de que o crime se combate só com a “Rota na rua”, com “pau neles” e outras bravatas típicas de apresentadores de corpo e bolso gordo (a integração educação /esporte/arte já foi tratada com insistência aqui). Espero que o leitor não se aborreça com a aridez dos temas e que ajude a propagar a discussão.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

AINDA HÁ LUGAR PARA SUPER HERÓIS NO MUNDO?







O quadrinista e cineasta Frank Miller, autor de O Cavaleiro das Trevas, recentemente anunciou que uma história que tinha planejado para o Batman(e que está produzindo há 5 anos)não terá mais o personagem como protagonista. Para ele, a trama que envolvia combate ao terrorismo, não comportava mais o herói. Ele disse, em entrevista ao Los Angeles Times que “Parece-me que sair atrás do Charada parece bobo comparado ao que está acontecendo lá fora” - http://omelete.com.br/quadrinhos/graphic-novel-de-batman-por-frank-miller-nao-vai-mais-ter-batman/




De fato, desde o 11 de Setembro, quando o horror invadiu os EUA sem pedir licença, a fantasia que envolve o combate a supervilões ficou meio sem cabimento. Um caminho tem sido o de adicionar maior realismo às tramas (e,consequentemente,mais violência). É dentro desse quadro que surge essa nova Mulher Maravilha, de traço realista com um traje que pouco lembra o original e qu provocou a ira dos fãs. “Não se mexe no que é sagrado” foi o comentário repetido em sites e blogs. De fato, apesar do peso excessivo da palavra “sagrado”, seria difícil de imaginar tamanha mudança no visual do Batman ou do Superman (a exceção foi o uniforme negro do Homem Aranha). Dizem que é para adaptar a personagem para um filme, o que não az muito sentido, uma vez que os X-Men foram transpostos para a tela grande com mudança no figurino sem que isso acontecesse antes nos quadrinhos.




A verdade é que os uniformes colantes, as cores puras, o desenho estilizado, tudo aquilo que sempre caracterizou as HQs de super heróis tinham a ver com, a bidimensionalidade explícita, com uma concessão forte à realidade. Hoje, quando a mais tola história pede o apelo ao realismo do 3D, o mundo dos Super Heróis fica algo deslocado. E deslocado também ante o perigo real do terrorismo e a impotência de uma crise econômica que dificulta a vida do norte-americano - e cujo vilão não foi senão, o próprio capitalismo norte-americano.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

BLACK POWER ! - MOSTRA "A SAGA NEGRA DO NORTE"


Para a historiadora Mônica Almeida Kornis , em seu livro Cinema, televisão e História (Zahar) “o filme deve ser visto também como um agente da história e não só um produto” . Citando o historiador francês Marc Ferro, Kornis afirma também que o cinema revela uma contra-história, passível de uma contra-análise da sociedade, por “ revelar aspectos da realidade que ultrapassam o objetivo do realizador, além do fato de as imagens expressarem a ideologia de uma sociedade”. Ou seja, um filme não deve ser encarado como um documento histórico afinal é a visão de uma pessoa sobre determinado momento, mas indiretamenente dá pistas sobre momento em que foi filmado .


Este “aspecto da realidade” é que motiva a mostra de 11 filmes “A saga negra do norte” que acompanha, desde o dia 17 deste mês, a exposição “Eu tenho um sonho- a saga negra do norte-de King a Obama” no Museu Afro Brasil (São Paulo).

Com curadoria de Eugenio Pupo ( o mesmo da retrospectiva José Mojica Marins no CCBB), a mostra composta por documentários e longas de ficção tem como mote a chegada do primeiro negro à presidência da república nos EUA para refletir sobre a imagem que seu país faz do negros e a maneira como eles mesmos passaram a se enxergar em momentos importantes da história norte-americana. Há desde o elogio da Klu Klux Klan pelo sedimentador da gramática cinematográfica clássica, D.W.Griffith, com seu “Nascimento de uma Nação” (1915) - ele meio que se desculparia depois filmando “Intolerância”- até os filmes Blaxploitation como “Shaft”, de Gordon Parks (1971) feito por negros e para negros e com marcante trilha sonora dos bambas da soul music.


