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quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

CINECLUBE GAMBALAIA- 27/01


Quando éramos Reis (When we were Kings), 1996- 89 min.. Dir. Leon Gast



"Dane-se a América e oque a América pensa. Eu moro na América,mas a África é a casa do homem negro.Eu era escravo quatrocentos anos atrás e estou voltando para casa para lutar com meus irmãos"

- Muhammad Ali



Sexta-feira, dia 27, às 21h, o Cineclube Gambalaia faz uma homenagem ao boxeador Muhammad Ali, que recentemente completou 70 anos e é considerado o maior atleta do século 20 pela Sports Illustrade.
Oscar de melhor documentário em 1997, "Quando éramos Reis" permanece absurdamente inédito em DVD no Brasil.

É sua oportunidade de assitir um raro momento na História em que esporte ,arte, política e mobilização social andavam juntos.


Em 1974 Muhammad Ali, símbolo da luta pelos direito civis e ícone do orgulho negro, buscava reconquistar o cinturão que lhe havia sido tomado quando se recusou a combater no Vietnã, trêas anos antes."Nenhum vietcongue jamais me chamou de preto", afirmou na época.


Para isso ele vai a Kinshasa, no Zaire, enfrentar o jovem e invencível George Foreman, adorado pela américa branca, ao mesmo tempo em que busca por suas origens e por seu povo.


Como complemento exibiremos cenas do documentário "Soul Power", que mostra as apresentaçãos de James Brown, B.B King e outros ídolos da soul music e do blues no festival de Kinshasa, realizado como parte das comemorações em torno do combate.


Haverá também leitura de trechos de uma das mais célebres obras do new journalism, "A Luta", de Norman Mailer, que acompanhou tudo ao lado de Ali.

E quem chegar mais cedo vai curtir muita soul music no nosso tocacedês.

É isso.

Esperamos por vocês !


Espaço Cultural Gambalaia

R das Monções, 1018, Centro, Santo André- SP
gambalaia@hotmail.com

(11)4316-1726

http://www.gambalaia.com.br/









terça-feira, 4 de outubro de 2011

CINECLUBE GAMBALAIA -06/10



No mês das bruxas,não poderia ser diferente, o CINECLUBE GAMBALAIA 
exibe o icônico Halloween, na versão original do diretor John Carpenter.

Mas não é só isso! Uma mini-palestra mostrará como a guerra do Vietnã varreu pra longe a ingenuidade e abriu as portas para a ultra violência nos filmes de terror dos anos 70. Exibiremos cenas de Drácula,O Príncipe das Trevas, de Terence Fisher, A Noite dos Mortos Vivos, de George Romero, O Exorcista, de Willian Friedkin e Massacre da Serra Elétrica, de Tobe Hooper além de material jornalístico e músicas inspiradas pela guerra.



Assista aqui ao trailer do filme:

http://www.imdb.com/video/screenplay/vi330039577/



PROGRAMAÇÃO






19h30 – Exibição do curta metragem “O posto de Gasolina” (EUA, 1982- 20min. Dir. John Carpenter)



19h50 - Palestra “De Drácula a LeatherFace- Como o Vietnã mudou a cara do cinema de horror norte-americano”



20h20- Intervalo



20h40 – Exibição de Halloween (EUA,1978 - 96 min. Dir. John Carpenter)



** Ajude a divulgar o Cineclube **


Espaço Cultural Gambalaia

R.das Monções,1018. Santo André. fone.4316-1726



www.gambalaia.com.br


 

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

CINECLUBE GAMBALAIA ESPECIAL !


Dia 19 de agosto, sexta-feira, a partir das 20h, o já tradicional Cineclube Gambalaia se une ao coletivo de DJs Vira5Acaba10 para inventtar moda e promover a primeira 
Rock Horror Fest do Gambalaia!


A discotecagem será horripilante, no melhor sentido da palavra, começando por bandas que usaram e abusaram do horror como Cramps, Misfits, Mummies e também contemplando  artistas que flertaram com o tema como Ramones, Bauhaus, Sonic Youth, Fred Schneider, Michael Jackson, gente da New Wave, Surf Music, EBM, Soul e até Jovem Guarda! Vai tter de tudo !
Além disso tudo ainda rola uma discotecagem especial  só com  trilhas sonoras de filmes de horror (pra aguçar a curiosidade: uma delas é a do cult Vampiros Lesbos).



Entrada: R$ 10 - Quem chegar até às 20h paga só R$ 5!!!

