terça-feira, 28 de setembro de 2010

Enfim, as imagens prometidas. Incluí também "A Morte de Marat" (últ.imagem), pintada por Jacques-Louis David em 1793 e talvez o caso mais célebre desse tipo de derivação na História da Arte. Derivação intencional, porque traz para a morte do revolucionário francês toda a carga dramática ,o ar de santidade, a significação da vítima inocente morta em sacrifício que estavam  contidas nas obras anteriores. 
Pode -se dizer exatamente o mesmo da opção pelo  desenhista George Perez para retratar a morte da Supergirl, na década de 1980, bem como fez Jim Aparo com a morte do Robin em 1989 que eu reproduzi na postagem anterior.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

ARTE SEM FRONTEIRAS

Obs. o blogger está com problemas e teima em não carregar as imagens selecionadas. Retorno semana que vem com textos sobre a Bienal de Arte de São Paulo.

Não existem fronteiras estanques na arte. Mesmo os absolutamente sem talento, os oportunistas ou as pinturas que são vendidas em shopping centers para um público que não conhece arte dialogam em certa medida com a tradição artística seja por imitação, influência de professores ou outra razão.


Entre ao grandes isso não é raro, pelo contrário. Diz Susan Woodford em “A Arte de ver a Arte”(Circulo do livro) :
“Os artistas não criam num vazio.Eles são constantemente estimulados por outrso artistas e pelas tradições artísticas do passado.Mesmo ao reagirem contra a tradição, os artistas mostram sua dependência dela.é o solo onde brotaram e no qual se desenvolveram, e é dele que extraem seu alimento.Eles sabem disso e admitem-no sem constrangimento;o próprio Lichtenstein(Roy)disse: ´ As coisas que tenho manifestamente parodiado, na verdade, eu as admiro”.

E cita como exemplo a revolucionária Almoço na Relva(1863) de Manet cujas figuras estão dispostas da mesmíssima maneira da gravura de Marcantonio Raimondi, “O julgamento de Páris”(1520), esta por sua vez baseado numa pintura contemporânea, de Rafael. A fiura feminina tem seu modelo em esculturas gregas.

Enfim , nada disso é muito diferente do que ocorre com a chamada “cultura de massas”, as HQs de super-heróis no caso. Aqui nós vemos o tema da Pietá de Michelângelo, “repetido” pela “deposição da cruz” de Caravaggio e volta e meia reproduzido quando querem representar a morte trágica de algum super herói.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

O TERROR ETÉREO DE KIYOSHI KUROSAWA "INDIE 2010"


O “Indie –Mostra de Cinema Mundial” do Cinesesc é o tradicional “esquenta” dos cinéfilos para a maratona da Mostra de Cinema de São Paulo. Neste ano o festival, uqe vai de 16 a 30 de setembro, tem como destaque duas retrospectivas de diretores que não chegam ao circuito comercial, um deles é o tailandês de nome impronunciável, Apichatpong Weerasethakul, vencedor da palma de Ouro de Cannes deste ano,o outro é o japonês Kiyoshi Kurosawa que, é bom avisar, não tem nenhum parentesco com o célebre Akira.


Kurosawa é parte de uma geração chamada por Donald Richie (autor de “A Hundred Yars of Japanese Film”) de “os novos independentes”, jovens cineastas surgidos após o desmonte dos grandes estúdios tradicionais.
Sua obra pode ser encarada como uma lenta desconstrução do terror. Aliás, ele tem uma capacidade de usar o gênero para refletir as doenças da sociedade contemporânea de uma maneira que só encontra paralelo, talvez, em George Romero e seus zumbis.
Kurosawa começa sua carreira com os chamados “Pinku Wagan”, filmes ruins repletos de pornografia e violência mas que foram para ele aprendizado e laborátório. Faz, depois, “Doce Lar”, seu primeiro terror, mas cuja direção é atribuída a outro diretor.


