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quinta-feira, 17 de maio de 2012

DE VOLTA AO BATENTE



Nos finalmentes da Segunda Guerra, quando a França finalmente se libertou do domínio nazista e o governo colaboracionista fora devidamente chutado, uma bizarra forma de acerto de contas tomou as ruas francesas;mulheres que havia tido algum tipo de relacionamento, amoroso, sexual, ou mesmo que foram identificadas como "simpáticas" aos soldados alemães foram levadas a público  tiveram seus cabelos raspados. Era uma forma de humilhação e também de deixar nelas a marca da traição, o que garantiria sua exclusão social e o deprezo geral.

Semana passada todos os jornais noticiaramn o caso de um traficante carioca puniu sua namorada por traição mandando seus cupinchas darem nela uma surra e rasparem seus cabelos.

Algumas semanas atrás o Pânico na TV,na busca alucinada po pontos percentuais de audiência, raspou ao vivo o cabelo de Babi Rossi, assistente de palco, como condição para que ela continuasse no programa sob os escrachos e risos de uma multidão acomodada em seu sofá.

PS. Cá estou, de volta ao batente, um pouco antes do previsto.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

OSCARITO+GRANDE OTELO=ARTE


Sexta-feira,21h, descobri, tem Sessão Cinemateca na TV Justiça. E o melhor, domingo, 18h30,reprisa. Assisti Aviso aos Navegantes, de Watson Macedo, com os gênios Oscarito e Grande Otelo.

Que vitalidade, que diferença do humor pré programado,a narrativa mastigada e as piadas telegrafadas das comédias da Globofilmes hoje em dia. Há em Aviso aos Navegantes inteligência nas imagens.

Oscarito é um clandestino no navio em que Otelo é cozinheiro. A cena em que este o descobre é sensacional; a câmera passeia por Otelo checando grandes caixas de alimentos. Na tampa de cada uma, a descrição, “arroz”,feijão”, etc. Na última,Giló”. Otelo pensa um pouco, abre a tampa e vê Oscarito lá escondido. Não precisa explicar nada e se entende tudo. Ali naquela caixa devia haver algo de primeira necessidade que ele jogou fora para poder se esconder e resolver dizer que havia jiló que,claro, ninguém no restaurante iria pedir. Só que,atrapalhado como é, escreveu com “g”.

É puro cinema, a arte de dizer com as imagens.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

VELOZES E FURIOSOS


Na TV uma reportagem sobre a morte do administrador Vitor Gurman, 24, atropelado na calçada por um jipe LandRover desgovernado num rua em que o limite de veloicidade era de 30Km por hora.
Intervalo comercial  e o anúncio do Hyunday Veloster com o carro disparando feito um foguete e a voz em off dizendo algum tipo de abstração como "pense em novas possibilidades". 

 Seria ridículo se não fosse trágico.  Ridículo porque  associar carro e liberdade(daí a apologia da velocidade) não é  só batido, é datado. É de um tempo em que quase ninguém tinha carro e uma viagem de São Paulo a Santos podia mesmo ser chamada de viagem.  Sem falar dos congestionamentos de hoje.

Mas é trágico porque todo anúncio de automóvel enfatiza a velocidade. Basta comparar. A indústria do tabaco foi proibida de patrocinar eventos  esportivos porque com isso associava seu produto a saúde. A indústria de alimentos prontos e as redes de lanchonetes hoje sofrem pressão para demonstrarem que seus produtos podem ser prejudiciais  à saúde e a reduzir as gorduras trans. O MacDonalds nos  EUA já inclui frutas e leite desnatado no seu menu de café da manhã e mesmo assim sofre pesadas críticas pela chantagem emocional que faz com as crianças ao oferecer brinquedos como brinde na compra de lanches.

A indústria de cerveja  está livre de quase tudo, com excessão do ridículo e insignificante "beba com moderação", dito em 0,3  segundo.

Já a automobilística continua no paraíso de Pinóquio, afirmando o que bem quiser (ainda que não tenha sentido algum) e sem assumir  nenhuma responsabilidade pela carnificina que é o trânsito hoje.
Para se ter uma idéia, entre 1998 e 2008 cresceu 32,4 % o número de jovens mortos em acidentes de trânsito.Nesse período a população total cresceu 26,5%.
De janeiro a março deste ano foram pagas 76.515 indenizações DPVAT a vítimas de acidentes de trânsito no Brasil. E o número é certamente maior se pensarmos que nem todas as vítimas dão entrada no DPVAT.
De 2009 a 2010 o número de indenizações por invalidez cresceu 23,5 %.

Não é interessante à gritaria dos Datenas da vida, mas não se engane, estes são números de guerra.  

sexta-feira, 29 de julho de 2011

#SANDYFAZANAL



Diz o filósofo Jean  Baudrillard (1929-2007- foto ) no fundamental "Simulacros e Similação" (1988):


Estamos num universo em que existe cada vez mais informação e  cada vez menos sentido(...)A perda de sentido está directamente ligada à acção dissolvente,dissuasiva,da informação,dos media e dos mass media(...)Pois onde pensamos  que a informação produz sentido,é o  posto do que  se verifica.A informação devora seus próprios conteúdos.Devora a comunicação e o social(...)Em vez de comunicar,esgota-se na encenação da comunicação. Em vez de produzir sentido, esgota-se na encenação do sentido.Gigantesco processo de simulação que é bem nosso conhecido.Hiper-realidade da comunicação e  do sentido.Mais real do que o real,  é assim que se anula o real
 O texto,deu pra perceber, foi tirado da edição portuguesa do livro.Os grifos  são do autor.
Dirreto ao ponto. No princípio, Sandy era cantora-mirim. Até anteontem era a namoradinha do Brasil, ou seja, a moça pra casar(virgem)comportada ao ponto de ser retrógrada. A caretice sonhada por 99% das mães para suas filhas. Casou com um bom-moço.
Meses atrás Sandy foi vista na platéia do UFC, torneio de MMA(artes marcias mistas, o antigo vale-tudo). Semanas  depois ela é  anunciada como  a nova garota propaganda  da cerveja Devassa, substituindo Paris Hylton. Mas Sandy, logo ela...devassa? A justificativa do marketeiro(cito de memória)"ela tem um lado que  as pessoas desconhecem, gosta de artes marciais, por exemplo".
Hoje, exatamente hoje, bomba na internet  frase dita por ela em entrevista  e que estampará  a capa da Playboy agosto: "É possível ter prazer anal". O trend topic, reproduzido no título dessa postagem, lidera no twitter.
Como se vê, trata-se da construção da imagem, da encenação do real. Não há informação alguma na frase, não há sentido , há somente simulação.  Qual é o conteúdo da embalagem Sandy?(afinal ela é um produto).  Nenhum. A rigor, ela se constrói (ou é construída) ao oportunismo do momento.  Esgotada a criança vem a boa-moça, esgotada esta, vem a devassa. E a reboque dos produtos que se pode vender com isso. Alguma dúvida de que as ações foram calculadas para moldar a cantora à imagem e  semelhança da cerveja? 

