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terça-feira, 5 de maio de 2009

A GRIPE GLOBALIZADA


Uma gripe causada pelo pouco asseio dos criadores de porcos mexicanos se espalha rapidamente pelo país. Com a incrível facilidade e rapidez de circulação de pessoas de um país para o outro, nações entram em alerta contra o risco de uma pandemia mundial. O apelido dado à doença no México, gripe suína, viaja na velocidade da internet e se espalha pelo mundo, provocando em populações inteiras o medo infundado de consumir carne de porco. O inesperado equívoco (que agora a imprensa tenta desfazer, divulgando o complicado nome correto, "gripe A- H1N1") derruba as exportações de carne suína, prejudicando a economia de muitos países e causando desemprego. "Jornalistas" irresponsáveis como José Luís Datena criam factóides como "alerta geral- suspeita de gripe suína no Brasil" para ganharem mais um ou dois pontos de audiência.

Atualmente são 1.085 casos confirmados pela OMS em reuniões de teleconferência, 590 deles no México. No entanto,para frustração de Datena, nenhum deles no Brasil.

Enfim, é uma doença da era globalizada.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

A SOCIEDADE EM REDE


Para melhor estudarmos a sociedade globalizada (sobre a qual já discorri brevemente ao tratar da música e fotografia digital em janeiro deste ano), trago 3 filmes:Kairo, de Kiyoshi Kurosawa ( Sonata de Tóquio), terror de 2003 que permanece inédito no Brasil, mas que nos EUA é também conhecido como Pulse, mesmo nome da refilmagem ( essa sim saiu por aqui) que traz o selo “Wes Craven apresenta” e tem a gracinha Kristen Bell, das séries "Heroes" e "Verônica Mars". O outro é o suspense de 2007, Fim dos Tempos, de M.Night Shyamalan, diretor que conseguiu escapar do rótulo de criador de filmes com final surpresa e que fez aquele que é a maior crítica à política do medo e à obsessão pelo isolamento norte-americanas, A Vila.
Por fim a animação que está com as duas mãos mecânicas na estatueta da categoria no Oscar deste ano, Wall-E, de Andrew Stanton (do bacana Procurando Nemo).
Estes três filmes apresentam, cada um à sua maneira, uma visão crítica da sociedade ocidental contemporânea que ao mesmo tempo em que conecta virtualmente todos os indivíduos através da Rede, promove o isolamento destes mesmos indivíduos.


A SOCIEDADE DO ISOLAMENTO
Manuel Castells, em seu livro A Sociedade em Rede assinala que o início desta sociedade está nos anos 1980 – é o início da sociedade globalizada, quando o maior bem não é mais o dinheiro, como fora no séc XX ou o produto, como até então- e cita um relatório elaborado pela Fundação Européia para a Melhoria de Vida e Ambiente do Trabalho, em que se destaca uma tendência crescente rumo a um individualismo cada vez mais acentuado. Há uma nova (naquele momento) tendência, que é a diminuição dos núcleos familiares, que contam com cada vez menos indivíduos, em virtude da alta no custo de vida e que passam a residir na chamada “casa eletrônica”, caracterizada pelo grande número de aparelho eletrônicos e também pelo maior espaço disponível por pessoa. Os aparelhos eletrônicos são portáteis (e parece bobagem explicar isso hoje!) e possibilitam que cada indivíduo organize seu tempo e espaço como melhor lhe convier o que acarreta num enfraquecimento de laços sociais. Exemplificando: comidas congeladas e forno de microondas permitem que que cada um faça as refeições no momento que lhe for mais conveniente assim como o barateamento dos aparelho de TV permitem que cada membro da família assista a seu programa preferido em um cômodo diferente da casa. O MP3 player (que não é senão outra versão do walkman dos anos 1980) faz da experiência de se ouvir música algo tão individual quanto os jogos eletrônicos, que num primeiro momento com o videogame e depois com os jogos em rede, fazem com que a experiência de se disputar uma partida seja partilhada por, no máximo mais uma pessoa. Os laços familiares tendem a ser mais rarefeitos do que aqueles nas casas em que ainda existe o ritual de se almoçar e jantar todos juntos, de assistir ao mesmo programa de tv ou disputar partidas de jogos de tabuleiro.
Um passatempo tradicionalmente coletivo, o Karaokê (que em 1991 estava presente em 100 % dos hotéis japoneses), deixa de ser o compartilhamento do canto desengonçado de uma pessoa , com participação de um coro igualmente sem talento (e provavelmente alcoolizado), para uma diversão individual cujo objetivo é seguir certos padrões cujos pontos “avaliam’o nível de talento do cantor amador.
Também nos 1980 o videocassete, que permitia pela primeira vez com que as pessoas gravassem os programas e os vissem no momento apropriado foi o primeiro golpe no horário nobre das tvs e um antecessor do fenômeno de se baixar séries televisivas potencializa a experiência de se ver tv (hoje na tela de um computador pessoal) numa experiência individual compartilhada apenas virtualmente com outras pessoas através de fóruns de discussão pela internet.
A sociedade da comunicação, ironicamente, isolou seus indivíduos e é a partir deste ponto de vista que analisaremos os filmes.