Quer conhecer os caras?  http://www.vira5acaba10.com.br/


segunda-feira, 8 de agosto de 2011

CINECLUBE GAMBALAIA -11/08


Quinta-feira o Cineclube Gambalaia dedica a noite a um dos maiores ícones do cinema, Marilyn Monroe, que recentemente voltou a ser notícia por causa do leilão de um filme pornográfico supostamente protagonizado pela estrela antes da fama.

Além da exibição da comédia romântica "O Pecado Mora ao Lado" haverá uma exposição one shot em homenagem a Marilyn com livros, discos, revistas,reportagens, posters e memorabilia, além de um bate-papo com a poeta e professora Jurema Barreto de Souza, que gentilmente disponibilizou seu acervo para o evento.

Também exibiremos também cenas de "Something got to Give", filme inacabado que seria a última aparição de Marilyn Monroe no cinema, pouco antes de morrer precocemente aos 36 anos.

Como se não fosse o bastante, preparamos também algumas surpresinhas.

O Cineclube é gratuito e a pipoca também é free !


Assista aqui ao trailer do filme:





Quer saber mais sobre o polêmico leilão? Leia aqui:



segunda-feira, 4 de julho de 2011

Dia 07 de julho ,  às 20h, no CINECLUBE GAMBALAIA
Laura (Idem- EUA,1944 – 88 min.), de Otto Preminger


Todos estão apaixonados por Laura !

Waldo, o jornalista, Shelby, o playboy e até mesmo Mark, o detetive.

Só que Laura, é bom dizer, está morta.
Foi encontrada em sua casa com um tiro no rosto.

E Mark, pobre Mark, que só a conheceu através de uma pintura ,agora tenta descobrir quem a matou.



* O filme que inspirou "Vertigo", de Alfred Hitchcock !


* A música mais marcante da história do Cinema.


* Uma obra prima do film noir.

* O diretor idolatrado pela geração da nouvelle vague.



"A perfeição ronda o cinema de Otto  Preminger, como ronda o de Kenji Mizoguchi e o de John Ford "


- Sérgio Alpendre, crítico do UOL Cinema



* Após a sessão exibiremos cenas de "Rio das Almas Perdidas", também de Otto Preminger.



Espaço Cultural Gambalaia – R. das Monções, 1018



Santo André - SP - f. (11) 4316-1726 http://www.gambalaia.com.br/








segunda-feira, 13 de junho de 2011

FILMES " BARROCOS " (Atualizado)

Diz-se que o horror italiano é barroco ou que tal e tal cineasta é barroco. Com toda imprecisão que a definição ganha ao ser tirada de seu contexto original(pintura,escultura e arquitetura- e sobre isso já tratamos aqui neste blog ) pode –se dizer que barroco, no cinema, é um

termo que conota o bizarro,a complicação ou a estranheza, é utilizado para designar uma arte muito ornamentada,extravagante,sofisticada,com preciosismos
(AUMONT,MARIE, pg31).

De todo modo é interessante forçar as fronteiras só para ver o alcance e a limitação do termo.

O filósofo Heinrich Wölfflin, no início do século 20, procurou estabelecer uma metodologia que permitisse estabelecer categorias capazes de caracterizar a arte e,assim, definir os estilos artísticos. Para o alemão existiriam pares de conceitos opostos, um caracterizando a pintura renascentista, outro a barroca. Seriam eles:

Linear em oposição a pinturesco, planar em oposição a recessional , forma aberta sendo o oposto de forma fechada e,por fim, multiplicidade diferindo de unidade.

As pinturas Renascentistas,para Wölfflin, seriam lineares (os contornos das figuras são perfeitamente delineados e elas recebem luz de maneira uniforme),planares(os planos de profundidade são paralelos), fechadas(a composição é equilibrada, com figuras secundárias ou cenário “fechando” o quadro em torno da figura principal) e unidas(essa categoria se refere à maneira como cada elemento parece isolado pela luz, tendo sua cor própria, independente da influência de outros elementos).


ESCOLA DE ATENAS(1509-1511) Rafael, afresco na Stanza della Segnatura,Vaticano.

Uma pintura barroca, em oposição, teria os contornos das figuras obscurecidos pelo jogo de luz e sombra(as pinceladas mais ágeis), as figuras não em planos paralelos, mas numa profundidade dada por linhas diagonais, portanto não contidas dentro do próprio quadro por nenhum elemento e cujas cores se misturam, de uma figura para outra, de uma parte a outra da mesma figura.



Seria ingenuidade tentar transferir um a um os conceitos de Wölfflin para o cinema,mas é interessante notar que,pelo menos, uma das características presentes em “Suspiria” e “Máscara do Demônio” é correspondente : o uso da perspectiva em diagonal.