O Vigia do Subsolo” (1992) história de um vigilante assassino que é também doente mental, é um filme ainda preso aos códigos de gênero mas que toca em pontos delicados que aprofundará mais tarde, como a doença contemporânea por excelência(e mais agda no Japão que em qualquer lugar do mundo), o isolamento.
Cure”, de 1997, já inicia a crítica mais aguda à sociedade ao retomar a tradição dos mentalistas tão cara ao cinema (Caligari e Mabuse) e mostrar um que entra na cabeça das pessoas e fazer com que elas cometam crimes. Fazer ou apenas permitir, liberar é a questão incômoda que fica (questão essa que o liga diretamente à obra de Fritz Lang).
Daí para diante seu terror evolui fazendo desaparecer a figura do “monstro”,aquela criatura causadora do mal. Esse mal torna-se difuso, indefinível, sem origem como em

Pulse”( 2001) em que uma espécie de vírus de computador faz com que as pessoas desapareçam e fantasmas surjam confinados em desesperada tentativa de estabelecer comunicação. É de novo o mal do isolamento, mas causado pela ausência de contato físico, pela existência meramente virtual e um diagnóstico severo da vida contemporânea.



Programação completa do Indie 2010 ,com os 23 filmes de 12 países e mais detalhes das retrospectivas em: http://www.indiefestival.com.br/indie2010/sp/

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

CASSAVETES GRÁTIS NO SESC SANTO ANDRÉ


O SESC Santo André exibe hoje e até dia 28 de setembro, uma vez por semana, o Ciclo Jonh Cassavetes, dedicado à obra do maior dos cineastas independentes norte-amercanos e um dos maiores nomes do cinema mundial. São ao todo 4 filmes (um já foi exibido) enfocando sua fase independente, marcada pela experimentação, pela ausência de trama rigorosa e pela liberdade dos atores em cena.

Talvez a maneira mais fácil de explicar a obra de Cassavetes seja aproximando-o de outras artes. Ele é o equivalente ao bebop jazz de Charlie Parker, à literatura beat de Jack Kerouac, ao expressionismo abstrato de Jackson Pollock. É o cinema da liberdade, do fluir, da verdade que nasce da gestualidade, do gozo da interpretação. Gozo este oriundo do trato que Cassavetes (ele mesmo ator em filmes de gente como Roman Polanski e Brian DePalma) tinha para com seus atores- era do ensaio extenuante que nascia a tão aclamada improvisação em cena. Dessa intimidade (trabalhava quase sempre com os mesmos atores) brotava a força de seu cinema.

Vejamos o que disse o ator Ben Gazarra em entrevista a Thierry Jousse para seu livro “John Cassavetes”:

John fugia dos diálogos convencionais e das histórias muito bem escritas.(...)Não buscava uma só qualidade [nos personagens],mas sim três,quatro,cinco, a fim de encontrar a complexidade dos seres-humanos.Era por isso que gostava de ensaiar.Para descobrir os personagens, torná-los mais vivos e carnais

Ou seja, se um personagem convencional tem uma ou duas características (o valetntão burro, o covarde inteligente, por exemplo), nos filmes de Cassavetes não se pode dizer nada a respeito deles logo de cara. Eles vão se revelando aos poucos, afinal não nascem de artimanhas de roteiro(e por isso não pagam tributo à coerência) mas sim do ator e sua complexidade se mostra nos gestos,que bem podiam ser mínimos, apenas um rosto em silêncio parado na tela.


Os filmes são exibidos em DVD e a entrada é gratuita. Hoje é apresentado "Faces", de 1968, quarto filme do diretor, segundo de sua fase independente.

PROGRAMAÇÃO


Faces
Dia(s) 15/09 Quarta, às 20h.


Noite de Estreia
Dia(s) 21/09 Terça, às 20h.

Uma Mulher Sob Influência
Dia(s) 28/09 terça, às 20h.