É como o caso da marca de chinelos Havaianas, que nunca mudou nada em sua substância(tem o mesmo modelo, é feita do mesmo material, serve para a mesma coisa)mas passou de produto "de feira" a produto "descolado" em um ou dois anos através de uma eficiente campanha de marketing. Que é a havaiana afinal?
Ok, Sandy agora faz anal. Mas que Sandy?

***
É sinal  dos tempos uma   cerveja manipular sua imagem quando o fundamental é seu conteúdo   (sabor). Que importa se o nome é Devassa, Engenheira ou Madre Tereza? Que diferença faz? Por que diabos alguém deveria escolher uma bebida por que ela associa sua   imagem a um conceito sem real significado? Mas é assim que funciona. A Devassa apenas deu um passo além nas estúpidas propágandas com gente malhada e de pouca roupa dançando, cantando e namorando na praia.
***
Não da para pensar esse século sem tentar entender Lady Gaga, a própria imagem sem substância, personagem sem ator que a preceda, crítica e ao mesmo tempo representação dessa sociedade do simulacro. Mas isso é outra história.

quarta-feira, 23 de março de 2011

NOVELA NÃO PRECISA SER BURRA


Quem acompanha este blog sabe que eu vivo resmungando contra as novelas. Pois bem, ontem paguei a  lingua ao assistir a algumas cenas do primeiro capítulo de Morde e Assopra.

Tem um núcleo de paleontologistas, do qual fazem parte Adriana Esteves(com visual meio Indiana Jones) e Bárbara Paz.
Adriana encontra um dinossauro numa fazenda ou sítio cujo dono é interpretado por Marcos  Pasquim o qual, já sabemos de antemão, formará par româtico com ela assim que superarem os tradicionais obstáculos que as  novelas impoem ao amor perfeito. Enfim, isso é o que menos importa. 
As  cenas que assiti  eram extremamente bem filmadas. O núcleo dos cientistas é  algo cômico (nesse sentido Bárbara Paz não estava ruim,  mas pareceu passar do ponto, fez um tipo com trejeitos demais, que destoava dos outros e mesmo dela própria outras cenas dela). Adriana Estevez foi perseguida por duas crianças que  a assustavam com um boi, na tentativa de botáa-la pra correr da fazenda. Ela tropeça e cai de cara num monte de esterco. Em primeiro plano vemos a cara dela toda suja e, bem ao fundo, desfocadas , as crianças com as mãos na cabeça certamente arrependidas. Cena visualmente bem construído e também muito engraçada.

Depois  vemos o grupo entrer num hotel de  luxo. Eles param na  porta, conversam um pouco e a câmmera faz um traveling acompanhando-os da escadaria até a  porrta. Lá, ela para e  nós vammos  aquele  salão ennorme, luxuoso e já antevemos a comédia que virá: aquela  gente emporcalhada tentando encontrar um quarto e recebendo olhares enviesados.
Há um outro núcleo, se bem entendi, ligado a inteligência artificial,robõs que parecem humanos (explico: assisti a novela sem som o que ressalta ainda mais a qualidade das imagens que falavam por si).

A novela em si traz um antogonismo interessante, que começa no título e se extende aos núcleos e opõe o mais ancestral (o dinossauro) ao mais adiante(os robôs), aquilo que é morto mas já teve vida(dinossauro) àquilo que está "morto" mas parece vivo(robô).

Enfim, esse texto bagunçado é só pra mostar que quando se dirige elogios a um filme e se ressalta esta ou aquela  qualidade ,muita gente torce o nariz, dizendo que é chatisse, que se deve levar como entretenimento e  pronto, mas não  é bem assim. Ser divertido não exclui um pensamento por detrás daquilo que se faz.
Morde e Assopra, pelo menos no primeiro capítulo, mostrou que não é  um amontoado de imagens vazias com muitos filmes que vemos por aí.

PS. Retorno ainda esta  semana com um breve complemento  ao texto sobre Rococó .Semana que vem, o  anúncio da próxima sessão do Cineclube Gambalaia.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

"A CÂMERA É UM OLHO MÓVEL..."

Aproveitando o gancho da última postagem, sobre edição e iluminação nas telenovelas, transcrevo aqui algumas palavras do mestre  Douglas Sirk tiradas do precioso documentário “Alguns dias com Douglas Sirk”, de Pascal Thomas e Dominique Rabourdin ,que acompanha o filme "Tudo que o Céu Permite" lançado pela Versátil Video.


“A câmera é um olho móvel que segue o ator. Sempre costumei,em planos móveisfazer as vezes de assistente de fotografia.para er de perto o foco e a qualidade da tomada. Trata-se de não perder os atores nem sua composição.Ela não pode ser mudada nessa hora. Filmes,para mim, são uma coisa ótica. A câmera é um olho em si. Você tem de gostar de quê? Da luz. Mas há certas regras. A primeira regra, penso, é estudar os rostos, a aparência geral da pessoa,do ator ou atriz(...)

Não basta iluminar a pessoa ou o rosto inundando o rosto de luz.Pode ser péssimo. Iluminar o rosto de frente achata o rosto,que perde suas melhores e mais interessantes características. Precisamos de sombras. Minha filosofia,em cinema, é a luz. Principalmente seu estilo, sua letra, seu toque é o que conta em um filme. Não é tanto a história em si mas seu estilo pessoal. Cinema, o lugar da linguagem assumido pela câmera,pela luz e pela montagem".