A “sofisticação” a que se refere Aumont é aquela que já discutimos aqui (ver postagens sobre o "Rococó") e que claramente está presente no cinema de Bava e Argento na forma de elementos de cena que muitas vezes são lançados para o primeiro plano, indo além da construção de cena comum, em que os atores estariam em primeiro plano e o restante seria meramente descritivo (para sabermos que aquilo é uma floresta e que as pessoas envolvidas são monges). Aqui o conjunto ganha em expressividade(não vamos falar em “expressionismo” pra não complicar de vez as coisas) e dramaticidade. Dramaticidade, aliás, conseguida também por meio do violento jogo de luz e sombra “caravagesco”. Mas , é bom sempre repetir, não da par ser sistemático quanto a  isso: são apenas aproximações possíveis.

                                          Rembrandt: A ronda noturna(1642)

Apenas para que o leitor não fique alheio: Como maneira de se definir o barroco, ou mesmo de procurar um meio de explicar o que define um estilo artístico, a análise de Wölflin, apesar de criteriosa e instigante, é considerada ultrapassada porque

permite uma análise sistemática do próprio produto artístico que se limita à sua descrição,compreensão e explicação,sem considerar a expressão de juizos de valor:fornece o método para reconhecer o mecanismo e o código de cada poética, excluindo a interpretação valorativa e intuitiva da obra de arte,inclusive o recurso análise extra textuais,como baseadas em documentos históricos

(CALABRESE,1987,24)

BIBLIOGRAFIA UTILIZADA

AUMONT, Jacques/ MARIE,Michel. Dicionário teórico e crítico de cinema. São Paulo: Papirus,2003.

AUMONT, Jaques. O olho interminável (cinema e pintura).São Paulo: Cosac Naify,2004.

CALABRESE, Omar. A linguagem da arte. São Paulo: Globo,1987.

WOODFORD, Suzan. A arte de ver a arte. São Paulo:  Circulo do Livro, 1983

Sobre Dario Argento , Suspiria e Mario Bava (fontes digitais)


Os esqueletos da imagem: o enigma do espaço em Dario Argento, por Jean-Baptiste Thoret ( Tradução: Luiz Soares Júnior). Disponível em:
http://dicionariosdecinema.blogspot.com/2011/02/o-esqueleto-da-imagem-o-enigma-do.html

Dario Argento- by Xavier Mendik. Revista digital "Senses of Cinema". Disponível em:
http://www.sensesofcinema.com/2003/great-directors/argento/

Kinoeye - new perspective on european films - edição especial Dario Argento. Disponível em:
http://www.kinoeye.org/index_02_11.php

Mario Bava’s Black Sunday aka The Mask of Satan By Christopher J. Jarmick. Disponível em:
http://www.sensesofcinema.com/2003/cteq/black_sunday/

























AUMONT, Jaques. O olho interminável (cinema e pintura).São Paulo: Cosac Naify,2004.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

CINECLUBE GAMBALAIA -09/06

Dia 09 de junho ,  às 20h, o  CINECLUBE GAMBALAIA exibe




Duplo Suicídio em Amijima( Japão,1969 – 104 min.) de Masahiro Shinoda



Uma estranha e terrível história de amor  entre um homem casado e uma gueixa.

Incapazes de levar a relação adiante eles decidem:farão amor uma última vez antes de cometerem suicídio.



Uma das obras-primas da Nouvelle Vague japonesa, ousada fusão de cinema, teatro e bunraku (teatro de bonecos).

Grátis !

 
** Após o filme,  exibiremos cenas de “Cega Obsessão” de Yasuzo Masumura.

Espaço Cultural Gambalaia – R. das Monções, 1018



Santo André - SP - f. (11) 4316-1726



http://www.gambalaia.com.br/



terça-feira, 31 de maio de 2011

DARIO ARGENTO- 4

A importância da cor Vermelha em suspiria  

Em Suspiria uma cor domina todo o filme: o vermelho. Ou melhor, domina a parte fantástica do filme, aquela partir do momento em que Susan deixa o aeroporto(a civilização) onde tudo é meio cinza, meio apagado. Uma figura,ainda lá, parece um prenúncio(como a chuva- ver post anterior) do mal: a mulher de vestido vermelho que passa apressada e é um corpo estranho, um fogo-fátuo em meio à calmaria. Por um rápido instante, o vermelho envolve Susan como vemos na imagem abaixo.