SESC SANTO ANDRÉ - rua Tamarutaca, 302 - Vila Guiomar

telefone: 11 4469-1200 / fax: 11 4469-1202 e-mail: email@santoandre.sescsp.org.br




quinta-feira, 9 de setembro de 2010

PARA COMPREENDER A QUESTÃO DA EDUCAÇÃO

Como prometido, links interessantíssimos que aprofundam bastante nossa discussão sobre Educação.
O filósofo, Doutor em Educação e professor da PUC Mario Sérgio Cortella fala aqui sobre o que ele considera os 3 gargalos que entravam a educação no estado. Cortella já foi secretário da educação na cidade de São Paulo (91-92)e é ligado a Mercadante, portanto parte interessada, mas ainda assim suas idéias devem ser ouvidas sem julgamentos partidários. Para ele é preciso que haja uma política educacional integrada (município, estado e governo federal)bem como valorização dos funcionários da educação( elevação salarial e formação permanente)e,por fim, o envolvimento das comunidades na gestão, integrando educação escolar, cultura e esporte.Veja em:


O programa Expressão Nacional, da TV Câmara, debateu a influência dos pais e alunos no rendimento dos estudos, técnicas inovadoras que tornem a escola mais atraente ao aluno e até que ponto o aumento do salário do professor é garantia de qualidade de ensino.
Disponível para download em dois blocos:

O Ministro da Ciência e Tecnologia Sergio Machado Rezende fala já bem no final da entrevista ao programa Cidadania, da TV Senado, que é preciso aproximar os alunos das ciências exatas- já falamos aqui sobre a carência de engenheiros . Para o ministro, o país precisa de cerca de 500 mil cientistas-pesquisadores e atualmente tem apenas 180 mil.
Sergio Rezende lembrou que as Olimpíadas de Matemática hoje chegam a 90% das escolas do país e que são um estímulo para o aluno. O Ministro é, ele próprio, professor-pesquisador( é formado em Engenharia e profDr do Instituto de Física da Unicamp). Você pode assistir ou fazer download aqui:
No mesmo canal, o programa Inclusão de 28/06 deste ano mostra de que forma a Contação de Histórias pode não só despertar o interesse da criança pela leitura como criar um vínculo quase inquebrável com os livros.
A Revista de História da Biblioteca Nacional traz matéria de Claudia Bojunga que fala do Portal do Professor, no site do MEC ferramenta útil para o profissional fazer sua parte na melhora do ensino. Lá há cerca de1.200 planos de aulas e e aproximadamente 3.500 ferramentas multi-midias que auxiliam o docente , como mapas, animações e jogos online. Num deles o aluno aprende história assumindo o papel de um filho de um senhor de terras da Idade Média, a medida que joga, absorve e retrabalha o conteúdo de uma disciplina que depende muito de um hábito raro entre muitos jovens, a leitura.
A matéria está disponível em

ou você pode ir direto em

Bem, termino por aqui esperando ter contribuído em alguma medida na discussão sobre Educação, neste momento tão oportuno.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

EDUCAÇÃO EM DEBATE-UMA ÚLTIMA REFLEXÃO

Eu paro por aqui de tratar de educação, mas deixo no ar algumas reflexões :

O movimento Todos pela Educação encabeçou uma “Carta-Compromisso pela Garantia do Direito à Educação de Qualidade”, de que participam uma série de entidades. O objetivo é que ela seja de conhecimento(e aceita) por todos os candidatos. Como eu já disse aqui, a população já se mobiliza, já cobra seus representantes. A carta resumidamente trata de estabelecer metas a serem cumpridas por quem seja eleito, como o alfabetizar todas as crianças até 8 anos de idade até 2014 ou estabelecimento de padrões mínimos de qualidade para todas as escolas brasileiras.
Para que isso se efetive é preciso investimento para além dos atuais 5% do PIB – Dilma disse em sua eventual gestão que serão de 7%, Marina, muito mais- falei disso na primeira postagem da série, Educação em Debate. De qualquer forma 5% já é uma evolução , em 2009 eram míseros 3,7 %.
A carta pede também a valorização do professor, tecla em que bati exaustivamente, lembrando sempre que arte-educador e professor de educação física são, eles também, educadores.
A íntegra da Carta e das Associações proponentes você encontra aqui:
http://www.todospelaeducacao.org.br/comunicacao-e-midia/noticias/10186/carta-compromisso-por-educacao-de-qualidade-e-lancada-em-brasilia

