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sexta-feira, 6 de agosto de 2010

EDUCAÇÃO EM DEBATE

No debate de ontem, Serra se deteve pouco sobre o tema educação, Plínio, franco-atirador, disse (como dizia sobre qualquer tema) que teria de mudar tudo, de cima abaixo, distribuição radical de renda.
A conversa mais produtiva foi entre Marina Silva e Dilma Roussef. Dilma exaltou o investimento do governo atual em educação, próximo dos 5 % do PIB e que,com ela no poder, deve chegar a 7% (é bom ter em mente o quanto as metas de campanha, na prática, ficam aquém do prometido). Marina afirmou que,mesmo atingindo os 7%, o Brasil estaria “30 anos atrás de países como o Chile” (é bom ter em mente que dados ditos em debate,ainda que com segurança, podem ser fantasiosos).
Enfim, para Dilma, a solução é o ensino profissionalizante, que irá aproveitar essa massa de jovens trabalhadores que chegam pouco qualificados ao mercado- lembrando que a queda na taxa de natalidade aumenta o número de idosos e diminui o da força de trabalho. Dilma disse que iria integrar a educação, “da pré-escola à pós-graduação”, Deus sabe como e acabar com a progressão continuada, estratégia utilizada para manter os alunos na escolas (os repetentes tendiam a abandonar os estudos, piorando o quadro).

Esse blog, a partir da semana que vem, começa a bancar o chato e tratar longamente sobre educação por entender que o momento é crucial e que é a educação a base para um país que se pretenda desenvolvido. E também para que mudemos nossa mentalidade, de que o crime se combate só com a “Rota na rua”, com “pau neles” e outras bravatas típicas de apresentadores de corpo e bolso gordo (a integração educação /esporte/arte já foi tratada com insistência aqui). Espero que o leitor não se aborreça com a aridez dos temas e que ajude a propagar a discussão.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

ESPORTE CONTRA A VIOLÊNCIA


Vale Tudo,ou MMA (Artes Marciais Mistas) como chamam hoje, é sinônimo de violência?
A despeito do sangue que normalmente corre sobre o ringue, este esporte é uma arma na luta contra o crime e, por que não, a violência, como mostra o documentário Dias de Luta. Dirigido por Eduardo Brand, o filme acompanha a rotina do mestre Casquinha em sua academia num morro da zona norte do Rio, onde trava uma luta particular para tirar jovens do convívio com as drogas e o crime oferecendo a eles, como alternativa de vida, a dedicação ao esporte.

Combate desleal, é evidente, mas nem por isso Casquinha desistiu, nem mesmo quando a verba prometida a ele pela prefeitura do Rio foi deslocada para o PAN(aquele que custou 10 vezes mais do que o orçamento inicial e no qual não iria entrar verba pública).


Você não tem dois caminhos no morro, você tem um só, que é o tráfico. Você quer um tênis legal, o traficante tem, você quer comer uma pizza, o traficante manda comprar, você quer mulher bonita, o traficante tem. Só um milagre pra trazer um moleque pra cá”, diz Casquinha, que ainda assim conta com alguns alunos dedicados que desistiram da vida bandida para buscarem vitórias no ringue.


É interessante o que disse o presidente da Fundação Palmares, Zulu Araújo em entrevista a Lázaro Ramos no programa Espelho no Canal Brasil (a transcrição é de memória): “a sociedade diz que você precisa de uma TV enorme, de um tênis bacana , de uma série de coisas. Você acha que um jovem pobre e sem perspectivas irá reagir pacificamente?”. É o mesmo que disse Casquinha. Há o apelo ao consumo ( e a necessidade histérica de ser feliz, via consumo, a maior fé da sociedade ocidental) e há jovens sem perspectiva nenhuma de ascensão social. O milagre de que casquinha falou seria bem possível se a prefeitura do Rio, governos do estado e Federal e o raio que os parta tivessem direcionado parte dos 4 milhões do PAN a projetos sociais, como a academia de Vale Tudo. Por que se o esporte ou a arte se mostram alternativas viáveis de ascensão social não haverá tantos assim sendo aliciados pelo crime que, como diz o rapper Mano Brown, oferece a possibilidade de você escolher entre “viver pouco como um rei ou muito como um Zé”. Tanto é que, como aponta Zulu, a única oposição real ao tráfico é a igreja evangélica. O sujeito entra lá, se veste daquela maneira, carrega a bíblia debaixo do braço e anuncia a todos que está fora desse mundo do tráfico.
E aí nós voltamos de novo a duas postagens atrás neste blog.