PULSE
Kiyoshi Kurosawa (nenhum parentesco com Akira Kurosawa, de "Os Sete Samurais") nos traz a história de pessoas mortas que começam a se comunicar com os vivos através de computadores conectados à internet. As pessoas que estabelecem contato com esses fantasmas morrem, desaparecem ou apenas desmancham-se como poeira até que o mundo começa a ficar completamente desabitado.
Kurosawa vê com maus olhos o mundo contemporâneo em que cada vez mais pessoas se tornam seres imateriais, cuja existência só se dá em rede, através da internet.

WALL-E
“Relacionamento? O último encontro holográfico que tive foi um desastre virtual !”
Esta é a frase dita por uma mulher enorme, tão gorda quanto todos os humanos que habitam a nave espacial onde o robozinho Wall-E vai parar em busca de sua amada, a também robótica EVA. Além de uma violenta crítica do consumismo, aspecto que mais chamou atenção da crítica, Wall-E toca fundo na questão do isolamento humano. Todos, ainda que sentados lado-a-lado em suas poltronas flutuantes, se comunicam através de sites de relacionamento. As conversas e amizades são mediadas pelo computador. Só num momento crítico, quando o vilão, espécie de Hall-9000(o computador de 2001-Uma odisséia no Espaço) cria uma turbulência na nave e as poltronas tombam é que as pessoas passam a enxergar umas às outras (e não mais suas fotos na internet) e, num gesto significativo, dão as mãos débeis uns aos outros, o que lhes resgata a humanidade que estava deformada e salva-lhes as vidas.

FIM DOS TEMPOS

Suicídios em massa misteriosamente se propagam como uma epidemia pelos EUA. Entre o pânico generalizado, algumas percebem que o causador de tudo isso é a própria natureza, que através das plantas libera toxinas que induzem as pessoas a tirarem suas próprias vidas. A ameaça leva as pessoas a se reunirem em grupos cada vez menores (fica provado que grupos grandes são atacados primeiro). Se o ataque é uma retaliação da natureza pelas agressões sofridas (isso propositalmente não será explicado) ele o faz destruindo o que de mais forte há entre os homens, seus laços sociais -e fica claro que uma sociedade que mina estes laços é uma sociedade que se destrói- até que só restem (no perímetro do ataque) duas pessoas isoladas uma da outra, significativamente um casal que estava à beira do divórcio. Numa construção antiga, cuja curiosa acústica permite a propagação do som (e a comunicação) entre casa principal e uma menor, bem próxima, o casal se põe a conversar amigavelmente, acreditando ser aquele seu último dia de vida. A comunicação à distância, mediada por um mecanismo difusor de som (no caso de WALL-E são os computadores) lhes parece patética e é então que decidem desafiar a morte e sair a campo aberto e se encontrarem pela última vez. Um gesto idêntico ao de WALL-E, o de dar as mãos vem apenas no momento mais crítico, quando tudo que importa é afirmar a humanidade, tão debilitada pelo isolamento.
Mal decorrente da globalização, o isolamento, tal qual a praga verde se propaga então, do centro econômico do mundo (Central Park) para outras fronteiras.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