E a soul music não podia mesmo ficar de fora, afinal o jeito de dançar, de cantar e as roupas extravagantes eram tudo o que os brancos não podiam copiar e fortaleciam o “orgulho negro” na virada dos 60 para os 70 – época inclusive em que o blues era meio desprezado, visto como música conformista, herança de escravos. Pena que fique restrito apenas a “O Poder do Soul”, de Jefrey Levy-Hinte(2008)- “WattStax” ficou de fora, por exemplo. A mostra passeia ainda por filmes de cunho histórico , como Malcom X(1992) de Spike Lee e por documentários como “ O Assassinato de Martin Luther King (1993), de Denis Muller.




Museu Afro-Brasil funciona de terça a domingo, das 10h às 17h. A entrada é gratuita.
Para ter acesso à programação completa vá a
http://www.museuafrobrasil.org.br/

quarta-feira, 28 de julho de 2010

VIOLÊNCIA, FUTEBOL,DEMOCRACIA E A MÍDIA

Na edição deste domingo do “Juca Entrevista”, programa da ESPN comandado pelo jornalista Juca Kfouri, primeiro feito após a Copa, o entrevistado Antônio Carlos Mariz de Oliveira, advogado criminalista e ex-secretário de segurança de justiça do estado de São Paulo, falou sobre a relação da imprensa com casos como o do goleiro Bruno.

Está se transformando a tragédia humana num espetáculo. Há uma teatralização que aproxima o caso de uma novela”, disse Mariz.
A culpa não é só da imprensa,completou, mas também das autoridades (delegados ou mesmo o ministério público) que, seduzidos pelo poder da imagem, pelos holofotes que podem atrair para si, acabam metendo os pés pelas mãos, falando mais do que deveriam. É,de certa forma, o que eu chamei aqui , algumas postagens atrás, de Peeping Tom, em referência ao filme de Mike Powell.

O programa na verdade foi sobre a necessidade de a CBF ter eleições diretas para presidente a fim de impedir mandatos quase vitalícios como o de Ricardo Teixeira, idéia que o advogado exprimiu num artigo para o jornal Estado de São Paulo semana passada. Em dado momento falou-se que a democracia não chegou ao futebol, que é tudo como algo privado, onde nem os governos ousam se meter. Juca destacou que isso é algo absurdo, afinal o hino que toca antes das partidas da Seleção Brasileira não é um hino da CBF, mas sim do Brasil. Nem Mariz nem Juca não tocaram nesse ponto, mas temos uma herança monárquica (tivemos sob o poder dos reis portugueses e depois de uma monarquia própria) que torna a democracia algo estranho a nós. No documentário O Abraço Corporativo (de que já tratei aqui), o jornalista Hérodoto Barbeiro (CBN, TV Cultura) diz que “nós temos 500 anos de história, dos quais 50 de democracia em duas parcelas de 25”. Ou seja, ainda precisamos aprender a viver com ela.
Pois é.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

ESPORTE CONTRA A VIOLÊNCIA


Vale Tudo,ou MMA (Artes Marciais Mistas) como chamam hoje, é sinônimo de violência?
A despeito do sangue que normalmente corre sobre o ringue, este esporte é uma arma na luta contra o crime e, por que não, a violência, como mostra o documentário Dias de Luta. Dirigido por Eduardo Brand, o filme acompanha a rotina do mestre Casquinha em sua academia num morro da zona norte do Rio, onde trava uma luta particular para tirar jovens do convívio com as drogas e o crime oferecendo a eles, como alternativa de vida, a dedicação ao esporte.

Combate desleal, é evidente, mas nem por isso Casquinha desistiu, nem mesmo quando a verba prometida a ele pela prefeitura do Rio foi deslocada para o PAN(aquele que custou 10 vezes mais do que o orçamento inicial e no qual não iria entrar verba pública).


Você não tem dois caminhos no morro, você tem um só, que é o tráfico. Você quer um tênis legal, o traficante tem, você quer comer uma pizza, o traficante manda comprar, você quer mulher bonita, o traficante tem. Só um milagre pra trazer um moleque pra cá”, diz Casquinha, que ainda assim conta com alguns alunos dedicados que desistiram da vida bandida para buscarem vitórias no ringue.