Dias de Luta pode ser visto no Canal Brasil, basta ficar atento à programação.
O Trailer, você encontra aqui:
http://vimeo.com/3777465

sexta-feira, 21 de maio de 2010

CULTURA- PORQUE O POVO PRECISA


Depois do longo texto com reflexões sobre a Virada Cultural, pego um das pontas que deixei soltas, a da Política Cultural. O que a Virada faz é levar cultura às pessoas de uma maneira atodos possam, mesmo que sem querer, tomar contato com diversos tipos de manifestações artísticas. Isso quebra todo tipo de barreira,como a do fã de rock que diz odiar samba, a do pessoal do teatro que não gosta, sei lá, de show de rock e por aí vai. Até porque se você gosta de algum tipo de arte e, claro, tem de pagar por ela, dificilmente você arrisca. Mas enfim, o que eu dizia é que se deve haver uma política cultural ela tem de começar por levar a arte ao povo, da mesma maneira que a Virada. Porque cultura paga elitiza, e você fica com regiões inteiras e milhares de pessoas cuja única forma de cultura que recebem vem da TV aberta (não que a paga seja grande coisa, mas aí é outro assunto), que, qualquer um sabe, 90 % do tempo joga como a seleção do Dunga, apenas pra garantir o resultado, arriscando o mínimo possível. Isso reduz a coisa ao mínimo denominador comum, à esterelidade total, às fórmulas prontas que agardam todo mundo sem exigir esforço nenhum. Pois bem é, ou pelo menos deveria ser, obrigação do Estado oferecer cultura(citei antes o exemplo de cinema a céu aberto) seja na forma de espetáculos de teatro, música clássica ou exposições. A situação é tão creítica que muitas cidades no Brasil não tem sequer uma sala de cinema ou um teatro. Aqui mesmo no grande ABC temos a onipresença do Cinemark, cuja programação não é muito melhor do que a da TV aberta, bem como salas de teatros municipais que cobram ingressos caríssimos para exibirem comédias Stand-Up.

Mais do que oferecer apenas cultura o Estado DEVERIA facilitar o aprendizado artístico, na forma de bolsas de estudo escolas gratuitas, sei lá.



Vamos pensar na seguinte situação: Um jovem da vila Brasilândia que vê a OSESP por exemplo. Não vai ver, não como as coisas são hoje, mas imaginemos que ele veja e decida se tornar um violoncelista, o que ele faz? Já éum milagre conseguir um colégio técnico, imagine então ensino artístico de qualidade-pedir qualidade é pedir mais que o milagre, vamos ser sinceros.



Está tudo errado desde o princípio, porque para que nosso jovem hipotético queira ver a OSESP (existem concertos gratuitos domingo de manhã, na Sala São Paulo) ele precisa primeiro saber que ela existe e isso não vai acontecer porque, até onde eu saiba, orquestra nenhuma toca em áreas carentes. Aliás, muitas orquestras estão na pindaíba, maltratadas pelas prefeituras, pelo nepotismo (entre muito músico ou cantor porque é amigo do vereador fulano...) e aí a crise é outra, a de qualidade.