Antonioni, cineasta-pintor por excelência,como nos lembra Jacques Aumont, é um desses que utiliza as cores de maneira extremamente bem pensada:

“seu gosto pelas dominantes cinza (todo filme de Antonioni mostra a névoa), para fazer ressaltar melhor aí,como manchas fantásticas, a chama amarelo-limão das tochas de O deserto vermelho, as cores bem berrantes de Blow-up”.

Como já foi dito aqui, as cenas de Argento são construídas como pinturas e em Suspiria isso é ainda mais radical porque a imagem muitas vezes fica praticamente estática, convidando à contemplação. Nesses momentos Argento parece brincar com a arte abstrata, usando linhas, cores e os corpos das vítimas para criar uma imagem espantosamente bela. Não é por outro motivo que o sangue é de um vermelho vivo, que nos remete mais ao pigmento, à tinta, do que propriamente ao sangue real. A cena da garota pendurada no teto da escola é exemplar. Vemos ela morta, depois o chão, preto e branco. Em seguida goteja o sangue vermelho que começa a se espalhar, como se um artista o estivesse tivesse respingando com um pincel. E ela despenca junto dos cacos do vitral também vermelho.












O vermelho puro foi tradicionalmente usado na pintura figurativa para representar o fogo do Inferno, afinal é uma cor que,em demasia, gera  irritação, incômodo.

 Basta olharmos para a tela “A Morte da Virgem” (1605-06) de Caravaggio e sentir todo o incômodo do vermelho que torna a atmosfera asfixiante e nos passa sensação de temor, sofrimento e pesar.


Argento sabia bem disso quando fez a escola (fachada e interior) ser vermelha. Quanto mais Susan mergulha nos  domínios do mal, mais essa cor parece a envolver(e a nós também).


PS . Na última postagem da série, o cinema  "barroco" .

segunda-feira, 30 de maio de 2011

DARIO ARGENTO- 3

Suspiria

Um conto de fadas de horror


Para este filme Argento fez questão de trabalhar com o Technicolor, sistema já ultrapassado que tinha o inconveniente de empobrecer as nuances de cor. Para ele isso não era problema, pelo contrário, por que realçava as cores puras (tornando o vermelho ainda mais gritante) numa tentativa de mimetizar a paleta de cores do desenho animado da Disney, Branca de Neve. Por bom motivo: o sobrenatural, que ganhava espaço sobre o racional filme a filme, aqui toma conta e Suspiria, com a história de uma jovem bailarina que desce num aeroporto rumo à um prédio antigo e assutador no meio da floresta, não é outra coisa que não um conto de fadas, como aliás entrega o narrador em off logo antes dos créditos, como alguém que diz “era uma vez...”.


De fato há ainda a persistência do racional na presença de especialistas que “explicam” a bruxaria, no entanto não é a lógica que sustenta o filme, pelo contrário, desaba diante dele. Coisas acontecem sem explicação alguma ,como um braço que assassina um das jovens do internato. De onde vem? De quem é? Não se sabe.

Ocorre de início em Suspiria a cisão entre espaços, o moderno (civilizado) e o antigo (domínio do sobrenatural). A chuva torrencial com que a bailarina Susan Baynion é recebida no aeroporto é ao mesmo tempo a barreira a ser rompida entre os dois mundos mas também presságio do mal que virá. Sua volta, ao final do filme, induz mais ao mal-estar do que ao alívio,com seria comum. Ela não é um banho na alma, metáfora de purificação ou liberdade. Dado sua primeira aparição sinistra, indica uma permanência do mal , sua mutação, de fogo em água. Nisso Argento parece nos levar de volta à chuva que impede a fogueira de matar Asa, a princesa-bruxa de Máscara do Demônio, monstro ressurreto tal qual a Helena Markus de Suspiria.


De fato há ainda a persistência do racional na presença de especialistas que “explicam” a bruxaria, no entanto não é a lógica que sustenta o filme, pelo contrário, desaba diante dele. Coisas acontecem sem explicação alguma ,como um braço que assassina um das jovens do internato. De onde vem? De quem é? Não se sabe.

Ocorre de início em Suspiria a cisão entre espaços, o moderno (civilizado) e o antigo (domínio do sobrenatural). A chuva torrencial com que a bailarina Susan Baynion é recebida no aeroporto é ao mesmo tempo a barreira a ser rompida entre os dois mundos mas também presságio do mal que virá. Sua volta, ao final do filme, induz mais ao mal-estar do que ao alívio,com seria comum. Ela não é um banho na alma, metáfora de purificação ou liberdade. Dado sua primeira aparição sinistra, indica uma permanência do mal , sua mutação, de fogo em água. Nisso Argento parece nos levar de volta à chuva que impede a fogueira de matar Asa, a princesa-bruxa de Máscara do Demônio, demônio ressurreto tal qual a Helena Markus de Suspiria.