É interessante o que disse o presidente da Fundação Palmares, Zulu Araújo em entrevista a Lázaro Ramos no programa Espelho no Canal Brasil (a transcrição é de memória): “a sociedade diz que você precisa de uma TV enorme, de um tênis bacana , de uma série de coisas. Você acha que um jovem pobre e sem perspectivas irá reagir pacificamente?”. É o mesmo que disse Casquinha. Há o apelo ao consumo ( e a necessidade histérica de ser feliz, via consumo, a maior fé da sociedade ocidental) e há jovens sem perspectiva nenhuma de ascensão social. O milagre de que casquinha falou seria bem possível se a prefeitura do Rio, governos do estado e Federal e o raio que os parta tivessem direcionado parte dos 4 milhões do PAN a projetos sociais, como a academia de Vale Tudo. Por que se o esporte ou a arte se mostram alternativas viáveis de ascensão social não haverá tantos assim sendo aliciados pelo crime que, como diz o rapper Mano Brown, oferece a possibilidade de você escolher entre “viver pouco como um rei ou muito como um Zé”. Tanto é que, como aponta Zulu, a única oposição real ao tráfico é a igreja evangélica. O sujeito entra lá, se veste daquela maneira, carrega a bíblia debaixo do braço e anuncia a todos que está fora desse mundo do tráfico.
E aí nós voltamos de novo a duas postagens atrás neste blog.


Dias de Luta pode ser visto no Canal Brasil, basta ficar atento à programação.
O Trailer, você encontra aqui:
http://vimeo.com/3777465

sexta-feira, 16 de julho de 2010

O DEUS DAS PEQUENAS COISAS- CINEMA DE YASUJIRO OZU


Chega a ser lugar-comum dizer que se deve procurar beleza nas coisas simples da vida, dos livros de auto-ajuda às apresntadoras de programas femininos, todos concordam, no entanto pouca gente realmente leva a cabo e, menos ainda são aqueles transformam isso em arte, talvez porque isso não seja assim tão...simples.
O cineasta Yazujiro Ozu é um dos poucos que conseguiu tirar beleza e encantamento dos fatos mais triviais da vida, aqueles do íntimo do cotidiano familiar. A rigor seus filmes (feitos na maioria entre os anos 1930 e 60) versam “na verdade sobre um único tema, a dissolução da família tradicional japonesa” como diz Richard Beardsword, em seu A Hudred Years of Japanese Cinema” (Koadansha), no entanto engana-se quem pensa que eles são desprovidos de interesse a um ocidental do século 21. A poesia, a beleza toca fundo em qualquer um, ainda que passe despercebido algumas obeservações sobre a abertura da sociedade japonesa de seu tempo;são comuns os closes em garrafas de whiky, placas com propagandas da coca cola, ou estabelecimentos com nomes estrangeiros(como o “Balboa Tea and Cofee”).


Mas Ozu é ainda mais do que retratista do encanto das coisas triviais, ele é um dos primeiros a enxergar criticamente o cinema clássico norte-americano(que ele tanto admirava e de que absorvia tantas lições). Para ele, não deveria haver ligação emocional do espectador com os personagens afinal o mundo já é pleno de significados para que o cinema faça recortes (no tempo e no espaço- a edição) e transformações a fim de dar-lhe um significado único. Afinal o cinema americano era(e é) assim, ele diz alguma coisa com a imagem da qual não devemos duvidar, ou mesmo entender nada por nossa conta. Assim, sentimentos são padronizados e universalizados. Ozu utiliza planos longos, foge do fade out, busca a ambigüidade das cenas para dialogar com o espectador ao invés de dar um sentido único, uma verdade pronta.
Um dos muitos artifícios daquilo que ficou conhecido como o “sistema Ozu” é o uso da câmera baixa, à altura de um homem sentado no tatame. Pode parecer bobagem, mas a câmera nessa posição, tira o rosto dos personagens do centro da tela. E o centro da tela, desde o Renascimento, corresponde ao ponto de fuga, ao lugar onde o olhar do espectador se dirige instintivamente e é lá onde se dá a identificação emocional, que Ozu rejeita. Porque,para ele, o verdadeiro sentimento está em nós, não naquilo que nos diz o cineasta.