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

TELENOVELA 2

Me pergunto: que diabo de formação têm o diretores de novelas? Ou quem decide com as coisas são filmadas? Por que tudo tem que ser tão igual, tão sem personalidade, tão medíocre? Que a estrutura seja sempre a mesma, entende-se. Há de ter um amor impossível que se mostrará possível, algum invejoso querendo impedir o amor dos pombinhos e que se dará mal no final. E etc. Mas, no trato com a imagem? Caramba!

Numa cena intensa ,com diálogos entre dos personagens (no caso Ximenes e Daniel Boaventura) a cena foi filmada numa seqüência histérica de campo e contracampo, ou seja, ela diz algo, close nela, ele diz algo, close nele. Como se não bastasse o recurso primário, cada plano dura de 3 a 5 segundos! Um plano longo (aqueles de silêncio) dura,no máximo, 10 segundos !!! Não é de surpreender que as pessoas fiquem de estômago virado quando topem com um filme do Resnais ou do Antonioni. E o cinema nacional cada vez mais reproduz,tim tim por tim tim, todos os vícios da TV. As comédias, então, nem se fale, repetem o ritmo das gags, o tipo de humor, os enquadramentos,essa mediocridade toda.
Aí a pessoa vai ao cinema pra ver o mesmo que vê na televisão e acaba achando que cinema é isso aí e aquilo que não é,não presta.

Algum leitor pode até estar  me chamando de rabugento, de defender filmes “chatos”(não são nem um pouco chatos, só não entregam tudo mastigado), mas é bom lembrar que essa edição histérica da TV (que é também do cinema americano de hoje) destrói o trabalho do ator, câmera não tem tempo de se fixar nele. E o close, já se disse, é o investigar da alma humana. Numa novela na investiga nada, não se busca o que está por detrás do olhar do personagem. Aliás, nem se detém sobre este olhar.


***

A diretora da novela, uma das, tem sobrenome Saraceni. Será que  é parente do Paulo Cesar, do cinema novo ? Não tem um pingo do talenrto dele? Recebe instruções de filmar dessa maneira? Sei lá.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

TELENOVELA -1

Crime é uma qualidade que certos tipos de sociedade atribuem a determinadas práticas,em momentos precisos de sua história. A qual supõe o estabelecimento de leis. Ilegal ou criminoso é o que se desvia do padrão ditado por normas legais.Não há m sem o outro.E,como as leis variam de sociedade para sociedade mudam radicalmente com o tempo,por razões as mais diversas, também o crime varia”.

São palavras do antropólogo e ex- secretário estadual da segurança do Rio,  Luiz Eduardo Soares, em entrevista ao LeMonde Diplomatique de agosto do ano passado.



O criminoso é sempre punido ao final das telenovelas (exceção feita à histórica ValeTudo). Parte de sua punição é a execração pública, como acontece com a personagem de Mariana Ximenes em Passione. Execração frente aos outros personagens e também ao público, que sente quue a justiça foi feita e a punição, aplicada.

Ao final da Segunda Guerra, a humilhação pública foi prática imposta às mulheres francesas que haviam tido algum tipo de relacionamento com homens alemães durante o período da ocupação alemã na França. Seus cabelos eram totalmente raspados.

Também (por séculos) mulheres acusadas de bruxaria foram marcadas de diversas formas para que todos soubessem de seu “crime”. Também o foram os judeus pelos alemães. E por aí vai.

O que é considerado crime muda com o tempo, mas algumas práticas sociais persistem.



quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

SOBRE TROPA DE ELITE2 E VERA FISCHER

O trecho a seguir foi retirado da entrevista dada pela atriz Vera Fischer à coluna da jornalista Mônica Bergamo, na Folha de São Paulo do dia 13 deste mês. Fischer estava anunciando o lançamento de uma coleção de nada menos que dez romances de sua autoria.

Vera F. - Meus personagens não são nunca pobres, são sempre ricos(gargalhadas).

Coluna-Por que?

Vera- Porque eu não gosto,eu não sei escrever pra gente pobre.Eu detesto.

C-Os que você chama de pobres podem comprar seus livros.

V- Podem.Porque eles não custam caro. Eles vão se identificar e adorar. Coisa bonita é sempre melhor.

Tropa de Elite 2 jogou luz de maneira única sobre o quanto é ilusória essa idéia de que a violência nasce no morro, na favela.
Porque sempre se tratou de,seja no jornalismo como na ficção, de identificar o inimigo, o culpado pelos males e dar a ele uma feição clara: o preto da favela. Devidamente identificado, era fácil descobrir uma solução para a tal da violência: prender e jogar a chave fora,pena de morte, fazer uma prisão no meio da Amazônia e outras bobagens que o povo repete a torto e a direito por aí. Era pra isso que os ricaços no auto do Cristo redentor rezavam durante a invasão no morro do alemão, era pra isso que esses mesmos ricaços se vestiam de branco e saíam em passeata pelas ruas de Copacabana uns anos atrás por causa de algum desses crimes que causam comoção popular. Quando fala-se em violência remete-se diretamente ao traficante, ao negrinho armado com fuzil mas violência é um conceito amplo demais. Vera Fisher por exemplo, é a mais acabada personificação da violência social, de uma elite (vamos esquecer o ranço sidicalista que essa palavra ganhou), de um grupo de poder aquisitivo muito alto, que quer apenas viver a parte do “populacho”, ainda que às custas dele o que é o caso dela, que construiu sua carreira tanto em filmes como novelas de alcance extremamente popular.

Ou seja, qualquer identificação com a relação da Casa Grande com a Senzala não é mera coicidência. E a polícia, para essa elite, não é muito mais do que um Capitão do Mato. Só que o Capitão da vez, o Nascimento, mira agora sua fúria para seus patrões.