MÚSICA E FOTOGRAFIA NA ERA DIGITAL


Há muito a elogiar no advento do MP3; ele permitiu um acesso à música sem precedentes e por isso mesmo abalou a indústria fonográfica, que vivia de nos fazer acreditar que certas músicas eram sucessos (quando na verdade eles pagavam pelos primeiros lugares nas “mais pedidas”das rádios e por aparições em programas de TV) e de cobrar preços absurdos pelos CDs o que elitizava o consumo. No entanto o MP3 é só a decorrência de uma cultura digital que começou com o fim do suporte analógico, ou seja o disco do vinil, no caso da música, e do filme, no caso da fotografia e do cinema.
Com o vinil havia (e ainda há, para os colecionadores) uma relação completamente diferente com a música do que há, por exemplo, com o CD. É uma relação afetiva por envolver contato, toque. Pode parecer bobagem, mas o ritual de retirar o disco da capa de papelão, decidir qual dos lados pôr para tocar e, em seguida, aproximar a agulha cuidadosamente da faixa escolhida é infinitamente mais afetivo do que colocar um CD para tocar. Este, é claro, é mais prático, pode ser levado no carro (dispensando as cópias em fitas K7) e permite a reprodução em qualquer computador portátil com a mesma qualidade do original.
A opção pela praticidade logo de cara vitimou o impacto da arte das capas dos discos, que em virtude do formato pequeno dos CDs perderam em valor. Quem quer que já tenha visto o “Sgt. Pepper’s ”, dos Beatles em vinil e em CD sabe bem do que estou falando. No disquinho, as inúmeras personalidades que rodeiam o Fab Four vestido em trajes vitorianos não são mais que um borrão. Que as pessoas pouco se importem com o fato de, ao copiarem um CD, não tenham a capa original, mas apenas um disco num saquinho de papel, não é de se estranhar. Alguém pode lembrar que a capa nunca impediu ninguém de gravar fitas K7, mas estas raramente substituíam um disco, eram sempre uma última opção.
Era significativo o hábito (aliás, abominado pelos colecionadores) de escrever nas capas dos discos de vinil, fosse o próprio nome, fosse uma mensagem a quem ele fosse dado de presente. Quase sempre colocava-se uma data. Isso deve ser entendido hoje menos como desleixo e mais como relação afetiva, de declaração de posse, uma marca.Alguém se lembra de ter visto muitos CDs com declarações, datas de compra ou mesmo nomes?
O impensável se fez real com o MP3, que é virtual, portanto não tem existência real. E é impossível qualquer relação afetiva com algo meramente virtual, que pode ser descartado a fim de se liberar espaço no tocador. Transfere-se um arquivo do computador para o celular ou para um tocador e dele para o aparelho de som do automóvel sem sequer tocar nele. Seu melhor destino é “queimar”uma mídia. O termo queimar é significativo do pouco apreço pelo meio físico sem cara definida.

