quinta-feira, 17 de maio de 2012
DE VOLTA AO BATENTE
Nos finalmentes da Segunda Guerra, quando a França finalmente se libertou do domínio nazista e o governo colaboracionista fora devidamente chutado, uma bizarra forma de acerto de contas tomou as ruas francesas;mulheres que havia tido algum tipo de relacionamento, amoroso, sexual, ou mesmo que foram identificadas como "simpáticas" aos soldados alemães foram levadas a público tiveram seus cabelos raspados. Era uma forma de humilhação e também de deixar nelas a marca da traição, o que garantiria sua exclusão social e o deprezo geral.
Semana passada todos os jornais noticiaramn o caso de um traficante carioca puniu sua namorada por traição mandando seus cupinchas darem nela uma surra e rasparem seus cabelos.
Algumas semanas atrás o Pânico na TV,na busca alucinada po pontos percentuais de audiência, raspou ao vivo o cabelo de Babi Rossi, assistente de palco, como condição para que ela continuasse no programa sob os escrachos e risos de uma multidão acomodada em seu sofá.
PS. Cá estou, de volta ao batente, um pouco antes do previsto.
segunda-feira, 10 de outubro de 2011
OSCARITO+GRANDE OTELO=ARTE
quarta-feira, 3 de agosto de 2011
VELOZES E FURIOSOS
sexta-feira, 29 de julho de 2011
#SANDYFAZANAL
Diz o filósofo Jean Baudrillard (1929-2007- foto ) no fundamental "Simulacros e Similação" (1988):
Estamos num universo em que existe cada vez mais informação e cada vez menos sentido(...)A perda de sentido está directamente ligada à acção dissolvente,dissuasiva,da informação,dos media e dos mass media(...)Pois onde pensamos que a informação produz sentido,é o posto do que se verifica.A informação devora seus próprios conteúdos.Devora a comunicação e o social(...)Em vez de comunicar,esgota-se na encenação da comunicação. Em vez de produzir sentido, esgota-se na encenação do sentido.Gigantesco processo de simulação que é bem nosso conhecido.Hiper-realidade da comunicação e do sentido.Mais real do que o real, é assim que se anula o real
É como o caso da marca de chinelos Havaianas, que nunca mudou nada em sua substância(tem o mesmo modelo, é feita do mesmo material, serve para a mesma coisa)mas passou de produto "de feira" a produto "descolado" em um ou dois anos através de uma eficiente campanha de marketing. Que é a havaiana afinal?
quarta-feira, 23 de março de 2011
NOVELA NÃO PRECISA SER BURRA
segunda-feira, 17 de janeiro de 2011
"A CÂMERA É UM OLHO MÓVEL..."
sexta-feira, 14 de janeiro de 2011
TELENOVELA 2
terça-feira, 11 de janeiro de 2011
TELENOVELA -1
São palavras do antropólogo e ex- secretário estadual da segurança do Rio, Luiz Eduardo Soares, em entrevista ao LeMonde Diplomatique de agosto do ano passado.
quinta-feira, 16 de dezembro de 2010
SOBRE TROPA DE ELITE2 E VERA FISCHER
segunda-feira, 31 de maio de 2010
VALE A PENA ASSISTIR AOS CANAIS UNIVERSITÁRIOS
terça-feira, 27 de abril de 2010
quarta-feira, 31 de março de 2010
REFLEXÕES SOBRE ...O BBB???

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
FILMEFOBIA

No entanto FilmeFobia é daquela espécie inclassificável de documentário a que pertence também "Jogo de Cena" de Eduardo Coutinho. Cada um à sua maneira testam os limites do documentário – aquela idéia de que é possível “documentar” a realidade, entender um fenômeno e expô-lo ao público de maneira mais ou menos didática. Nesse sentido ele seria o oposto de ficção, por lidar diretamente com a realidade(ou reconstituí-la – ou algo assim- como fazem os History Channel da vida). Ora, tanto em FilmeFobia quanto em Xxxx (mas mais neste último) a referência é o real, com convém ao documentário, é dele que se parte para pensar em que consiste (ou se existe) essa fronteira que o separa do ficcional. No filme de Goifman(que na verdade tem Bernadet como mentor) pessoas com fobias são expostas a seus maiores temores. Ainda que existam especialistas explicando as possíveis origens das fobias (e as diferenças entre os termos fobia, medo e angústia) o foco está na imagem produzida, tanto é que Bernadet chama de “fracasso” um sujeito que, com medo de palhaços, apesar de traumatizado com a experiência, não tenha externado nada diante da câmera. A imagem, naquele caso, não tinha “verdade”, era vazia, estéril.