A mostra "Emoção e Poesia: O cinema de Yasujiro Ozu" vai até 25 de julho no CCBB São Paulo.

Informações em



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O título da postagem é uma referência ao belíssimo livro da indiana Arundathi Roy

segunda-feira, 12 de julho de 2010

ACABOU A COPA. É HORA DE PENSAR EM 2014


A Copa acabou, o Brasil perdeu (ou melhor, a seleção brasileira perdeu) e é hora de pensarmos nos interesses políticos por detrás do esporte, que nada têm a ver com as ingênuas e infantis teorias conspiratórias (a recorrente história deque “o Brasil entregou o jogo”). O jogo agora é outro, é a Copa 2014, com que Ricardo Teixeira estava tão preocupado a ponto de delegar plenos poderes a Dunga, tão plenos que este acabou por expôr as entranhas da relação Rede Globo-CBF. Tem também a história do Morumbi, preterido em lugar da construção do tal Piritubão e a decisão ainda por vir da cidade que será sede da abertura dos jogos, decisão que não caberá à FIFA(como não coube o veto ao Morumbi), mas sim à vitória ou não do candidato de Aécio Neves em Minas ou à vitória ou não de Alckmin em São Paulo.

O Programa Ver TV, exibido pela TV Câmara em 09 de junho deste ano, teve como tema “O Poder mágico do futebol sobre a audiência” e tratou longamente sobre o monopólio de um canal de TV sobre transmissões esportivas(e no que isso influencia na qualidade da informação,como eu já apontei aqui) mas também tocou num tema mais contundente: a ausência completa de política esportiva no Brasil .
São dados internacionais: para cada dólar investido em esporte, retornam U$ 3,4 ao Estado na forma, por exemplo, de jovens mais sadios(que utilizam menos o sistema público de saúde). No Brasil, o problema não é exatamente a falta de dinheiro (vêm recursos, por exemplo, das loterias) mas sim a ausência absoluta de uma política esportiva, que seria capaz, por exemplo, de articular esse dinheiro junto a comunidades carentes. Para se ter uma idéia do absurdo atraso do Brasil, inexistem aqui cursos de Educação Física com viés comunitário. Pesa aí também o fato de no Brasil ainda se discutir se professor de Educação Física é de fato um educador, logo não utilizamos o potencial do esporte nem como ferramenta de educação nem como promotor de saúde.


Tem uma Copa batendo à nossa porta, os tubarões de sempre estão famintos pela construção de Estádios, mas pouco se fala no legado do evento(que será feito desses estádios todos?). É o momento oportuno para se discutir também, a criação de uma política esportiva que acabe com os criadouros que são,por exemplo, as categorias de base, com jovens amontoados em acomodações precárias, sem estudo e um empresário a espera que um deles desponte para um clube grande, fazendo valer seu investimento(que é mínimo, para lucro máximo).
Hoje , em comunidades carentes, quando muito se constrói uma quadra esportiva, sem estrutura nenhuma e nenhum educador, nenhum programa.



Existem ações isoladas, empreendidas principalmente por ex-atletas, como a Gol de Letra
http://www.goldeletra.org.br/ , de Raí e Leonardo, ou a Fundação Cafú http://www.fundacaocafu.org.br/. Devia servir de exemplo para o Estado mas até agora, que eu saiba,nem Dilma nem Serra tocaram no assunto.
O programa Ver TV está disponível para Download em 3 blocos:



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Caderno especial da Folha de São Paulo Copa 2010 de hoje traz uma série de questões sobre 2014, entre elas quem serão os responsáveis por administrar os 33 bilhões a serem gastos com o evento , se todas as obras necessárias estarão concluídas até lá(tudo leva a crer que não) e anunciado caos aéreo. Dado interessante exposto lá é da consultoria Crowe Howarth de que pelo menos cinco dos nove estádios públicos(Brasília,Recife,Manaus,Natal e Cuiabá) não serão sustentáveis após a Copa. Outro ponto é o conselho do ex-ministro da economia de Portugal (1996-97) e atualmente professor da Universidade Técnica de Lisboa, Augusto Mateus. Com base na experiência de Portugal em sediar uma Eurocopa, ele defende que é melhor reformar estádios do que construir novos.