Algo está sendo feito pelo Banco do Brasil, através do CCBB
http://bb.com.br/portalbb/home21,128,128,0,1,1,1.bb. É o programa No Centro da Arte, que leva a programação do CCBB SãoPaulo para a Praça do Patriarca. Entre maio e Junho se apresentam o grupo de forró trio Sabiá, o espetáculo de música e dança Lo Mejor Del Tango (foto) e o quinteto SLAP, que usa instrumentos de sopro (oboé, clarinete, sax) para interagir com o filme The Circus, de Charlie Chaplin. As apresentações são ou ao meio dia e meia ou às 18h00, o que é estratégico -você "fisga" as pessoas no almoço ou saindo do serviço.



Antes de reclamar que o povo não gosta disso ou daquilo, que prefere ver TV, é preciso levar a Cultura ao encontro das pessoas. O vale cultura vai ajudar, claro, mas a pessoa não vai buscar aquilo que não conhece e muita gente vai acabar usando esse valor apenas pra engordar a arrecadação de Transformers 8, Jogos Mortais 15, sei lá - nada contra ver filme em que psicopata retalha as pessoas ou que caminhão vira robô gigante, mas não dá pra ficar só nisso.

E se quisermos mai artistas, ajudar quem queira se tornar um. Só assim há um crescimento cultural no país. E pra quem estiver pensando que isso tudo é bobagem pode começar a repensar porque num país em que o nível cultural é nivelado pela TV e onde universitários tem dificuldade para interpretar um texto (escrever, então, nem se fala) é porque a coisa vai mal.