Sobre o vestibular :Em artigo na Folha de São Paulo de 30/08 Cibele Yahn de Andrade, pesquisadora do núcleo de políticas públicas da Unicamp questinou dizendo que eletende a fazer crer que o melhor aluno é aquele com a nota mais alta e isso confunde bom desempenho num exame com capacidade de desenvolvimento intelectual”. Para ela, a universidade deve ter o direito de procurar seus alunos e outras formas, inclusive através do sistema de cotas ou outras ações afirmatoivas (seja para alunos da rede pública, seja por questões de cor) porque o vestibular é uma forma de privilégio de poucos. Disse também que “desenvolver o ensino superior é estratégia essencial ao interesse público mais elevado”.


Atualmente quase todos os estados brasileiros utilizam algum tipo de avaliação do docente. Os melhores recebem aumento de salário, os piores, em alguns casos, podem ser punidos. Se há elogios, há críticas. Diz-se que é preciso antes, condições apropriadas de trabalho, recursos, caso contrário nem os alunos rendem e o professor acaba punido. O ideal, penso, é a conjugação das duas coisas. Com condições adequadas, pode-se exigir tanto nível intelectual do professor, quanto desempenho de seus alunos.


A seguir, encerrando definitivamente a série de postagens, links interessantes para quem quiser se aprofundar no tema .

sexta-feira, 3 de setembro de 2010


O TCM exibe a partir de hoje , às sextas-feiras, uma "mostra" em homenaem aos filmes Blaxplotation, aqueles feitos nos EUA nas décadas de 60 e 70, por e para negros(que eram maioria absoluta no elenco, claro). Uma caracetrística marcante eram as trilhas sonoras assinadas por bambas da soul music do quilate de James Brown, Aretha Franklin, Curtis Mayfield e Isaac Hayes .


Tão marcante quanto a música era o fato desses filmes recriarem gêneros e subgêneros do cinema (artes marciais, filmes de gângster, filme policial) sob uma ótica dos negros, em que eles eram alçados à categoria de protagonistas e não mais meros coadjuvantes. Para se ter um idéia do que isso significa, basta lembrar que em nossas telenovelas só recentemente tivemos uma protagonista negra (Taís Araújo) .


Os Blaxplotation eram parte de um movimento que nunca pegou de fato por aqui, o blackpower(que não foi além de meia dúzia de músicos e de um estilo excêntrico de se vestir), afinal aqui o racismo nunca foi declarado(portannto não havia conflito), mas era sim "cordial", como não podia deixar de ser numa terra de "democracia racial", como queria crer Gilberto Freyre.


Às 22h o TCM exibe "Baadasssss Cinema", documentário de 2002 dirigido por Isaac Julien que conta com entrevistas de gente ligado a esses filmes, como a atriz Pam Grier, o músico Isaac Hayes e até o diretor Quentin Tarantino, que fez ele próprio sua homenagem Jackie Brown, estrelado significativamente por Grier. Logo em seguida é exibido "O Chefão do Gueto", filme de gângster de Larry Cohen que,aliás, era branco.


ps. alguns dos filmes que serão exibidos passaram na mostra "A Saga Negra do Norte", do Museu Afro-Brasil. Falei dela algumas postagens atrás.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

FUTURO PROMISSOR ? -PERSPECTIVAS PARA A EDUCAÇÃO 2

Sigo na minha atual onda de otimismo pra concluir a série de textos sobre educação – o que deve acontecer amanhã, espero.