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Assisti a reportagem no Fantástico(03/07) que mostrou uma adolescente que,a exemplo de outros jovens, se ofereceu aos traficantes para infiltrar celulares em presídios."Eu tinha o sonho de conhecer a cadeia", ela explicou.

Enquanto o governo não focar numa política cultural e numa política esportiva,enquanto não se apresentar ao jovem carente uma alternativa viável acessível e valorizada de vida vamos continuar reféns do mata-e-esfola dos Datenas da vida e a coisa vai continuar do jeito que está e os que pedem voto prometendo colocar a Rota na rua, pena de morte, “cadeia neles” e etc vão continuar felizes da vida, sempre conseguindo novos mandatos ou índices crescentes de audiência.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

O PEEPING TOM NOSSO DE CADA DIA




É sempre a mesma coisa. Algum crime ganha repercussão nacional e os programas policiais (e não só eles) desatam a falar sonbre aquilo por horas a fio, gritando, pedinco justiça(mas sem promover debate sobre as causas do crime ou ouvir quem possa apontar soluções) e repetindo as imagens da vítima ou do crime em sequencia nauseante.
Tudo que seja além de dar a notícia, que ultrapasse alguns minutos em noticiar um fato, é exploração. O que Datena e tantos outros fazem, ao repetir imagens de pessoas assassinadas, não é jornalismo e sim voyerismo doentil, é “torture porn. O termo é utilizado para designar filmes como O Albergue, de Eli Roth, e os da série Jogos Mortais em que o barato é curtir com o sofrimento alheio, sobre o qual a câmera se detém por um bom tempo. Verdadeiro tratado sobre essa relação erótica e perversa da imagem filmada com a dor é Peeping Tom, filme de Michael Powell que conta a história de um jovem mentalmente perturbado que só se excita sexualmente ao assassinar garotas ao mesmo tempo em que as filma(à sua câmera está presa uma lâmina) . O filme de 1962 arruinou a carreira de Powell, tornou-se maldito até sua redescoberta por cineastas cinéfilos como Martin Scorsese (quando virou pérola Cult) e servir de inspiração para o “Frenesi” de Alfred Hitchcock. A idéia de alguém (protagonista e espectador)se deliciar com a expressão de horror no rosto das vítimas pareceu, à época, doentia,mas, quem diria, hoje isso é quase um exercício diário.Sem, é claro, o humor negro e o tom ácido de Powell.

E A IMPRENSA TOMA PARTIDO...

A Folha tem apresentado cobertura abertamente pró-Serra, sem fazer discurso a favor do candidato, claro. Um exemplo: quando o PT foi multado por fazer propaganda antecipada, o caso virou manchete de capa. Aconteceu a mesma coisa ontem, desta vez com Serra(multa de R$ 5.000,00) no entanto a notícia ficou escondida na parte inferior da capa, ocupando o menor espaço disponível para este espaço. Foi o mesmo que aconteceu com as pesquisas eleitorais;quando IBOBE e Gallup deram Dilma na frente da corrida presidencial, a manchete ficou escondida, uma semana depois o DataFolha dá empate técnico (com ligeira vantagem para o tucano) e é manchete principal.
Já a TV Cultura, como seria de se esperar(mas não desejável) faz campanha:no anúncio para o programa Roda Viva, o primeiro de uma série em que são entrevistados os candidatos à presidência da República, anúncio nos jornais diziam “No Roda Viva , o primeiro na largada para a corrida presidencial”. Era Serra, claro, e o anúncio, em tese, fazia referência apenas ao fato dele ser o primeiro dos entrevistados.
Não se trata de teoria da conspiração contra os pobres petistas (como adoram dizer os militantes) porque a Rede Record, por exemplo,é pró-Lula. O presidente já esteve na inauguração da Record News e libera quantidade generosa de dinheiro em propaganda oficial no canais de Edir Macedo.
Cabe ao eleitor apenas abrir o olho aos interesses por trás da maneira de se dar uma notícia.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