segunda-feira, 17 de maio de 2010

VIRADA CULTURAL- PORQUE O POVO PRECISA

Escrever em um blog é uma luta e tanto contra si mesmo, afinal nõ é pequena a tentação de se fazer passar por sabe-tudo. São poucos os leitores e menos ainda os que colocam algum comentário(quando eles existem), então, na prática, fica como se fosse um monólogo diante do espelho. O blogueiro fala o que quiser e bate palmas para si mesmo e tudo fica bem.
Bom, nem tanto, afinal esta postagem serve pra desmentir (pelo menos em parte) a anterior, quando eu critiquei duramente a Virada Cultural. Em resumo eu disse que o evento havia chegado ao seu limite duas edições atrás e dali em diante a tendência seria trair sua própria essência que é ofereer cultura da maneira mais plural e acessível e também que a formação de público seria melhor conseguida se parte do orçamento da Virada fosse para políticas públicas (como exibição de filmes ao ar livre, por exemplo).
Vamos lá: essa edição da Virada conseguiu superar aquilo que havia sido um problema aparentemente insolúvel, o do execesso de pessoas, que impedia a circulação, portanto bloqueava o evento , mantendo as pessoas fechadas em nichos de sua preferência(quem era fã de rock ficava só no palco de rock, até porque não conseguiria ira outro lugar). Foi de certo modo uma questão de logística; a distribuição dos palcos foi inteligente, os que concentravam mais público estavam bem distante uns dos outros, evitando assim o "congestionamento" de pessoas. Também não havia atrações em ruas de acesso aos palcos, nem na entrada do metrô Sé. Isso possibilitou a livre circulação de pessoas e, portanto, o contato com toda forma de arte. Daí que aontecem coisas incríveis, só possíbilitadas pela Virada, como um grupo de Congada irculando pela cidade e, indo atrás deles, heppies, universitários típicos, pessoal com camisetas de bandas de metal e farotos fantasiados de Hary Potter.
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A OSESP, após um período turbulento sob o comando de John Nashling, estreou na Virada agora sob a batuta de Artur Nestróvski e sua nova diretriz: ir ao enontro do público. E não poderia ter sido melhor: uma multidão de pessoas num domingo à tarde, sentadas, em pé ou mesmo penduradas nas grades do parque da Luz, mas em silêncio ouvindo a Tchaikovsky e Shumman. E aplaudindo efusivamenbte os bailarinos da SP Companhia de Dança, que fizeram apresentação especial. Logo ao final, as pessoas levantaram , pegaram suas cadeiras e correram em disparada para o palco no lado oposto da avenida, onde começaria um espetáculo de dança contemporânea.
Aí está a prova de que não faz sentido essa elite (econõmica, não a intelectual) diz, que o Povo não gosta de músia clássica. Mentira, o povo gosta sim, só não tem acesso.
E exige pouco esforço imaginar o que uma política pública eficiente pode fazer em áreas eonomicamente desprivilegiadas. As criaças não tem acesso a cultura de espécie alguma, só à TV (cujos valores obedecem aos critérios da audi~encia) e seus ideais de sucesso na sociedade são os criminosos. O rime seduziria muito menos jovens se a possibilidade deles serem músicos, bailarinos, artistas fosse tão acesivel quanto conseguir um revolver.
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A melhor surpresa, para mim foi mesmo a tal "Dimensão Nerd" provando que o significado nda palavra cultura é mesm ampla. E o local foi significativo, a Praça Rossevelt, reduto de mendigos, usuários de drogas e do povo que circula pelos teatros e que não é qualquer público de teatro, é bem diferente,k por exemplo, dos endinheirados das salas do Bixiga, por exemplo.
Os artistas estavam lá, afinal os teatros e os bares estavam funcionando, mas convivendo com uma garotada que fazia um jogo que é também interpretação, o RPG e ao mesmo tempo usando fantasias. O diálogo deve ser explorado, entre a cultura pop nerd e o teatro "underground"(não gosto da palavra mas vai ela mesmo) da Roosevelt. E só mesmo na Virada para esses dosi grupos tão distinmdo dividirem o mesmo espaço, ainda que suas experi~encias sejm ligadas pela interpretação de apéius, por viver numa outra dimensão que não a real, a ordinária. Cada um a sua maneira, claro.
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A Virada devolve o Centro ao povo? Antes eu disse que isso era balela, que dado nenhum prova que a população volte ao centro por causa da Virada e que o que há é mera oupaçlão predatória. Ora, disse isso ainda lembnrando da edição de 2009, que aliás ganhou as manchetes dos jornais exatamente por causa do mau comportanto de muitas pessoas. Saiu notícia de uma morte este ano, a primeira. Mas parece ter sido um probelma daqueles impossíveis de evitar. O centro estava cheio de lixo, é verdade, mas isso foi burrice pura, achar que as lioxeiras minúsculas do centro dariam conta de 4 milhões de pessoas (número estimado pela prefeitura).
E havia uma profusão de banheiros, quie, apesar de tudo, não impediram alguns garotões bem vestidos de urinar da rua. A ocupação predatória existiu sim, é um mau hábito latino americano, mas diminuiu frente a uma organização eficiente.
E a Virada devolveu o Centro ao povo, ainda que por 24 horas apenas, quando se pôde atravessae aquela faixa de gaza que é a praça Roosevelt em direção ao Anhangabaú à meia noite sem ter medo de qualquer tipo de crime. O sensato é que fosse sempre assim, afinal a noite paulistana é uma espécie de virada cultural, mas que tranca as pessoas nos carros e as faz reféns dos estacionamentos. E, sem pessoas que circulem à pé, vivendo e não apenas usando a cidade, o centro não renascerá nunca.
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Pra finalizar; é só uma impressão minha (e isso não quer dizer nada), mas acredito que o público foi bem menor do ano passado. Primeiro porque não conhei ninguém que esteve na edição anterior e não se dissesse traumatizado. Segundo porque a prefeitura divulgou um número de visitantes igual ao do ano anterior. Sabendo que é uma prática comum aumentar o público de evntos desse tipo a cada ano,me parece que na impossíbilidade de faezr isso (iria dar muito na cara, vamos dizer assim) resolveram não dizer que o evento encolheu. Ainda mais em ano de eleição.
É só uma impressão que não diz nada, mas isso pouco importaria porque para mim foi a melhor das seis edições já realizadas até agora.