***
Penso  que até hoje não se reconhece a violência social pelo pouco empenho da ficção em deter-se sobre ela. É sem dúvida muito mais fácil lidar com o inimigo que, posto na cadeia ou morto com um tiro, resolve os problemas. A violência social é difusa, não pode ser atribuída a este ou aquele vilão. As novelas muitas vezes trazem um rico arrogante e malvado, mas fica claro que é aquele indivíduo em si que é daquele jeito, que nãooo expressa todo um pensamento de uma camada social, uma maneira de ver o mundo. E,vida de regra, ao final  ele é punido, colocando as coisas na ais santa paz. Paz que não existe nesta sociedade camuflamente violenta.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

VALE A PENA ASSISTIR AOS CANAIS UNIVERSITÁRIOS

É uma boa experiência assistir aos canais universitários da TV a cabo. Com produção modesta, mas muita criatividade, eles não raro dão banho em programas semelhantes dos canais tradicionais. O mal uso da câmera é um problema comum à TV Uniban e a TV UniABC, o pessoal parece que quer escapar do estilo tradicional e fica dando umas piruetas desnecessárias, quase nauseantes, filmando coisas à toa enquanto o entrevistado fala. Mas é o tipo de erro saudável, que acompanha essa vontade de fazer diferente- se bem que nauseante mesmo é aquele Detetives da História, do History Channel, mas ali é outra coisa, eles acham que documentário é hato e pra fazer ficar "legal" e "ágil" usam aquela edição histérica e aqueles zoons insuportáveis, que tem impedem de sequer refletir sobre o que está vendo. Bom, voltando aos canais Universitários, alguns programas são ruins, outros mais ou menos e outros muito bons, não importa, o que vale é que nenhum deles reproduz aquele modelo de TV cristalizado pela Globo e reproduzido servilmente por todos os outros canais. Já vi um bocado de matérias em telejornais falando da Estação da Luz , por exemplo. Em um minuto e meio contam a história toda e em cinco minutos nós já esquecemos do que vimos, porque a informação era rala, porque entrevistado nenhum fala por mais de trinta segundos, porque as imagens aparecem e somem muito rapidamente. Pois bem, vi um programa em que um historiador falava da origem dos lubes de futebol, de como a estrada de ferro influenciou a criação de muitos deles. Em seguida entrou uma matéria que falou da Estação da Luz sem um pingo de pressa,como o assunto pede.
É uma maneira diferente de lidar com o material jornalístico, não sem erros, mas com muita vontade e boas ideias.

quarta-feira, 31 de março de 2010

REFLEXÕES SOBRE ...O BBB???




Tenho certeza de que nunca dediquei mais do que 10 minutos do meu nada precioso tempo para assistir a nenhuma das onze edições do Big Brother afinal, o que poderia haver de interessante numa casa que reúne fortões e gostosas siliconadas disputando um prêmio milionário? As gostosas siliconadas podem ser vistas em qualquer outro horário,em qualuer outro programa...

No entanto a vidraça da mediocridade televisiva conseguiu, quem diria, tocar um ponto nevrálgio da sociedade brasileira: o preconceito. Nesse sentido, esteve atinado a seu tempo, num momento em que uma polêmica lei anti-homofobia está em discussão. omo a esta hora quialquer um (até mesmo eu) sabe, o lutador de vale-tudo(ou o que quer que o valha) Marcelo Dourado, ex-BBB e autor de frases como "homem não pega AIDS de mulher" foi o vencedor do 1 milhão de Reais (já descontados impostos). A insistência premiada de dourado em transformar homossexuais em criaturas disseminadoras de doenças revela a recepção da sociedade brasileiras a um discurso idêntico ao utilizado por Adolf Hitler para iniciar sua campanha de extermínio dos judeus.

Apesar de lamentável ( e de prestar um desserviço a toda campanha anti-AIDS), este BBB teve o mérito de trazer para a mídia em geral a discussão sobre a homofobia e de levar aos lares brasileiros a realidade da diversidade sexual (e os conflitos decorrentes) de uma maneira impossível a uma telenovela. A novela, aliás, já foi o espaço de disussão de temas importantes (lembremos de Roque Santeiro, ou de Vale Tudo- nada a ver com Dourado, apesar do nome). O homossexualismo hoje, numa novela, vem cercado de um conflito de araque, de um romance falso -bom, até mesmo o omance hétero é falso. No BBB veio com lingua rasgada, ofensas, ambiguidade. Lá, valeu tudo.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

FILMEFOBIA


Em “FilmeFobia”, de Kiko Goifman, exibido pelo Canal Brasil anteontem e que terá reprise neste sábado às 23h, o crítico Jean-Claude Bernadet é perguntado se um fóbico falso(um ator) poderia produzir uma fobia verdadeira ao que ele responde “claro, a verdade está na imagem”. A pergunta pode parecer tola, afinal é disso (a verossimilhança) que vive o cinema desde D.W. Griffith no início do século 20.
No entanto FilmeFobia é daquela espécie inclassificável de documentário a que pertence também "Jogo de Cena" de Eduardo Coutinho. Cada um à sua maneira testam os limites do documentário – aquela idéia de que é possível “documentar” a realidade, entender um fenômeno e expô-lo ao público de maneira mais ou menos didática. Nesse sentido ele seria o oposto de ficção, por lidar diretamente com a realidade(ou reconstituí-la – ou algo assim- como fazem os History Channel da vida). Ora, tanto em FilmeFobia quanto em Xxxx (mas mais neste último) a referência é o real, com convém ao documentário, é dele que se parte para pensar em que consiste (ou se existe) essa fronteira que o separa do ficcional. No filme de Goifman(que na verdade tem Bernadet como mentor) pessoas com fobias são expostas a seus maiores temores. Ainda que existam especialistas explicando as possíveis origens das fobias (e as diferenças entre os termos fobia, medo e angústia) o foco está na imagem produzida, tanto é que Bernadet chama de “fracasso” um sujeito que, com medo de palhaços, apesar de traumatizado com a experiência, não tenha externado nada diante da câmera. A imagem, naquele caso, não tinha “verdade”, era vazia, estéril.
Falei deste filme como mero pretexto para retornar à discussão da imagem telejornalística. O jornalismo lida com fatos, por isso a câmera está lá para documentar o fato, para “provar” que aquilo existiu. Pois bem, ela pode até atestar a realidade(e isso é tema para outra postagem), mas quanto existe de verdade nela ? Quem quiser retorne ao que escrevi sobre a cobertura dos canais de TV sobre as tragédias causadas pela chuva e tire sua própria conclusão. Mas antes, se possível, assista a FilmeFobia.


terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

O TRISTE FIM DO PEGADOR


Anteontem (31/01) o programa “Domingo Legal” do SBT, comandado por Celso Portiolli, teve seu dia de “Pânico na TV” ao trazer ao palco o jovem Rodrigo Ferraz, “famoso” por seus vídeos no YouTube em que aparece exibindo os músculos, dançando e se dizendo “pegador” de mulheres. Os vídeos , que também foram exibidos, são de um ridículo a toda prova, com Rodrigo “ensinando” o internauta a ficar musculoso com exercícios que mais parecem a tal nova febre baiana, a dança do rebolation bem como executando uma performance bizarra em que faz seu peitoral anormalmente grande tremer como se estivesse sob eletrochoques. Isso sem contar o “rap” absurdo que ele canta enquanto az tudo isso.
Pois bem, no palco o que era estranho ficou pior pois deu para ver claramente que o rapaz não só colocou um implante de silicone no peito como também uma monstruosa prótese no trapézio(o músculo logo acima dos ombros).Num coquetel surreal de fazer inveja a Salvador Dalí ,André Breton e Luis Buñuel juntos, Rodrigo chegou com panca de galã, mexendo com as meninas do auditório e sob a justificativa de que ia explicar uma notícia de um site que dava conta de que ele tinha morrido(?!), como afirmava também um outro vídeo, suposta homenagem póstuma feita por colegas. “Eu não morri, eu estou aqui” foi a que se resumiu a explicação de Rodrigo. O que se seguiu foi um linchamento, com Portiolli dando oportunidade de Rodrigo se expôr mais e mais ao ridículo, como cantar um rap para o qual ele provavelmente não foi avisado que cantaria. Ao tentar o Freestyle(rima improvisada), ele ficou várias vezes calado, com a música tocando.
Ora, não é preciso ter nenhum conhecimento de psicanálise para saber que este rapaz sofre de alguma patologia séria. Pela maneira como deformou seu corpo na busca de um ideal de virilidade e beleza, pela insistente e quase histérica auto-afirmação (a história “eu sou pegador”) bem como pela história de fingir a própria morte, arrisco dizer, aponta para uma pessoa com sérios problemas afetivos, sexuais ou que sofreu ou sofre de forte rejeição e que busca ,a todo custo, provar algo para si mesmo, talvez que ele é desejado e desejável.E, nessas, se destrói.
Rodrigo Ferraz é só um filho coxo e produto defeituoso da geração Orkut, que pode construir a imagem que quiser para si, da sociedade do marketing, que crê que mudando a embalagem não é necessário mudar o produto, do mundo do marketeiro, que faz com que acreditemos na mudança de uma pessoa através da transformação do visual ou do banho de loja (Wanessa Camargo é só o exemplo mais recente).
Um excelente tratado sobre isso é o filme “Falsa Loura”, de Carlos Raichembach, sobre o qual já escrevi bastante quando tive inclusive a felicidade de receber por aqui uma visita do ator João Bourbonnais.
Voltando a Rodrigo,é o caso de perguntar se, ao invés de fazer uma fanfarra para entregar uma casa de luxo, o SBT não estaria disposto a pagar um tratamento para o rapaz. Quer dizer, sem fazer disso um reality show.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

TV- BLOW-UP


O canal TCM tem renovado seu acervo de filmes e caprichado na programação. Hoje, por exemplo, às 22 h exibe o incontornável Blow-Up- Depois daquele Beijo (1966 – 88 min.), de Michelangelo Antonioni. Filme chave da modernidade do cinema, Blow-Up dialoga tanto com as conquistas da nouvelle-vage quanto com uma obra prima (uma das) de Alfred Hitchcock, Janela Indiscreta, a fim de pensar o cinema, a imagem cinematográfica e seu contato com o público. A história em si é um thriller simples com um fotógrafo de moda que acredita ter acidentalmente, flagrado um crime com sua câmera. Mas é mais do que isso.
É esse pensamento, próprio dos anos 1960, que permite que existam filmes hoje como Hotel Atlântico, Abraços Partidos ou mesmo um diretor como Quentin Tarantino. Ou seja, é um pensar o cinema e levar o público a ter uma relação diferente com o filme que não apenas a de apreciar a história. Não há em Blow Up uma postura de quem tem fé no cinema como arte capaz de catar o real (volto a esse tema em breve), crença que nasce com a fotografia. Bem, mas isso Hitchcock já tinha feito em Vertigo e também em Janela Indiscreta. Quem assistiu lembra da cena da montagem das fotos (que foi recriada com muita inventividade primeiro em Blow Out- Um tiro na noite, de Brian de Palma e depois em Meu Tio Matou um Cara, do Jorge Furtado) . Lá a cada vez que se mexe na ordem das fotos tiradas pelo personagem de James Stewart enquanto bisbilhota o vizinho suspeito de matar a esposa cria histórias diferentes, possibilidades diferentes e, mais ainda, significados diferentes. Ou seja, uma hiostória existe a parir do momento em que se articula uma série de imagens. Elas, por si, não contém um significado fechado, correspondente da realidade.
Em Blow Up esta cena é recriada de outra maneira, o fotógrafo busca também na imagem a verdade para um crime, mas acredita tanto na foto como reprodução do real que passa a ampliá-la mais e mais em busca de algum detalhe revelador, que ele não encontra afinal, quando mais próximo da imagem, menor sua definição e maior a incerteza.
Se em Hitchcock a incerteza acaba em determinado momento em Blow-Up tudo é incerteza, desde o mistério da trama até as ações dos personagens e o tempo toma o lugar da ação, com personagens que vagueiam sem que isso necessariamente seja importante para op transcorrer da história. Antonioni faz isso para questionar a construção de um filme. Em qualquer manual de roteiro, dons muito bons aos muito ruins, recomenda-se não inserir nenhuma ação que não seja indispensável ao progresso da trama e nenhuma ação que não tenha um precedente. Ou seja, se um personagem demonstra ter uma habilidade surpreendente em determinado momento, essa habilidade deve ter sido explicada antes. De maneira semelhante, toda ação deve ter uma motivação, numa das convenções mais idiotas da dramaturgia, afinal, se tem algo que as pessoas são é incoerentes. Quantas vezes você já ouviu uma mãe dizer “eu pensei que conhecia meu filho” ou um marido dizer “e eu que pensei que conhecia essa desgraçada”. Ninguém no mundo age como uma molécula num tubo de ensaio, só mesmo no mundo do cinema. Por isso tudo, Blow Up é um filme estranho, de gosto amargo, principalmente para quem não é acostumado com a chamada modernidade do cinema (Goddart, Truffaut, Glauber Rocha, Nagisa Oshima, etc). Mas, principalmente para esses, é um desafio que deve ser encarado mas com isso em mente: um filme é uma mentira que se passa por verdade. Nada mais.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