“O ABRAÇO CORPORATIVO” É UM DOCUMENTÁRIO OBRIGATÓRIO


O documentário O Abraço corporativo, do diretor Ricardo Kauffman está em cartaz em apenas uma sala da grande São Paulo, mas deveria estar ao alcance de todos tamanha é a importância dos temas que trata.
A coisa é assim: Um ex-executivo, Ary itnem,decidiu abandonar seu emprego após ter sofrido um colapso e juntar-se à Confraria Britânica do Abraço Corporativo e pregar as benesses de abraçar os colegas de trabalho- alta da produtividade é uma delas. Itnem faz isso andando para lá e para cá na avenida Paulista, de terno e gravata, segurando uma placa onde pedia um abraço aos transeuntes. Virou vídeo no youtube, ele foi entrevistado pela Folha, CBN, e vários canais de TV, revistas e portais de internet e seiu vídeo circulou de maneira viral por e-mail.
Só que nem Item nem a tal Confraria existiam, eram criações do diretor. Aliás, Itnem (intepretado por um ator profissional) é um quase anagrama da palavra “mentira”. E como isso foi parar nos mais respeitados veículos de comunicação?Aí, como diz o outro, é que o bicho pega e gente como o Contardo Caligaris (psicanalista), Juca Kfoury (ESPN,Folha), Mauro Wilton de Souza(cientista social e professor ad USP) , Manuel Chaparro(pesquisador do jornalismo) eoutros tentam entender não só como isso aconteceu, mas também como funciona a relação da sociedade com a notícia.


O que está lá exposto (mais do que a “pegadinha” que enganou meio mundo na mídia) é a permeabilização do jornalismo pelo entretenimento (programas como Hoje em Dia, entre tantos outros, onde o que menos importa é a qualidade da notícia), a ficcionalização da realidade (não importa se algo é real, mas sim que pareça) e a banalização da notícia, motivada, entre outros tantos fatores, pela pressa em noticiar- é exemplar o caso lá mostrado de um grande portal que noticiara a queda de um avião na grande são Paulo, logo copiado por quase todos os outros portais noticiosos mas ,como depois se descobriu, não tinha avião nenhum na história e sim uma fábrica de colchões queimando. Onde há fumaça não há apenas fogo, mas todo um espetáculo. Aliás o espetáculo que encobre o fato explica a cobertura feita pela TV dos atentados públicos do PCC , caso bem lembrado pelo ex-governador Claudio Lembo, quando chegou a se exibir como “ao vivo” a imagem gravada de um ônibus em chamas e a coisa toda pareceu bem maior do que realmente foi.
É um documentário importantíssimo, indispensável e se algum dia sair em DVD(o que é bem improvável) deve fazer parte do acervo de todo mundo, afinal, pensar a mídia é um exercício diário.


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Dá para estender a reflexão para outras searas. Num dado momento, Ary Itnem é convidado a dar uma palestra em uma dessas conveções empresariais onde todo mundo se apresenta como um grande especialista numa coisa que só ele faz e sempre tem uma fórmula mágica para aumentar a tal da produtividade. Pois bem, Itnem vai lá, faz sua palestra, diz para o povo se abraçar, eles obedecem e ele acaba aplaudido por um público quase em êxtase. Contardo Calligaris, em entrevista, diz que nenhum boato se espalha a toa, ele tem de dizer algo àqueles em que nele acreditam e é isso que o ator e diretor fizeram: dizem algumas verdades (a distância criada pela comunicação eletrônica,a frieza crescente da sociedade) e isso encontra resposta em angústias de todos nós (o medo –paradoxal- da solidão é das mais contemporâneas) e pronto, está todo mundo fisgado. O que ele disser em seguida vai ser aceito com verdade incontestável. Ora, essa é a retórica não só desses executivos de palanque, mas também dos livros de auto-ajuda e de muitos tele-evangelistas.