Os sons e o olhar

Se há um sentido profundamente enganoso em Suspiria, este é o olhar. É por meio dele que se comete todos os equívocos, é ele quem induz a julgamentos errados. Não à toa o personagem do pianista cego, antes de todos (e mesmo antes de nós, espectadores guiados pela visão) é que sabe o que realmente ocorre na mansão. “Eu sou cego, não surdo” ele sai dizendo ao ser expulso. A morte chega também para a garota que contempla sua imagem refletida na janela, durante uma noite chuvosa.


De fato, se o olhar é enganoso, a audição é indício constante da presença do mal.A trilha sonora composta pela banda de rock progressivo Goblins incorpora sons diversos, gemidos, sussurros que conferem vida ao inanimado e indicam essa presença fantasma, esse mal que percorre os domínios da mansão mas que em momento aalgum tem forma definida. Pelo contrário, ele(ou ela) é a indefinição completa, expressa somente pelos sons e por “imagens” que nada mostram. Como diz Jean Baptiste-Thoret:

“Quando o personagem penetra no lugar, o espaço subitamente se anima: gemidos e ruídos estridentes surgem na trilha sonora, sombras e manchas luminosas desfilam nas fachadas, até que um movimento de câmera- encarregado de reproduzir o ponto de vista ( ou o espírito?) de uma gárgula- fende o ar até o centro da praça. Tudo concorre aqui a movimentar o espaço, a transmitir a sensação de uma atividade espiritual ou orgânica, como se no coração destas estruturas imóveis palpitassem forças vivas e desconhecidas"

segunda-feira, 23 de maio de 2011

DARIO ARGENTO- 2

OS FILMES GIALLO


Apesar de Suspiria ser um dos melhores filmes de horror já feitos e a obra-prima de Dario Argento, o diretor estreou em 1970 com “O Pássaro das Plumas de Cristal” , filme do gênero giallo que,aliás, o fez célebre. Giallo na Itália é um gênero amplo, que engloba todo tipo histórias de mistério, trillers e suspense, freqentemente com um sujeito qualquer, que investiga crimes ajudando(ou à margem) da polícia. O nome vem de livrinhos baratos de capa amarela com tramas meio ao estilo Agatha Christie,bastante populares por lá.

Argento não era um novato, claro. Já tinha uma carreira como crítico de cinema em Roma quando, junto de Bernardo Bertolucci, escreveu o roteiro de “Era uma vez no Oeste”(1968), para Sergio Leone.

O Pássaro das Plumas de Cristal e seu filme seguinte, “O Gato de Nove Caudas”(1971), valeram a Argento o apelido de “Hitchcock italiano”, mais pelo estilo utilizado em algumas das cenas do que pelas tramas (o diretor inglês não fazia filmes de mistério*). Desde o primeiro longa algumas marcas já se impõem: um personagem cego, animais ocupando parte importante da trama ,a presença de um personagem masculino fraco, dominado por mulheres cruéis e mortes chocantes cujas vítimas freqüentemente são...mulheres.

As cenas ultra-violentas,aliás, se tornam a assinatura do diretor italiano,que faz o possível para se superar a cada filme. Mas também é marcante o fato do herói ser alguém de certa forma(ou amplamente) impotente perante os acontecimentos(em “O gato...” é um cego) e cujos erros na investigação não raramente causam mortes inocentes.

“O Gato...” traz uma guinada em relação às tramas tradicionalmente racionais dos giallo,feitas de deduções lógicas coerentes: a influência do absurdo, inexplicável, do fantástico. O desfecho do filme parece absurdo, incoerente, o que irrita muita gente.
                                                               "O Gato de Nove Caudas"

Seus filmes seguintes, apesar de não abrirem mão de personagens e tramas racionais, pendem cada vez mais para o fantástico. O ápice antes da guinada é “Profondo Rosso”,de 1975, que marca também a aproximação de Argento com o chamado cinema “de arte”, especialmente Michelangelo Antonioni.