FUTEBOL / ARTE

Foi dica do grande amigo e leitor assíduo(um dos quatro ou cinco que este blog tem) o site :
http://www.mundogump.com.br/pinturas-incriveis/ que traz pinturas hiper-realistas de artistas que eu desconheço.
Pausa.
Esta semana, durante o programa Jogo Aberto apresentado pela encantadora Renata Fan na Rede Bandeirantes, o comentarista e ex-jogador Neto disse, a propósito de um lance polêmico :"quem briga com a imagem é porque não tem inteligência". A patada foi dirigida o jornalista Ulisses Costa, que se recusava a reconhecer uma falta ou um impedimento(não me lembro bem) que Neto julgava estar evidente no videotape.
Bom, a esta hora os quatro ou cinco leitores devem estar pensando o que é que o ponto inal do reto tem a ver com as calças.
Explico.
No blog indicado pelo Daniel, o autor tece vários comentários que podem ser resumidos num só "parece fotografia" o que, para ele, é um elogio. Parecer uma fotografia de fato deixou de ser um elogio à arte desde,pelo menos, Cèzanne (ou até mesmo em Goya, dependendo do ponto de vista). Há uma série de questões aí, que envolvem o valor da "representação" nas artes visuais e que eu não vou expôr sob pena de tornar este blog ainda mais chato do que já é. Mas o que dá para dizer é que a questão de modo algum é essa, de se parecer fotografia, ou parecer real. Ou melhor, parecer real é só um meio de se chegar ao ponto que é este mesmo tocado pelo Neto;"quem briga com a imagem é porque não tem inteligência". Muito pelo contrário, nos dizem estes artistas (mas o blogueiro lá não entendeu isto), essa imagem perfeita não é real. Não faz sentido ter um arte meramente imitativa num mundo que já tem a manipulação das imagens ao alcance de qualquer um com um photoshop em casa. Mesmo antes disso a ambiguidade da imagem já era a questão do cinema desde pelo menos os anos 50. A imagem induz sim ao erro, ela é, afinal, só uma casca. Um signo (ou ícone pra ser mais preciso) de algo que existiu ou aconteceu. Essa relação da semelhança e orrespondência entre a imagem e o real , entre o íone e o referente(ou a impossibilidade de se estabelecer tal correlação) também já ferveu uma ciência como a semiótica. Quem assistiu Vertigo-Um corpo que caiu, de Alfred Hitchcock vai ver como o mestre inglês já trabalhava esta questão.
Já falei um bom tanto aqui do hiper-realismo. Mas não custa frisar o quanto a imagem é portadora de dúvida. Não fosse isso, eles não passariam duas horas por dia discutindo se foi pênalti ou não, se tinha impedimento ou não.
E isso quem me ensinou não oi nenhum boleiro, mas um crítico de cinema, o Inácio Araújo. Golaço.
!!!
Não oi uma crítica ao ótimo comentarista que é o Neto. Mas ainda é uma crença bastante arraigada de que a imagem é portadora da verdade e é disso que vive o jornalismo. Um foto ou filmagem é o que "prova" que algo teria acontecido. Todo mundo sabe o quanto de erro isso já provocou.
As imagens via internet então nem se fala. Nunca se sabe se são reais ou não. Sobre isso, quem talvez melhor tratou a questão foi George Romero e seu Diário do Mortos, de 2008, onde as notícias sobre mortos vivos se espalham pela internet e pela Tv mas por vários motivos(principalmente credibilidade), todas são alvo de descrença.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

MAIS TWITTER, MAIS XUXA ! SASHA PACIÊNCIA!




Essa tira (clique para ampliar) veio do excelente site Quadrinhos Gonzo http://quadrinhosgonzo.wordpress.com/ , da jornalista e quadrinhista Jussara Nunes e satiriza a saia justa de uma assessora de imprensa explicando o caso do twitter da Rainha dos Baixinhos a um repórter. Volto em breve a falar deste site. Mas o caso teve desdobramentos. Na última terça-feira (dia 1º) Xuxa foi fotografada pela Revista Quem passeando com um cãozinho num shopping center de luxo do Rio de Janeiro. Solícita, aceitou até posar para foto ao lado de um fã. Trabalho de bombeiro da assessoria de imprensa, que deve ter passado por apuros semelhantes aos satirizados nessa tirinha para livrar a apresentadora da imagem de burra e antipática que lhe ficou colada.






O caderno Folha Informática de ontem apresentou uma tendência representada por sites como o Tweetfeel http://www.tweetfeel.com/ que filtram as opiniões emitidas no Twitter e as classificam como positivas ou negativas. É um passo largo rumo à identificação de emoções dos usuários. O que se faz com isso? Basicamente o que fez a assessoria de Xuxa, que é possibilitar seu cliente a dar a volta por cima de uma situação adversa. Ou focar-se mais naquilo que é elogiado. Será uma festa para os marketeiros de políticos., por exemplo. No cinema uma coisa será certa, com um conheimento infinitamente mais apurado do gosto das massas, os diretores terão cada vez menos liberdade. Quem financia uma obra de centenas de milhões de dólares nuna quis correr riscos e terá a seu serviço exatamente aquilo de que se agradam as grandes platéias. Pra que mudar, pra que arriscar ? Ou seja, veremos ainda mais filmes rendidos
às mesmas fórmulas prontas, feitas à medida para agradarem adolescentes. A opinião abobalhada do garoto de que eu falei na postagem anterior terá um peso muito maior na hora, por exemplo, de se financiar um filme de terror de Sam Raimi (hipoteticamente falando). Se você acha que é infernal entrar num Cinemark hoje é porque não sabe o que te espera amanhã. Transformers vai ser fichinha...






Pois é, os blogs, os sites de relacionamento e o Twitter permitiram que muita gente possa expressar sua opinião. Mas, no final, a coisa é como num tribunal: o que você disser poderá ser usado contra você.




Quem aguentar a Quem pode ir em http://revistaquem.globo.com/Revista/Quem/0,,EMI90998-9531,00-XUXA+PASSEIA+EM+SHOPPING+E+E+ASSEDIADA.html e curtir um ótimo exemplo de jornalismo a serviço de uma Assessoria de Imprensa. E dá-lhe elogios à Rainha...