Falei deste filme como mero pretexto para retornar à discussão da imagem telejornalística. O jornalismo lida com fatos, por isso a câmera está lá para documentar o fato, para “provar” que aquilo existiu. Pois bem, ela pode até atestar a realidade(e isso é tema para outra postagem), mas quanto existe de verdade nela ? Quem quiser retorne ao que escrevi sobre a cobertura dos canais de TV sobre as tragédias causadas pela chuva e tire sua própria conclusão. Mas antes, se possível, assista a FilmeFobia.
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
O TRISTE FIM DO PEGADOR
Anteontem (31/01) o programa “Domingo Legal” do SBT, comandado por Celso Portiolli, teve seu dia de “Pânico na TV” ao trazer ao palco o jovem Rodrigo Ferraz, “famoso” por seus vídeos no YouTube em que aparece exibindo os músculos, dançando e se dizendo “pegador” de mulheres. Os vídeos , que também foram exibidos, são de um ridículo a toda prova, com Rodrigo “ensinando” o internauta a ficar musculoso com exercícios que mais parecem a tal nova febre baiana, a dança do rebolation bem como executando uma performance bizarra em que faz seu peitoral anormalmente grande tremer como se estivesse sob eletrochoques. Isso sem contar o “rap” absurdo que ele canta enquanto az tudo isso.
Pois bem, no palco o que era estranho ficou pior pois deu para ver claramente que o rapaz não só colocou um implante de silicone no peito como também uma monstruosa prótese no trapézio(o músculo logo acima dos ombros).Num coquetel surreal de fazer inveja a Salvador Dalí ,André Breton e Luis Buñuel juntos, Rodrigo chegou com panca de galã, mexendo com as meninas do auditório e sob a justificativa de que ia explicar uma notícia de um site que dava conta de que ele tinha morrido(?!), como afirmava também um outro vídeo, suposta homenagem póstuma feita por colegas. “Eu não morri, eu estou aqui” foi a que se resumiu a explicação de Rodrigo. O que se seguiu foi um linchamento, com Portiolli dando oportunidade de Rodrigo se expôr mais e mais ao ridículo, como cantar um rap para o qual ele provavelmente não foi avisado que cantaria. Ao tentar o Freestyle(rima improvisada), ele ficou várias vezes calado, com a música tocando.
Ora, não é preciso ter nenhum conhecimento de psicanálise para saber que este rapaz sofre de alguma patologia séria. Pela maneira como deformou seu corpo na busca de um ideal de virilidade e beleza, pela insistente e quase histérica auto-afirmação (a história “eu sou pegador”) bem como pela história de fingir a própria morte, arrisco dizer, aponta para uma pessoa com sérios problemas afetivos, sexuais ou que sofreu ou sofre de forte rejeição e que busca ,a todo custo, provar algo para si mesmo, talvez que ele é desejado e desejável.E, nessas, se destrói.
Rodrigo Ferraz é só um filho coxo e produto defeituoso da geração Orkut, que pode construir a imagem que quiser para si, da sociedade do marketing, que crê que mudando a embalagem não é necessário mudar o produto, do mundo do marketeiro, que faz com que acreditemos na mudança de uma pessoa através da transformação do visual ou do banho de loja (Wanessa Camargo é só o exemplo mais recente).
Um excelente tratado sobre isso é o filme “Falsa Loura”, de Carlos Raichembach, sobre o qual já escrevi bastante quando tive inclusive a felicidade de receber por aqui uma visita do ator João Bourbonnais.
Voltando a Rodrigo,é o caso de perguntar se, ao invés de fazer uma fanfarra para entregar uma casa de luxo, o SBT não estaria disposto a pagar um tratamento para o rapaz. Quer dizer, sem fazer disso um reality show.
quarta-feira, 6 de janeiro de 2010
TV- BLOW-UP

É esse pensamento, próprio dos anos 1960, que permite que existam filmes hoje como Hotel Atlântico, Abraços Partidos ou mesmo um diretor como Quentin Tarantino. Ou seja, é um pensar o cinema e levar o público a ter uma relação diferente com o filme que não apenas a de apreciar a história. Não há em Blow Up uma postura de quem tem fé no cinema como arte capaz de catar o real (volto a esse tema em breve), crença que nasce com a fotografia. Bem, mas isso Hitchcock já tinha feito em Vertigo e também em Janela Indiscreta. Quem assistiu lembra da cena da montagem das fotos (que foi recriada com muita inventividade primeiro em Blow Out- Um tiro na noite, de Brian de Palma e depois em Meu Tio Matou um Cara, do Jorge Furtado) . Lá a cada vez que se mexe na ordem das fotos tiradas pelo personagem de James Stewart enquanto bisbilhota o vizinho suspeito de matar a esposa cria histórias diferentes, possibilidades diferentes e, mais ainda, significados diferentes. Ou seja, uma hiostória existe a parir do momento em que se articula uma série de imagens. Elas, por si, não contém um significado fechado, correspondente da realidade.