A guinada,claro, é Suspiria, quando o fantástico toma a forma do horror e a investigação racional chega a ser quase um corpo estranho no organismo do filme. Quase.
 Cena de "Profondo Rosso"



* Hitchcock usava um exemplo para diferenciar suspense de mistério. No filme de mistério o assassino ou culpado só é revelado ao público e aos demais personagens no final. Trata-se de uma surpresa. No suspense sabe-se de início quem é o culpado(ou algo assim), mas os personagens,no entanto, ignoram.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

DARIO ARGENTO-1


Mario Bava

Não da para falar em Dario Argento, diretor de Suspiria, sem recorrer ao nome de Mario Bava, cineasta italiano que estreou tarde na direção(aos 46 anos)mas com uma dessas obras de impacto profundo, La Maschera del demônio.O filme, de 1959, é também chamado de “Mask of Satan” ou “Black Sunday”, dependendo do país e da versão, por causa da implicância dos censores da época com a violência inédita do filme.

A Máscara do Demônio(vamos chamar assim) reciclava o visual dos filmes da Universal Pictures dos anos 1930 e 40 para contar a história (baseada no conto “Viy”do russo Nikolai Gogol) de uma princesa do séc 17, Asa (interpretada por Barbara Steele, de “8 e ½”), condenada por seu próprio irmão, um inquisidor, por bruxaria e vampirismo.Sua pena é ter cravada no rosto uma máscara de ferro cheia de espinhos metálicos antes de ir para a fogueira. Asa promete retornar à vida e vingar-se de sua descendência.

A sequência de abertura , principalmente o golpe de marreta do carrasco no rosto de Asa, chocou a audiência e continua poderosa ainda hoje. Estaria fincada (com perdão do trocadilho) uma da bases do horror italiano, as cenas ultraviolentas.Visto então, o Drácula de Bela Lugosi parecia desconcertantemente ingênuo.



Mas fosse só por isso, A Máscara do Demônio não teria tido uma sobrevida mais longa do que a princesa Asa. Mario Bava demonstrou domínio pleno do preto-e-branco e um uso espantoso do jogo de luz e sombras(impressionante mesmo se comparado às obras da Universal Pictures) e da composição de cena que fazem o espectador esquecer algumas seqüências canhestras(até para a época) como um desajeitado morcego que ataca os invasores da cripta onde está a vampira. Bava compunha as cenas como um pintor “barroco”(vamos tratar disso adiante).

Com frequênca a câmera está em posição desconcertante e os objetos de cena ainda mais, quase colados nela, deixando os atores lá no fundo, numa perspectiva em diagonal.
Ou a ação principal é deslocada do centro para as lateriais da tela, deixando grandes áreas "livres" criando uma beleza literalmente assustadora. As cenas são para ser admiradas como belas pinturas, isoladas mesmo de seu contexto.
Tudo isso gera uma estranheza, um mal-estar que não passa desapercebido pelo espectador. 


Mario Bava não ficou restrito aos filmes de horror, até porque eles não eram populares na Itália,na época. Aventurou-se por um outro gênero, o giallo, que faria famoso Dario Argento, que soube absorver todas as lições do mestre, desde a violência chocante ao domínio da luz e da composição de cena.
A isso voltamos na próxima postagem.


terça-feira, 10 de maio de 2011

CINECLUBE GAMBALAIA -13/05 meia-noite

CINECLUBE GAMBALAIA especial
Sexta Feira 13 ! apresenta, à meia-noite:
 Suspiria(Itália, 1977 – 98 min.)  , de Dario Argento 
Uma jovem bailarina desembarca num aeroporto rumo à mais prestigiosa escola de dança da Alemanha.No entanto o estranho comportamento das professoras e acidentes bizarros a levam a crer que o local é tomado por forças sobrenaturais e à certeza de que não deve confiar em ninguém.


Assitir a Suspiria é como estar preso num pesadelo” 
- John Carpenter

Um conto de fadas macabro, barroco e psicodélico, com impressionante trilha sonora da banda de rock progressivo The Goblins, "Suspiria" é a obra-prima de Dario Argento e um dos melhores fiLMes de horror de todos os tempos.
 Não perca...é   GRÁTIS !
Espaço Cultural Gambalaia – R. das Monções 1018  - Santo André- f. 4316-1726   
 





quinta-feira, 31 de março de 2011

CINECLUBE GAMBALAIA -07/04

Dia 07 de abril ,  às 20h, o CINECLUBE GAMBALAIA exibe

 
“Jejum de Amor” (His Girl Friday,1940 – 92 min.)de  Howard Hawks



Uma homem condenado à forca. Políticos querendo lucrar com sua morte. Jornais idem. A verdade por detrás de tudo,no entanto, rende uma matéria ainda mais escabrosa mas que pode nunca ganhar vida porque Hildy Johnson (Rosalind Russell) a melhor de todas as repórteres decidiu abandonar o jornalismo e trocar o ex-marido (e ex-editor) pela vida pacata ao lado de um corretor de seguros.