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

O TWITTER DA XUXA

Um dos assuntos mais comentados essa semana pelos usuários do Twitter foi o bate-boca da apresentadora Xuxa com os seguidores do seu microblog. Tudo começou quando ela digitou sua primeira mensagem toda em caixa alta (letras maiúsculas) o que, para quem usa o site (ou até para quem te e-mail) equivale a dizer alto gritando. Xuxa se desculpou, mas o emenda saiu pior do que o soneto, porque escreveu “OUTRA COISA , NÃO FIQUEM TRISTE POR EU NÃO RESPONDER TUDO EU FICO DOIDINHA , VOU APRENDER AOS POUCOS TÁ”. Logo em seguida, outro motivo de estresse; Sasha postou uma mensagem em que escrevia “cena”com “s” (sena). Ante a esculhambação geral e as respostas agressivas, Xuxa justificou dizendo que a filha, de 11 anos, havia sido alfabetizada em inglês. E desabafou, em caixa baixa, mas sem vírgula: “fui vcs não merecem falar comigo nem com meu anjo”.
!!!

Xuxa é nossa versão nacional de Michael Jackson; quanto mais envelhece, mais age como criança. A diferença (além do fato de que ela ainda não morreu),fica por conta do talento gigante do americano, frente à inexplicável empatia da ex-modelo com o público televisivo. Mas ela parece ter mergulhado tão fundo nessa fantasia de “rainha dos baixinhos” que age como se vivesse num mundo de conto de fadas. Só isso explica tamanha ingenuidade no uso do Twitter. Xuxa, isolada primeiro pelos altos muros de sua mansão, depois por seus seguranças e por fim pela trincheira inexpugnável da imagem fantasiosa da TV (a mesma fantasia que tentaram vestir, até agora sem sucesso, em Carlinhos) achou que realmente tinha “seguidores” num sentido de devoção e por isso se espantou tanto com areação negativa às suas postagens, ou à péssima alfabetização da anglófona filhota. Uma coisa é se relacionar com pessoas que estão numa platéia de um programa de auditório, outra é lidar com elas sem mediadores, como é o caso do Twitter. A Rainha sentiu brevemente um gostinho de bastilha e talvez seus cabelos tenham ficado ainda mais descoloridos. Mas ela ainda conta com sua guarda real, a imprensa de celebridades. A revista "Quem" (que como a Caras e a Contigo, faz de tudo pra injetar sangue azul em qualquer BBB) minimizou e disse que o problema se deveu a pequenos erros de português na postagens. Ah, ta.
!!!

Xuxa e sua filha demonstraram um domínio precário da língua portuguesa. Mas, ao mesmo tempo, vale lembrar o quanto isso é um problema quase epidêmico. No trajeto que o trem faz de Rio Grande da Serra até a Estação da Luz, lá pela altura da Mooca, pode se ler uma pixação que diz : “A panela esta formada”. O acento agudo de está não está lá. No sentido inverso, perto de Santo André, escreveram “Mauá”, sem acento mesmo, demonstrando que não sabia escrever o nome da cidade onde provavelmente morava. Em outro lugar, na rua, vejo uma estranha “O silêncio dos inocetes”. Não, ele não escreveu errado sem querer, assim como Xuxa também não e nem Sasha.
Em fóruns de discussão vejo pessoas que debatem, em termos técnicos complicadíssimos,
a montagem de um Home Theater de R$11 mil, mas com erros tão primários na escrita quanto os dos pixadores que eu mencionei acima. Já a maneira mais fácil e segura de identificar vírus que finge ser uma mensagem de banco solicitando recadastramento da conta é justamente encontrar erros grosseiros de portugês no corpo do e-mail. Ou seja, uma pessoa que é capaz de criar um programa que esvazia sua conta bancária não sabe escrever corretamente ! Num blog, não me lembro qual, alguém irritado com uma pessoa que criticava justamente a má escrita nos outros comentários, respondeu dizendo algo como “você que vá então pra academia brasileira de letras”. Ou seja, escrever de maneira minimamente correta é coisa de outro mundo, portanto perfeitamente dispensável. Os incomodados que se mudem.
Qual a razão disso? Eu bem que gostaria de saber. Mas escrever sem erros grosseiros (e este blog está cheio de erros de diversos calibres), mantendo um mínimo de concordância não é exibicionismo. Esse pouco domínio da língua que vemos tanto em gente muito pobre quanto nos mais ricos cria uma dificuldade de comunicação, uma fragilidade na hora de se expressar. E isso não é bom para ninguém.


segunda-feira, 24 de agosto de 2009

CARLINHOS: DO REALITY SHOW À NOVELA


A esta altura qualquer um, mesmo que não seja fã de reality shows ou não tenha visto um dia sequer de A Fazenda, na Rede Record, sabe que de lá saiu consagrado(embora perdedor) Carlinhos, humorista que interpretava o personagem Mendigo no programa Pânico na TV, antes de ser contratado pela emissora de Edir Macedo.
Programa após programa exploraram seu passado de menino de rua, os anos longe da família e a volta por cima em sua nova profissão. Até um encontro ao vivo com a mãe (negligente e violenta )que ele não via há anos foi providenciado, bem como imagens do pai (ironicamente mendigando). Este só não apareceu também porque fora levado pelo veículo de uma outra emissora, também faminta por um naco de audiência que a tragédia pessoal do humorista podia render. Do Hoje em Dia, pendurado uma passarela suspensa a 45 metros de altura, ao Geraldo Brasil, onde sua popularidade elevava os números da audiência, Carlinhos protagonizou cenas do dramalhão mais rasgado. Geraldo Luis, que em outros tempos chegou a sacudir uma boneca através de uma tela rasgada para ilustrar o assassinato da menina Isabella Nardoni e a enviar seus repórteres para encontrar casas assombradas, extra terrestres no interior de São Paulo ou animais falantes, agora agradecia o décimo abraço dado por dona Maria de Lurdes do Nascimento, no filho Carlinhos com um possante “obrigado meu Deus!”.
Bom, isso tudo é uma novela já vista inúmeras vezes, em diferentes circunstâncias, apenas com diferentes protagonistas. Só que agora o alvo não é bobo (como Carlinhos se referira ao paspalho Dado Dollabela, ainda dentro do reality), ele questiona um programa em que pessoas se expõem por dinheiro, em que fazem caras e bocas a fim de enganar o público, em que imagens são editadas e apresentadas como “realidade”. Mas, mais do que isso, ele se recusa a ceder ao sentimentalismo de novela mexicana e afirma que não quer vínculo nem convivência com os pais. Fica a pergunta: será isso suficiente para manter sua integridade(no sentido de se manter inteiro mesmo) quando se está até na capa da Contigo? Programas como este e revistas desse tipo viver de criar personagens, de simplificações, de mostrar a realidade em termos quase infantis como bom, mau, chato ou legal.Ou seja, transforma a vida em um enredo de novela. Carlinhos agora é o rapaz sofrido que deu a volta por cima, o moço de bom coração que não cedeu à drogas ou ao crime, aquele que fia com a mocinha no final.
O que será dele, criador de personagens, agora que sua vida foi mexida, remexida e reinterpretada pelos TV Fama Brasil afora e ,ele mesmo, tornado personagem? O que será de seu humor, cujo mérito estava em expor ao ridículo essa máquina de moer carne humana que é a indústria das celebridades?