Em Blow Up esta cena é recriada de outra maneira, o fotógrafo busca também na imagem a verdade para um crime, mas acredita tanto na foto como reprodução do real que passa a ampliá-la mais e mais em busca de algum detalhe revelador, que ele não encontra afinal, quando mais próximo da imagem, menor sua definição e maior a incerteza.
Se em Hitchcock a incerteza acaba em determinado momento em Blow-Up tudo é incerteza, desde o mistério da trama até as ações dos personagens e o tempo toma o lugar da ação, com personagens que vagueiam sem que isso necessariamente seja importante para op transcorrer da história. Antonioni faz isso para questionar a construção de um filme. Em qualquer manual de roteiro, dons muito bons aos muito ruins, recomenda-se não inserir nenhuma ação que não seja indispensável ao progresso da trama e nenhuma ação que não tenha um precedente. Ou seja, se um personagem demonstra ter uma habilidade surpreendente em determinado momento, essa habilidade deve ter sido explicada antes. De maneira semelhante, toda ação deve ter uma motivação, numa das convenções mais idiotas da dramaturgia, afinal, se tem algo que as pessoas são é incoerentes. Quantas vezes você já ouviu uma mãe dizer “eu pensei que conhecia meu filho” ou um marido dizer “e eu que pensei que conhecia essa desgraçada”. Ninguém no mundo age como uma molécula num tubo de ensaio, só mesmo no mundo do cinema. Por isso tudo, Blow Up é um filme estranho, de gosto amargo, principalmente para quem não é acostumado com a chamada modernidade do cinema (Goddart, Truffaut, Glauber Rocha, Nagisa Oshima, etc). Mas, principalmente para esses, é um desafio que deve ser encarado mas com isso em mente: um filme é uma mentira que se passa por verdade. Nada mais.
quinta-feira, 17 de setembro de 2009
FUTEBOL / ARTE
quinta-feira, 3 de setembro de 2009
MAIS TWITTER, MAIS XUXA ! SASHA PACIÊNCIA!

às mesmas fórmulas prontas, feitas à medida para agradarem adolescentes. A opinião abobalhada do garoto de que eu falei na postagem anterior terá um peso muito maior na hora, por exemplo, de se financiar um filme de terror de Sam Raimi (hipoteticamente falando). Se você acha que é infernal entrar num Cinemark hoje é porque não sabe o que te espera amanhã. Transformers vai ser fichinha...
sexta-feira, 28 de agosto de 2009
O TWITTER DA XUXA
Xuxa é nossa versão nacional de Michael Jackson; quanto mais envelhece, mais age como criança. A diferença (além do fato de que ela ainda não morreu),fica por conta do talento gigante do americano, frente à inexplicável empatia da ex-modelo com o público televisivo. Mas ela parece ter mergulhado tão fundo nessa fantasia de “rainha dos baixinhos” que age como se vivesse num mundo de conto de fadas. Só isso explica tamanha ingenuidade no uso do Twitter. Xuxa, isolada primeiro pelos altos muros de sua mansão, depois por seus seguranças e por fim pela trincheira inexpugnável da imagem fantasiosa da TV (a mesma fantasia que tentaram vestir, até agora sem sucesso, em Carlinhos) achou que realmente tinha “seguidores” num sentido de devoção e por isso se espantou tanto com areação negativa às suas postagens, ou à péssima alfabetização da anglófona filhota. Uma coisa é se relacionar com pessoas que estão numa platéia de um programa de auditório, outra é lidar com elas sem mediadores, como é o caso do Twitter. A Rainha sentiu brevemente um gostinho de bastilha e talvez seus cabelos tenham ficado ainda mais descoloridos. Mas ela ainda conta com sua guarda real, a imprensa de celebridades. A revista "Quem" (que como a Caras e a Contigo, faz de tudo pra injetar sangue azul em qualquer BBB) minimizou e disse que o problema se deveu a pequenos erros de português na postagens. Ah, ta.