Walter Burns (Cary Grant)tem só até sexta feira para salvar um condenado, trazer de volta sua repórter e , de quebra,conquistar seu coração. Nem que para isso infernize a vida de sua amada de todas as maneiras possíveis!



ENTRADA GRATUITA !

***
Meia hora antes da sessão rola boa música no nosso “tocacedês”; desta vez será o jazz dos anos 1940, com o melhor da incomparável big band de Duke Ellington e do inspirado clarinetista Sidney Bechet.



Na meia-hora seguinte ao filme, uma mini-palestra esmiuçando a obra de Howard Hawks e exibindo trechos de outros filmes do diretor que inspirou a geração da nouvelle vage a construir o conceito de “cinema de autor” e imprimiu sua marca em comédias, westerns, film noir e outros gêneros.




Espaço Cultural Gambalaia – R. das Monções, 1018


Santo André - SP - f. (11) 4316-1726

 http://www.gambalaia.com.br/

sexta-feira, 18 de março de 2011

O ROCOCÓ

Teatralidade e persuasão são as palavras chaves para se entender o período artístico imediatamente anterior a rococó, o barroco e com o qual há mais semelhanças do que diferenças. Era como se as figuras retratadas em suas pinturas (caravaggio, oos  irmãos  Carracci) e esculturas (Bernini)  fossem flagradas no momento mais impactante e comovente de uma cena de teatro . Vale ressaltar que não é o caso aqui de traçar a diferença entre barroco nórdico(protestante) e católico, vamos ficar mais com o último caso.



O Milagre de Sant´Anna,  Bernini


 Giulio Carlo Argan nota que
 “Em ambos os casos(católico e protestante) a religião preocupa-se mais em dirigir as escolhas e os comportamentos humanos do que em contemplar e descrever a lógica providencial do universo

Essa "lógica do universo" era a "alma" da arte dos dois séculos anteriores, o período  do renascimento.

As igrejas católicas barrocas (até por oposição à austeridade protestante) flertavam com o exagero e buscavam mostrar-se como uma antessala do paraíso que permitisse ao devoto um breve contemplar da glória divina. Para isso, o excesso pinturas, imagens, esculturas, colunas e,sobretudo,muito ouro.

                 Biblioteca do mosteiro de Melk

Dos arquitetos desse período, E.H Gombrich diz que
abandonavam todas as limitações(...)Há nuvens por toda a parte com anjos tocando música e gesticulando na bem-aventurança do Paraíso. Alguns pousam no púlpito, tudo parece mover-se e dançar,e a arquitetura que cerca o suntuoso altar parece oscilar ao ritmo dos cânticos jubilosos. Nada era normal ou natural em semelhante igreja,nem pretendia ser” .

A vida das cortes era também marcada pela teatralidade, por um excesso de regras de etiquetas e de conduta próprias de uma classe que não tem grandes obrigações e cujo maior orgulho era o ócio. As pequenas intrigas, os flertes amorosos são seu grande passatempo (a noção de família, amor e ciúmes eram bastante diferentes então a ponto da figura do/a amante ser quase uma instituição).

Quando chegamos à França do Rei Sol, Luís XIV(1638-1715), assistimos à transferência dessa lógica da teatralidade da arquitetura sacra para a das cortes. Ou, o que se chama de arquitetura rococó. Como nota John Summerson há mais semelhanças do que diferenças:

Tenho certeza de que ´retórica´ é a palavra chave. Nesses edifícios, a linguagem clássica é empregada com força e drama para vencer nossa resistência e nos persuadir da da verdade que elas têm a comnicar-seja a glória dos invencíveis exércitos britânicos,seja a magnificência suprema de Luís XIV,ou ainda a abrangência universal da Igreja Romana.”

O palácio de Versalhes, construído entre 1655 e1682 não busca outra coisa senão a ostentação, a criação de um mundo fantástico e artificial habitado pela nobreza. E a moda pega no sul da Alemanha(o norte é protestante) , Áustria e outros países católicos onde casas de campo de nobres ganham  pequenas cascatas,jardins labirínticos trasnformando-se em verdadeiros cenários teatrais, no qual seria vivida com mais  desenvoltura o jogo de aparências dos nobres,  regado a saraus e festas intermináveis. Era o perfeito contraste com as ruas escuras, imundas e violentas das cidades 

No entanto Luís XIV era um rei de tamanha onipresença que basicamente toda pintura de seu período produzida na França era um classicismo grandiloquente voltada quase que unicamente à sua glorificação(ou à de fatso históricos dão reino). A arte,tal como seu governo, era centralizada em sua figura.