Eu fui escolarizado obrigado a ler Senhora, de José de Alencar quem,para um adolescente, é de uma chatice atroz pois as longas descrições do autor romântico me soavam cansativas- já se falou disso aqui nos comentários das postagens anteriores.
Hoje há as adaptações em quadrinhos. É discutível se isso estimula ou não a leitura do original, mas pelo menos faz um primeiro contato não traumático- “literatura é um saco”, eu pensava. Vai também do professor (sobre ele, ver as postagens anteriores) de ser criativo, ler um trecho do original e comparar. E por aí vai. O que importa é que a mentalidade hoje é outra. Já vai longe o tempo em que escolas só faziam excursões ao Playcenter e ao Jardim Zoológico. Hoje pode-se ver crianças e jovens no MAM, no MASP,no Museu da Língua Portuguesa...E se os leitores de hoje estimularem seus filhos, em algum tempo teremos números bem diferentes dos expostos acima que estão mudando.
O número de livrarias cresceu 10% nos últimos 3 anos, o antigo presídio do Carandiru hoje é uma belíssima biblioteca, a Flip foi um sucesso, a 21ª Bienal do Livro teve 110mil visitantes num único dia, recorde que tornou o evento um transtorno para quem estava lá. Do público total, estimado em 745 mil pessoas, 288 mil eram crianças. Se essas crianças se tornarem adultos leitores que lêem para seus filhos, em algum tempo teremos um panorama muito melhor.

Eu leio no Blog dos Quadrinhos, do jornalista e professor Paulo Ramos as seguintes notas:

Na escola 1
A Prefeitura de Belo Horizonte incluiu pela primeira vez obras em quadrinhos na relação de livros dados aos alunos da rede municipal. Foram selecionados quatro títulos: "O Mundo Mendelévio e o Planeta Telúria", "O Chinês Americano", "Negrinha", "Estórias Gerais".

Na escola 2
As obras serão distribuídas aos estudantes em 2011. Cada aluno recebe dois livros por ano. Os álbuns são para diferentes faixas etárias. "Estórias Gerais", por exemplo, é para jovens e adultos. O município comprou entre 4 mil e 5,1 mil exemplares de cada título.

Isso é muito bom, estimula os jovens, estes que lotam a Bienal, que no futuro podem estar na Flip. Mas tudo pode ir água abaixo se os governantes não prosseguirem aumenando as verbas destinadas à Educação. Sobre isso, a próxima e derradeira postagem da série.

PS. Devo aqui alguma retratação ao governo Lula por ter dito que ele não fez “nada de expressivo” na educação. O percentual do PIB investido subiu, há o Fundef, o PróUni,o aumento no valor das bolsas aos mestrandos e doutorandos(o valor ainda está aquém do que deveria), a Federal do ABC, a Universidade de Ouro Preto. Enfim, isso confirma a intenção deste blog, que é a de discutir e pesquisar ao invés de arrotar certezas .

terça-feira, 31 de agosto de 2010

FUTURO PROMISSOR? -PERSPECTIVAS PARA A EDUCAÇÃO 1

A produção da série de textos “Estamos Pagando o Preço de nosso atraso” começou meses atrás, com coleta de dados em matérias de jornais,revistas e programas de TV mas se estendeu para muito além do planejado(seriam originalmente três textos) e adentrou até mesmo o horário eleitoral gratuito. Se o objetivo era radiografar o que eu julgava um estado lastimável da educação no país, acabei me deparando com dados esclarecedores e com uma perspectiva até certo ponto animadora. Eu nunca entendia o porquê pessoas por volta de 40 anos diziam maravilhas da escola estadual em que estudaram.Como vimos no texto anterior, ela era boa mesmo, mas ao preço da exclusão de um número gigantesco de crianças e jovens. Claro, os investimentos que se seguiram à inclusão total foram insuficientes, pra dizer o mínimo. Mas tenho certeza de que o fato de que a baixa qualidade da educação estar prejudicando o crescimento econômico do país fez com que praticamente todos os candidatos dessem atenção ao tema, coisa que não se via antes.