segunda-feira, 15 de junho de 2009

TV- FALSA LOURA


Se houvesse uma disputa oficial de segundo melhor filme brasileiro de 2008 ela seria acirradíssima e Falsa Loura, de Carlos Reichenbach, que o Canal Brasil exibe hoje, às 22h00, certamente estaria no páreo, junto de Cleópatra, de Julio Bressane e Encarnação do Demônio do Mojica. Isso ficou claro nas várias listas dos melhores e nas mostras retrospectivas (Cinesesc, Reserva Cultural, etc).
O melhor, incontestavelmente, foi Serras da Desordem, de Andrea Tonacci o que não diminui em nada a qualidade dos outros.
De todos esses,Falsa Loura é o mais acessível,mais palatável ao público, ainda que guarde uma certa dose de estranheza característica do cinema de Reichenbach(como a intromissão da leitura de textos clássicos, completamente descolados da narrativa).
Falsa Loura é um filme que expõe a atual sociedade onde uma espécie de manipulação publicitária da imagem tomou conta das relações pessoais, há e onde quem melhor manipula sua aparência exerce poder sobre os demais. Ou seja, um vício da política que se aplica à vida comum. Todos personagens, num certo grau, manipulam suas imagens a fim de construírem uma identidade .

É para melhor trabalhar essa idéia de manipulação da imagem que o diretor acumula diversos níveis de imagens construídas, a começar pela presença no elenco apresentadores que se travestem,como Léo Áquila e Mama Bruscheta, ou ainda de Suzana Alves, a ex-Tiazinha. Maurício Mattar usa outro nome, mas faz na verdade papel dele mesmo, ou de todos cantores românticos, com Fábio Jr ou Leonardo .
Personagens cujas aparências remetem imediatamente a um “arquétipo” cinematográfico forçam nosso juízo de valor ,melhor dizendo, é pela vestimenta e aparência deles que deduzimos seus passados ou ações meramente insinuadas. Para não estragar nada, resta só dizer que imediatamente “reconhecemos” um bandido e um gângster assim que os vemos em tela. Reichenbach coloca aí uma questão de maneira bem sutil por que sabe o que é que pensaremos, induzidos que somos pela imagem a que o cinema sempre recorre.Mas nos dá uma oportunidade de questioná-la. E há a construção da imagem dos próprios personagens durante a trama,que, aliás,dá nome ao filme; Silmara não é loura e isso terá um peso terrível para ela em dado momento.

No início, nos parece que tudo se trata de mais uma daquelas versões da gata borralheira, com a jovem operária Silmara (Rosane Mulholland), a falsa loura do título, transformando sua colega de trabalho Biducha (Djin Sganzerla), de “bruxinha”(esse é o apelido) numa mulher sedutora capaz de conquistar o homem que deseja, com direito até à manjada seqüência do “banho de loja” em ritmo de videoclipe, típico de comédia romântica. É o que prega, aliás, a sociedade de consumo: ao fazer uma operação plástica, usar a roupa adequada ou assumir a “postura” correta (e isso remete à chamada auto-ajuda) pode-se conquistar seus sonhos. O interesse constitui no desenrolar da trama, que, aliás, por si só daria um filme.
Silmara, já experimentada na construção de sua imagem, é quem “constrói” Biducha e ,portanto, manipula sua vida, exerce influência, poder. Seu pai,no entanto, ex- presidiário e com o rosto marcado por uma cicatriz, é vítima de sua aparência. O irmão de Silmara (Léo Áquila) é um travesti , ser de dupla identidade, manipulando-a a bel prazer e que por isso tem desenvoltura plena em dois mundos, masculino e feminino.

Há o salão de baile , o local onde se abandonam as vestes da firma e se apresentam essas novas imagens, maquiadas, construídas com o banho de loja e é também onde Silmara entrará em contato com o mundo da Imagem por excelência, o palco. É lá que conhece e encanta o rock star Bruno de André (Cauã Reymond). Se na fábrica ou na pista de dança Silmara tinha desenvoltura invejável, aqui ela se encanta pela imagem do astro pop (rebeldia, liberdade, sexualidade) e se deixará seduzir. Será ,portanto, manipulada por ele. É significativo o momento em que retorna à fabrica e diz em alto e bom som para as amigas que ele é o homem mais gentil, sexy e bem dotado do planeta, por que sabe que é isso que as colegas querem ouvir.
Silmara irá além. Decepcionada com o roqueiro, ela parte em busca não mais do mito sexual, mas do mito romântico (e o amor se presta a muito mais falsificações do que o sexo) e é quando irá parar nos braços de um ídolo da música romântica, interpretando(?) por Maurício Mattar. Surge aí um daqueles momentos de estranheza dos filmes de Reichenbach, pois irrompe um clipe romântico brega do qual Silmara participa. Se fosse preciso uma “explicação”, poderia se dizer que o diretor compartilha conosco o modo como ela enxerga o acontecimento.


Quando estiver despida de toda maquiagem, de toda postura artificialmente assumida, é que Silmara mostra que não é loura de fato. Completamente entregue, dominada e manipulada, terá seu rosto “ deformado”, “marcado” (quase como seu pai), numa inversão da típica cena de mulher vitoriosa(comum no cinema e na publicidade), que anda em direção à câmera e contra o vento . Não haverá então mais nada a dizer.
Falsa Loura tem reprise dia 20/06 às 23:00 no Canal Brasil