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Dessa sociedade em que o que vale mais é a imagem do que o conteúdo eu tratei algumas postagens atrás, sobre o“caso” Carol Castro e ojornalismo com espetáculo, analisando a cobertura da Globo na Copa de 2006 .

Y- O ÚLTIMO HOMEM


Já saiu o segundo número de Y- O Último Homem, de Brian K. Vaughan (Panini, R$ 16,90), história de um ilusionista meio bobalhão que, após uma praga devastar todos espécimes do sexo masculino sobre a Terra(os portadores do cromossomo Y), se torna o tal último homem. Se nas mãos de um mestre do erótico como Milo Manara (Gullivera, Clic) isso daria numa orgia em escala planetária, aqui teremos, além do mistério que cerca a morte dos homens e animais machos(sobra apenas o macaco que o ajudava nos truques),mulheres querendo matar o pobre sobrevivente e uma série de cutucões na sociedade norte-americana. Por exemplo, boa parte dos transportes e da geração de energia está comprometida porque os cargos eram ocupados majoritariamente por homens. E surgem também todo tipo de rancor que evidencia a posição ainda secundária da mulher na sociedade. Sobra também, claro, para as feministas que, apesar de dizerem um bocado de verdades, se afundam no próprio radicalismo- mostrar o povo norte-americanos sendo capaz de ações fundamentalistas é um feito e tanto. Normalmente, na ficção, isso é sempre “privilégio” dos outros.
Se não fosse por tudo isso, só uma machadada que pega dispara o coração do leitor já valeria a compra da revista.
Pra quem estiver com medo de não entender porque não leu o primeiro número, não tem problema, há um resumo bem completo antes do início da história.

terça-feira, 29 de junho de 2010

O PAPEL DO JORNAL

A Folha de São Paulo se anuncia agora como o “jornal do futuro”. É um slogan batido, que já foi usado pelos mais diversos produtos principalmente nos anos 1980 ( tudo então era “do ano 2000”). Enfim, o “do futuro” no caso se refere na verdade à sempre propalada morte do papel, coisa que se anuncia também repetidamente, desde pelo menos a década de 1970 (houve então uma crise real do papel, econômica mesmo) e que,no entanto, é sempre prorrogada. Me lembro de um ridículo “jornal do fax” que teve vida curta e tumultuada aqui mesmo, no Brasil, antes da popularização do e-mail.
O tal futuro ao qual a Folha se anuncia é o do jornal pós-notícia que é, no fim das contas, o panorama atual. E a culpa (pelo manos a maior parte dela) não é do jornalismo pela internet, que tiraria o interesse pela compra do jornal, mas sim das redes sociais que estão cada vez mais ágeis, principalmente o Twitter e da comunicação instantânea via celulares e outros aparelhos móveis . Em termos de velocidade da notícia a internet nunca foi substancialmente mais rápida do que,por exemplo, o rádio. O jornal sempre ficou para trás, mas ainda assim era a fonte de informação quase indispesável – foi decaindo o interesse por ele na medida em que decaía o interesse pela leitura de forma geral, mas isso é outra coisa. Os donos de jornais até demoraram a perceber que uma notícia de capa como “Terremoto devasta Chile” chega hoje envelhecida demais, não só devido à velocidade com que se recebe informação hoje, mas à saturação dela. O diferencial da informação escrita (que permitia reflexão e podia ser feita não na hora da exibição pela TV ou rádio, mas na hora do leitor) como privilégio do jornal acabou, uma vez que o acesso a internet é cada vez mais rápido e fácil. Mas não é só isso.
A notícia de que uma cineasta brasileira estava no navio da missão humanitária atacado pelos soldado israelenses chegou primeiro a uma professora da USP, que ficou sabendo via Twitter. Foi assim também com a repressão violenta do governo iraniano aos protestos durante as eleições no Irã e ocorre com frequência no mundo esportivo, onde os jornalistas, todos eles, já foram alguma vez furados pelas próprias fontes.
Qual o papel do jornal, hoje? Para a Folha, é interpretar a notícia, por isso o batalhão de colunistas contratados. E também seguir na onda da internet, trazendo textos exageradamente mais enxutos e objetivos.
Se é isso mesmo, só o futuro dirá.