A Fotografia
Talvez o caso mais interessante (pela naturalidade com que foi aceito) é o da fotografia.
Assim como houve uma perda gradual de qualidade sonora do vinil em direção ao MP3 sem que ninguém se importasse com isso, com a fotografia aconteceu o mesmo.
E mais uma vez o ritual cede lugar ao prático. Antes havia o processo de colocação do filme e a posterior revelação, que levava de um a dois dias. Mas o principal era o fator limitador do número de fotos contidas no filme (12,24 ou 36) que, em virtude do preço da revelação, fazia com que só fossem batidas as fotos consideradas de certa forma importantes ou interessantes. Ou seja, o momento retratado (mesmo que banal) era aquele que tinha alguma relevância emocional para quem fotografava . Não surpreende ninguém dizer que,com a quantidade gigantesca de fotos tirada num só dia numa máquina digital, todas elas tenham seu valor diluído.
As fotos são “assistidas”, seja lado a lado (minúsculas) nos álbuns virtuais ou passadas em velocidade na telada TV.
Assim que passaram pela tela elas deixam de existir. Nossas memórias são, por assim dizer, apenas fantasmas, afinal não se toca mais nelas tanto quanto não se toca mais nos discos.
Essa “desmaterialização” é parte de uma cultura radicalmente individualista sobre a qual eu vou me deter mais cuidadosamente quando tratar dos filmes Wall-E, Pulse e Fim dos Dias.
Já o pouco valor sentimental que damos às fotos e músicas virtuais pode ser entendido como decorrência de uma sociedade imediatista, de satisfação imediata das necessidades, o que implica numa aceleração geral (e no individualismo). Toda atividade contemplativa é ferida de morte nesta sociedade, que tem pouco tempo para “jogar fora”. Indico um texto Alpharrabio é também livraria postado no blog do Espaço Cultural Alpharrabio, escrito pela poeta e livreira Dalila Teles Veras , disponível em http://blog.alpharrabio.com.br/
Veras fala sobre a necessidade da contemplação, de se perder tempo dentro de um sebo e se deixar levar pelos livros, de deixar que eles o seduzam ao invés de ir a uma livraria buscar algo que se precise, simplesmente.
É este perder-se (com a experiência musical, fotográfica, literária) que nossa sociedade precisa reencontrar.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

NELSON RODRIGUES E O LEMA " O QUE FAZ VOCÊ FELIZ?"

O conto O Pastelzinho, de Nelson Rodrigues, que pode ser lido no livro “A Coroa de Orquídeas e outros contos de A Vida como ela É” (Companhia das Letras) é um dos cinco encenados pela Cia Paulista de Artes na peça As Noivas de Nelson, que tem direção e adaptação de Marco Antônio Braz. Segue um trecho:

“Muito carioca, estabanado, Sérgio mudava diante da noiva assim doce e assim macia. Sem querer, ele a tratava com relativa e involuntária cerimônia. O chamado “beijo bem molhado”era a máxima liberdade formal que se permitia. Mas, na véspera do casamento, ela o chamou de lado.No seu jeito manso, começou:
- Vou lhe pedir um favor, meu filho.
Abriu-se:
- Pois não!
E ela:
- Eu não queria que você falasse mais em “beijo molhado”. Acho tão sem poesia!
Pela primeira vez, Sérgio quis resistir:
- Mas,meu bem,escuta cá- por quê?
Explicou:
- É o seguinte: - quando você fala assim eu penso logo em saliva.
O outro animou-se:
-Mas é por isso mesmo!A graça do beijo está, justamente, na saliva meu anjo.-E insistia, já inspirado:-Na mistura de saliva.
Dalva encerrou a discussão com sua doçura irredutível:
- Eu não penso assim.
Sérgio transigiu, imediatamente:
- Está bem, coração. Todo meu interesse é de te agradar
.