Xuxa e sua filha demonstraram um domínio precário da língua portuguesa. Mas, ao mesmo tempo, vale lembrar o quanto isso é um problema quase epidêmico. No trajeto que o trem faz de Rio Grande da Serra até a Estação da Luz, lá pela altura da Mooca, pode se ler uma pixação que diz : “A panela esta formada”. O acento agudo de está não está lá. No sentido inverso, perto de Santo André, escreveram “Mauá”, sem acento mesmo, demonstrando que não sabia escrever o nome da cidade onde provavelmente morava. Em outro lugar, na rua, vejo uma estranha “O silêncio dos inocetes”. Não, ele não escreveu errado sem querer, assim como Xuxa também não e nem Sasha.
Em fóruns de discussão vejo pessoas que debatem, em termos técnicos complicadíssimos,
a montagem de um Home Theater de R$11 mil, mas com erros tão primários na escrita quanto os dos pixadores que eu mencionei acima. Já a maneira mais fácil e segura de identificar vírus que finge ser uma mensagem de banco solicitando recadastramento da conta é justamente encontrar erros grosseiros de portugês no corpo do e-mail. Ou seja, uma pessoa que é capaz de criar um programa que esvazia sua conta bancária não sabe escrever corretamente ! Num blog, não me lembro qual, alguém irritado com uma pessoa que criticava justamente a má escrita nos outros comentários, respondeu dizendo algo como “você que vá então pra academia brasileira de letras”. Ou seja, escrever de maneira minimamente correta é coisa de outro mundo, portanto perfeitamente dispensável. Os incomodados que se mudem.
Qual a razão disso? Eu bem que gostaria de saber. Mas escrever sem erros grosseiros (e este blog está cheio de erros de diversos calibres), mantendo um mínimo de concordância não é exibicionismo. Esse pouco domínio da língua que vemos tanto em gente muito pobre quanto nos mais ricos cria uma dificuldade de comunicação, uma fragilidade na hora de se expressar. E isso não é bom para ninguém.
segunda-feira, 24 de agosto de 2009
CARLINHOS: DO REALITY SHOW À NOVELA

Programa após programa exploraram seu passado de menino de rua, os anos longe da família e a volta por cima em sua nova profissão. Até um encontro ao vivo com a mãe (negligente e violenta )que ele não via há anos foi providenciado, bem como imagens do pai (ironicamente mendigando). Este só não apareceu também porque fora levado pelo veículo de uma outra emissora, também faminta por um naco de audiência que a tragédia pessoal do humorista podia render. Do Hoje em Dia, pendurado uma passarela suspensa a 45 metros de altura, ao Geraldo Brasil, onde sua popularidade elevava os números da audiência, Carlinhos protagonizou cenas do dramalhão mais rasgado. Geraldo Luis, que em outros tempos chegou a sacudir uma boneca através de uma tela rasgada para ilustrar o assassinato da menina Isabella Nardoni e a enviar seus repórteres para encontrar casas assombradas, extra terrestres no interior de São Paulo ou animais falantes, agora agradecia o décimo abraço dado por dona Maria de Lurdes do Nascimento, no filho Carlinhos com um possante “obrigado meu Deus!”.
Bom, isso tudo é uma novela já vista inúmeras vezes, em diferentes circunstâncias, apenas com diferentes protagonistas. Só que agora o alvo não é bobo (como Carlinhos se referira ao paspalho Dado Dollabela, ainda dentro do reality), ele questiona um programa em que pessoas se expõem por dinheiro, em que fazem caras e bocas a fim de enganar o público, em que imagens são editadas e apresentadas como “realidade”. Mas, mais do que isso, ele se recusa a ceder ao sentimentalismo de novela mexicana e afirma que não quer vínculo nem convivência com os pais. Fica a pergunta: será isso suficiente para manter sua integridade(no sentido de se manter inteiro mesmo) quando se está até na capa da Contigo? Programas como este e revistas desse tipo viver de criar personagens, de simplificações, de mostrar a realidade em termos quase infantis como bom, mau, chato ou legal.Ou seja, transforma a vida em um enredo de novela. Carlinhos agora é o rapaz sofrido que deu a volta por cima, o moço de bom coração que não cedeu à drogas ou ao crime, aquele que fia com a mocinha no final.
O que será dele, criador de personagens, agora que sua vida foi mexida, remexida e reinterpretada pelos TV Fama Brasil afora e ,ele mesmo, tornado personagem? O que será de seu humor, cujo mérito estava em expor ao ridículo essa máquina de moer carne humana que é a indústria das celebridades?
segunda-feira, 15 de junho de 2009
TV- FALSA LOURA

O melhor, incontestavelmente, foi Serras da Desordem, de Andrea Tonacci o que não diminui em nada a qualidade dos outros.