No programa do dia 25, Mercadante criticou a aprovação automática dos alunos da rede pública e disse que vai “valorizar o professor”, aumentando salários. Promete ensino em período integral, também profissionalizante e elogia as ETECs (unidades de ensino profissionalizante)do PSDB, mas diz que elas são para poucos- o mesmo que o PSDB dizia dos CEUS de Marta, vale ressaltar.
No mesmo programa, Alckmin, agora Geraldo, diz que vai fazer mais ETECs e “melhorar a educação” .
Já Paulo Skaf também propõe escola em período integral com ensino profissionalizante.
Deputados do PSOL pedem a ”valorização do professor” e o fim do “sucateamento das escolas estaduais” .
Até mesmo José Maria Eymael, dias depois, toca no assunto, propondo coisa semelhante.

Enfim, pode se preferir a ênfase dada aqui e ali por cada candidato, mas está claro que todos eles (com exceção dos Vampeta e dos Tiririca da vida) estão conscientes que educação não é luxo, é necessidade primeira para uma estado e uma nação que pretenda crescer.
A conclusão, não podia deixar e ser, continua no próximo texto.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

ESTAMOS PAGANDO O PREÇO DE NOSSO ATRASO -ÚLTIMA POSTAGEM

O Ideb é um indicador do MEC que mede o desempenho das escolas levando em conta a taxa de aprovação dos alunos e o desempenho deles em testes de português e matemática – testes estes do Saeb (Sistema de Avaliação de Educação Básica).

Os números do Ideb (é uma escala de zero a dez) concluiriam que entre 2005 e 2009 a distância entre as escolas pública e particular diminuiu, mas ainda permanece uma distância precupante:um aluno da rede pública, ao final do ensino fundamental, sabe o mesmo que um da rede privada que concluiu apenas o ensino médio. Ou seja, a rede privada está 3 anos à frente da pública.

O sociólogo Simon Schwartzman, em entrevista à Folha de São Paulo em 5 de julho deste ano lembrou que não se pode esquecer o fato de que uma escola particular pode escolher o aluno, bem como expulsar os piores. Outro dado é que o aluno da escola particular normalmente vem de uma família mais rica, portanto em tese mais alfabetizada o que, como já comentamos aqui neste blog, influi e muito no desempenho do aluno. Mas Schwartzman é enfático ao afirmar que “mesmo as melhores particulares do Brasil são piores do que as dos outro países”. Para ele, isso ocorre por outro problema, a dedicação obsessiva com o vestibular.
Abro um parêntesis aqui para lembrar o leitor de como as escolas comemoram índices de aprovação em outdoors, inclusive citando o nome de alunos aprovados numa USP ou Unicamp. E é bom notar o quanto o vestibular é ineficaz como ferramenta de avaliação. Um ensino voltado diretamente para ele faz com que o aluno aprenda física estudando algo completamente estranho à sua realidade como a trajetória de uma bala de canhão, por exemplo. Fecha parêntesis.

Com tudo que tem de ruim, a escola pública estadual de São Paulo ainda é a terceira melhor do país. A do Rio é a penúltima, a frente apenas da do Piauí.
A melhora nos números do Ideb foi mais expressiva entre os alunos dos primeiros anos do que no ensino médio.Isso ocorre porque a partir dos anos 1990 houve a universalização do ensino(conseguiu-se colocar todas as crianças na escola) e quem entrou naquele momento pegou uma escola pior, ainda despreparada para lidar com esse contingente.