Acerca dos personagens de Nelson Rodrigues, Ruy Castro diz na apresentação do livro “O Melhor do Romance, Contos e Crônicas” (Companhia das Letras/Folha de São Paulo) que eles são “homens de bem, senhoras honestas e virgens de catorze anos, roídos por fantasias inconfessáveis”.
É interessante notar o quanto isso mudou, o quanto a sexualidade reprimida dos tempos de Nelson (e que levava seus personagens a situações constrangedoras e de desespero) hoje é escancarada. Basta dizer que qualquer celebridade de quinta categoria hoje faz um filme pornográfico e vai a programas de TV divulgar seu “trabalho”. Isso não pode ser explicado apenas pelo que se chamaria de “evolução dos costumes”, mas sim por uma cultura que privilegia o prazer e a felicidade do indivíduo acima de tudo. A evolução ocorreu sim e uma peça como Beijo no Asfalto, em tempos de Parada Gay, soa até estranha. E se um dia já foi considerada valorosa e “decente” a mulher que permanecia virgem até o momento do casamento, hoje ela é motivo de, no mínimo, estranheza. Mas há mais do que apenas a evolução da sexualidade rumo a uma maior liberdade.
Hoje a obrigação é ser feliz, e o que conta mesmo é o Indivíduo, e não há porque se colocar entraves à satisfação de nossos desejos (sexuais, de consumo ou de outra ordem). Daí muito daquilo que antes era moralidade ser hoje tabu, (por exemplo, a virgindade).
A publicidade o tempo todo nos mostra imagens de pessoas felizes (O que faz você feliz? -nos pergunta um anúncio da rede Pão de Açúcar) e que assumem uma postura vitoriosa diante da vida. Ficamos assim numa obrigação de sermos “vencedores” e “felizes” (passando por cima de tudo quanto de abstração há nestas palavras). Se não nos encaramos nem como vitoriosos nem como felizes (e se todo sofrimento é inaceitável, toda dor, um defeito) temos sempre à mão nossas soluções mágicas, que já não são mais os patuás benzidos ou as fitinhas trazidas de alguma romaria, mas sim produtos de uma sociedade que mesmo quando é religiosa, se mostra “científica” e, quando se diz “científica”, é quase mística.
Temos desde as pílulas do amor e as da felicidade a inúmeros livros de auto-ajuda que nos “ensinam” a obter “sucesso” e ter uma vida “vitoriosa”, curiosamente as mesmas promessas feitas por tele-evangelistas, padres cantores e todo um sem número de crenças religiosas, que, ao contrário do que vemos nas peças de Nelson, buscam não mais recalcar, mas exacerbar. Se, por um lado, seus problemas podem ser resolvidos engolindo alguma pílula, eles também podem desaparecer apenas assumindo a atitude “correta” (seja ela o “pensamento positivo” dos livros ou a afirmação da fé, ou mesmo algum tipo de doação)
A transformação da aparência é apenas outra face da solução mágica. Não é de surpreender a busca desesperada pela operação plástica ou a crença (literalmente) no poder de um banho de loja. Acredita-se, do mesmo modo, que mudando o “visual” muda-se a personalidade – os livros de auto-ajuda falam em “mudança de atitude”; o “banho de loja” que muda para melhor a vida de uma pessoa é comum em filmes, principalmente as comédias românticas e é apresentado como o primeiro passo para a superação dos obstáculos apresentados ao protagonista( a conquista do grande amor , o sucesso no emprego, etc). Essa crença na personalidade “ideal” conseguida através da construção da identidade (maquiagem da aparência) está no cerne da existência, por exemplo, dos sites de relacionamento e boa parte da comunicação via internet. É no universo virtual que se transforma naquilo que se gostaria de ser e assim se apresenta aos outros.
O que a idéia de soluções mágicas traz consigo é que tudo está ao seu alcance (o que faz você feliz?) , basta assumir a atitude correta. Portanto o “fracasso” ou a frustração gera toda uma nova gama de males, como síndrome do pânico, consumismo, ninfomania e depressão (vale notar que Freud se referia apenas à melancolia).
É o mal-estar da pós-modenidade.

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“não há nada de especificamente psicanalítico na idéia de depressão. Na verdade,pode-se afirmar que a depressão,na forma como a concebemos hoje, é produto tanto da influência sutil da indústria farmacêutica no modo como encaramos nossa vida emoional quanto da medicina psicológica. Os fabricantes de antidepressivos fazem questão de que a aflição seja entendida como depressão para criar a necessidade dos seus produtos” diz Jeremy Holmes no pocket book “Depressão” (Ediouro/Duetto).

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Que as drogas tenham se tornado uma epidemia não surpreende. Elas são a maneira mais rápida e fácil de se obter prazer e esquecer frustrações.

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Não passa nem perto das intenções desse texto dizer que a obra de Nelson Rodrigues está ultrapassada. As figuras de filhos dependentes, mães castradoras, sogras dominadoras e toda sorte de tipos urbanos estão vivíssimos. E o repórter justiceiro e oportunista de Beijo no Asfalto só trocou os periódicos sensacionalistas pela TV.

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A peça As Noivas de Nelson está em cartaz no Teatro Arthur Azevedo (av.Paes de Barros,955-Mooca) até o dia 28 deste mês que é também quando sai de cartaz Senhora dos Afogados, dirigida pelo gigante Antunes Filho, que está no Sesc Consolação (r.Dr.Vila Nova,245- região central).