De todos esses,Falsa Loura é o mais acessível,mais palatável ao público, ainda que guarde uma certa dose de estranheza característica do cinema de Reichenbach(como a intromissão da leitura de textos clássicos, completamente descolados da narrativa).
Falsa Loura é um filme que expõe a atual sociedade onde uma espécie de manipulação publicitária da imagem tomou conta das relações pessoais, há e onde quem melhor manipula sua aparência exerce poder sobre os demais. Ou seja, um vício da política que se aplica à vida comum. Todos personagens, num certo grau, manipulam suas imagens a fim de construírem uma identidade .
É para melhor trabalhar essa idéia de manipulação da imagem que o diretor acumula diversos níveis de imagens construídas, a começar pela presença no elenco apresentadores que se travestem,como Léo Áquila e Mama Bruscheta, ou ainda de Suzana Alves, a ex-Tiazinha. Maurício Mattar usa outro nome, mas faz na verdade papel dele mesmo, ou de todos cantores românticos, com Fábio Jr ou Leonardo .
Personagens cujas aparências remetem imediatamente a um “arquétipo” cinematográfico forçam nosso juízo de valor ,melhor dizendo, é pela vestimenta e aparência deles que deduzimos seus passados ou ações meramente insinuadas. Para não estragar nada, resta só dizer que imediatamente “reconhecemos” um bandido e um gângster assim que os vemos em tela. Reichenbach coloca aí uma questão de maneira bem sutil por que sabe o que é que pensaremos, induzidos que somos pela imagem a que o cinema sempre recorre.Mas nos dá uma oportunidade de questioná-la. E há a construção da imagem dos próprios personagens durante a trama,que, aliás,dá nome ao filme; Silmara não é loura e isso terá um peso terrível para ela em dado momento.
No início, nos parece que tudo se trata de mais uma daquelas versões da gata borralheira, com a jovem operária Silmara (Rosane Mulholland), a falsa loura do título, transformando sua colega de trabalho Biducha (Djin Sganzerla), de “bruxinha”(esse é o apelido) numa mulher sedutora capaz de conquistar o homem que deseja, com direito até à manjada seqüência do “banho de loja” em ritmo de videoclipe, típico de comédia romântica. É o que prega, aliás, a sociedade de consumo: ao fazer uma operação plástica, usar a roupa adequada ou assumir a “postura” correta (e isso remete à chamada auto-ajuda) pode-se conquistar seus sonhos. O interesse constitui no desenrolar da trama, que, aliás, por si só daria um filme.
Silmara, já experimentada na construção de sua imagem, é quem “constrói” Biducha e ,portanto, manipula sua vida, exerce influência, poder. Seu pai,no entanto, ex- presidiário e com o rosto marcado por uma cicatriz, é vítima de sua aparência. O irmão de Silmara (Léo Áquila) é um travesti , ser de dupla identidade, manipulando-a a bel prazer e que por isso tem desenvoltura plena em dois mundos, masculino e feminino.
Há o salão de baile , o local onde se abandonam as vestes da firma e se apresentam essas novas imagens, maquiadas, construídas com o banho de loja e é também onde Silmara entrará em contato com o mundo da Imagem por excelência, o palco. É lá que conhece e encanta o rock star Bruno de André (Cauã Reymond). Se na fábrica ou na pista de dança Silmara tinha desenvoltura invejável, aqui ela se encanta pela imagem do astro pop (rebeldia, liberdade, sexualidade) e se deixará seduzir. Será ,portanto, manipulada por ele. É significativo o momento em que retorna à fabrica e diz em alto e bom som para as amigas que ele é o homem mais gentil, sexy e bem dotado do planeta, por que sabe que é isso que as colegas querem ouvir.
Silmara irá além. Decepcionada com o roqueiro, ela parte em busca não mais do mito sexual, mas do mito romântico (e o amor se presta a muito mais falsificações do que o sexo) e é quando irá parar nos braços de um ídolo da música romântica, interpretando(?) por Maurício Mattar. Surge aí um daqueles momentos de estranheza dos filmes de Reichenbach, pois irrompe um clipe romântico brega do qual Silmara participa. Se fosse preciso uma “explicação”, poderia se dizer que o diretor compartilha conosco o modo como ela enxerga o acontecimento.
Quando estiver despida de toda maquiagem, de toda postura artificialmente assumida, é que Silmara mostra que não é loura de fato. Completamente entregue, dominada e manipulada, terá seu rosto “ deformado”, “marcado” (quase como seu pai), numa inversão da típica cena de mulher vitoriosa(comum no cinema e na publicidade), que anda em direção à câmera e contra o vento . Não haverá então mais nada a dizer.