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O Estadão passou também por uma reforma gráfica recentemente mas não reduziu o texto como a Folha. As mesmas matérias (especialmente no Caderno 2 deles, em comparação coma Ilustrada) tem abordagem mais aprofundada, exatamente porque a fonte do texto é menor e a quantidade de caracteres, menor. Pode parecer mais “chato”, menos “clean” do que a Folha, mas é mais jornal.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

CALA A BOCA, GLOBO ?- 2


A chiadeira da Globo com as grosserias do ténico Dunga rendeu menos do que a emissora deveria estar esperando, ou, dito de outra forma, decepcionou tanto quanto o Fantástico vem decepcionando no IBOPE. E se o jornalista Tadeu Shmidt e a equipe do Fantástico se ofenderam tanto com os "palavrões" que Dunga dirigiu ao repórter Alex Escobar (o mais feio deles era "cagão") não custa nada lembrar de 2006 porque a história está se repetindo omo farsa. Então, como agora, os reais interesses não eram declarados. À Globo interessava exclusividade total, em troca de uma cobertura ufanista. A bebedeira e o entra-e-sai de mulheres na concentração, a desunião do grupo (como se comentou depois da derrota) eram oultados do público que, tendo uma única fonte de informação, achava que tudo ia às mil maravilhas e e ficou pasmo com a derrota vergonhosa para a França. Hoje a Globo tentou, mas não conseguiu exclusiva nenhuma e quando insistiu, ouviu uns palavrões, fez editorial no Fantástico, mas não disse que a bronca de Dunga era pela pressão por entrevistas exclusivas. Ao telespectador,meias verdades novamente.

Lá em 2006, enquanto a baderna rolava solta, éramos obrigados a engolir no Fantástico, clipes com vergonhosos "poemas" de Pedro Bial sobre imagens dos jogos, enaltecendo nossos jogadores e, principalmente o técnico Carlos Alberto Parreira (que a Globo em sabia que já tinha perdido a autoridade om os jogadores mais farristas, como o trio de Rs, Ronaldo, Roberto Carlos e Ronaldinho). Bem, foi só a derrota chegar e o torcedor se indignar, se perceber enganado, que trataram de pinchar a culpa em Parreira, de desmoralizá-lo. E omo fizeram isso? Com o expediente canalha de fazer leitura labial em Parreira, "revelando" os palavrões que ele dizia à beira do campo, supostos sinais de seu descontrole e incapacidade.

Pois bem, agora a Globo está aprendendo que certas coisas não se atira no ventilador...

terça-feira, 22 de junho de 2010

CALA A BOCA, GLOBO ?


Todo mundo está falando da bronca de Dunga com o repórter Alex Escobar, da Globo, que motivou um editorial de Tadeu Schmidt no Fantástico, em repúdio ao comportamento do técnico e, logo em seguida, o CALA BOCA TADEU SCHMIDT chegou aos trend topics do Twitter 9superando o fenômeno Cala a boca Galvão).
Reportagem do UOL (
http://copadomundo.uol.com.br/2010/ultimas-noticias/2010/06/22/globo-negociou-entrevistas-com-ricardo-teixeira-mas-dunga-vetou.jhtm trouxe à luz hoje o real motivo da confusão que nada mais do que aquilo que eu já havia adiantado na postagem anterior deste blog. A Globo havia negociado com o presidente da CBF entrevista exclusiva com os jogadores e Dunga vetou. Dunga se mostra cada vez mais um Frankenstein, uma criatura que saiu do controle de seus criadores. Colocado lá para acabar com a farra que foi 2006, impediu regalias da Globo, como ter Fátima Bernardes curtindo um pagode com os atletas no ônibus da seleção. Dunga é agressivo além da conta e quem pagou o pato dessa vez foi Escobar, que nunca falou mal do técnico e é “ um doce de pessoa” como frisaram jornalistas da ESPN. Dunga briga com a imprensa, com a Globo (que é mais do que a imprensa, mas foi reduzida a ser só isso) e com a própria CBF e acumula inimigos com prazer.
Não há inocentes nessa história, salvo, talvez, Escobar, que entrou de gaiato.