                                                                                            Palácio de Versailles
É com sua morte e a  ascensão de Luis XV que as coisas mudam substancialmente tanto para o governo quanto para a pintura. O novo rei comporta-se como um mero mortal, despreza toda  a liturgia do trono que marcava seu antecessor. Jean-Chrsitian Petitfils, diz que
 “o belo relógio da etiqueta-com seus horário imutáveis-acaba desregulado:o cerimonial do despertar e do deitar varia em função das noites passadas com as amantes e do sono ser recuperado. Luis XV prefere refugiar em seus gabinetes,proteger sua vida privada do olhar alheio”.

É exatamente esse desprezo pela teatralidade que o tornará um monarca desprezado, não-sagrado e, de “protetor do rebanho”, a um mero tirano.

Sem o vórtice que era Luis XIV os pintores agora podiam atender aos nobres que queriam,sobretudo, ver seu ideal de vida nas telas. É o que chama-se de pintura rococó.E aqui a cisão é drástica com o barroco. Para José Manuel Pita Andrade era uma arte marcada pela “intimidade, ligeireza,às vezes voluptuosidade”.
São cenas de vida campestre, onde músicos fazem serestas para donzelas enamoradas em cenários irreais. Um elogio ao ócio, à alegria de viver, à beleza dos pequenos prazeres.

Há certamente diferenças marcantes entre nomes como Antoine Watteau(1684-1721) , François Boucher(1703-1770) ou Jean-Honoré Fragonard (1732-1806) e uma breve descrição com a feita aqui pode levar o leitor a pensar que se tratava de uma arte vulgar, menor, o que não é o caso. Para não nos extendermos, o que separa a pintura rococó da arte de um  Renoir  (pra ficar no exemplo da postagem anterior) é mais a técnica da pincelada do que a temática.

     Os felizes azares do balanço (1717)- Jean-Honoré Fragonard

 

De qualqer modo era a arte feita para uma classe que ingenuamente não se apercebia do rufar dos tambores que lhes alcançariam em 1789, com a Revolução Francesa. Que não via que os privilégios conseguidos mil  anos antes, como a isenção de impostos, eram profundamente  atrasados e que, atrasada também era a França, que ignorava a Revolução Industrial ocorroida na Inglaterra e que mudava o ritmo da vida das pessoas(da badalada  dos relógios da igreja para a contagem do ritmo das máquinas a vapor) e também dava nova feição à arte.
A revolução Francesa traria o fim desse modo de vida e também da arte e arquitetura rococó.

 














Peregrinação à ilha de Citera(1717) Antoine Watteau



Diana saindo do banho, François Boucher  


Fontes consultadas

Imagem e Persuasão (Companhia das letras)  - Giulio Carlo Argan

A História da Arte (LTC) - E.H.Gombrich

A linguagem clássica da arquitetura
(Martin Fontes) -  John Summerson

História Geral da Arte Pintura - vol2 (Altaya) -  Vários autores

Revista História Viva Especial Grandes Temas nº.2- A Revolução Francesa

FILMES
O historiador  Marc Ferro recomenda todo o cuidado do  mundo com o cinema para exemplificação de momentos históricos. Para ele,  por melhor que seja a reconstituição, ainda é a visão de  um diretor e não deve sob hipótese alguma ser tomado como documento histórico. Com esse cuidado em mente  e mais  outro(um fiolme é uma obra de arte, não deve ser reduzido apenas á fidelidade histórica ou servir apenas de muleta para professores) , recomendo os três filmes abaixo:

Maria Antonieta (2006), Dir. Sofia Copolla - – A era essa vida de frivolidades de uma nobreza imersa em seu mundo de fantasia e  que sequer  se apercebe da grande tragédia que está por fim, a Revolução Francesa e a decapitação do casal real. A saída de Maria Antonieta (Kisrsten Dunst) do palácio de braço dado com as filhas é de  uma tristeza imensa.
 
Casanova e a Revolução (1982) Dir. Ettore Scola - Reconstituição cuidadosa para mostrar o  símbolo e perfeita metáfora da nobreza, o conquistador Casanova  (Marcello Mastroianni), envelhecido  (como sua instituição) e contemplando um mundo que já não existe mais de dentro de uma carruagem, último refúgio de sua antiga condição. 
 
Ligações Perigosas (1988) Dir.Stephen Frears - Para driblar o tédio, nobres franceses do séc 17 divertem-se armando jogos de conquista amorosa e intrigas sexuais.