Ainda hoje é ruim? Não. É péssimo. Mas, boa ou má notícia(depende do ponto de vista), é verdade tem melhorado ,ainda que de maneira desigual, devido ao baixo investimento público. A sociedade pressiona cada vez mais portanto é de se esperar que continue melhorando. Cobrar, reclamar, votar com isso em mente. Essa é a nossa função.

Na semana que vem, uma conclusão desta série de textos enfocando a educação.
Esse atraso perdurará?

terça-feira, 24 de agosto de 2010

ESTAMOS PAGANDO O PREÇO DE NOSSO ATRASO- 4

O escritor Moacyr Scliar,na edição de agosto do "Le Monde Diplomatique Brasil" apresenta dados bem interessantes que complementam a postagem anterior deste blog, sobre a questão da leitura, dos livros e do aprendizado da língua portuguesa.
Os números são indiscutivelmente ruins: o brasileiro lê apenas 1,3 livro por ano . Em comparação, o norte Americano lê 11, o francês, 7 e o argentino, 3,2.
No Brasil há uma livraria para cada 64 mil habitantes,bem abaixo do número que a Unesco considera ideal que é de uma para cada 10 mil.

Scliar diz que “o livro custa caro porque vende pouco,e vende pouco porque custa caro” mas ressalva que o livro de bolso tem público cada vez maior e que “aumentar a venda é uma forma de baixar o preço,mas isso só acontece quando as pessoas têm o hábito da leitura” . Para ele, o gosto pela leitura se desenvolve basicamente em duas etapas , infância e escola. Na infância a criança é influenciada basicamente pelo ambiente familiar(de forma semelhante ao que eu disse aqui, que a escolaridade dos pais influencia na dos filhos- influencia, não determina, por favor).O problema é que no Brasil 63 % dos leitores afirmam que nunca viram os pais lendo. Para completar a encrenca, “faltam bibliotecas em 113 mil escolas, ou seja , 68,81% das escolas da rede pública de ensino”.

Dos aproximadamente 190 milhões de brasileiros, 95 milhões podem ser considerados leitores.Podem, mas na prática não são, ainda que a maioria absoluta,75%, afirme gostar de ler.
Scliar é ainda assim é otimista: “Os últimos governos têm se esforçado para preencher esta lacuna;em 2008,as escolas receberam,em média,39,6 livros cada uma,por meio do Programa Nacional de Bibliotecas Escolares.A par disto, um grande esforço está sendo desenvolvido para estimular o hábito da leitura entre os escolares”.
Ele enfatiza também a modernização no ensino da literatura: “hoje as escolas trabalham também com escritores contemporâneos, e a interação com o texto é a regra. Os alunos fazem dramatizações, escrevem suas próprias versões dos textos, editam jornais na escola”.

Por outro lado, dados do FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação) divulgados pelo UOL Educação mostram que ano que vem, nada menos do que 222 municípios do país não vão receber livros didáticos do PNLD (Programa Nacional do Livro Didático) distribuídos pelo MEC (Ministério da Educação)aos alunos do ensino fundamental. Destes, 146 estão em São Paulo. É certo que muitos dos municípios trocaram os livros por apostilas didáticas(mais práticas, mas que limitam o trabalho do professor) mas outros simplesmente não se cadastraram no programa, exigência que começou este ano.
O Brasil ainda é um país de abismos gritantes, em que avanços coexistem com desertos culturais como na Zona Sul de São Paulo, em que quase inexistem opções de lazer e cultura à população carente.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

ESTAMOS PAGANDO O PREÇO DE NOSSO ATRASO- 3

Eu me referi na postagem anterior ao péssimo domínio da lingua portuguesa por pessoas com formação universitária.Há este problema flagrante e crônico que atinge os jovens: a falta de leitura. Preço do livro influi sem dúvida na qualidade do que e lê(ver comentário do Mario Cesar na postagem anterior- o livro caro desestimula ), mas muitos jovens e adultos também não demonstram o mínimo interesse pela leitura o que cria um ciclo vicioso:não lendo, a pessoa domina menos o idioma, escreve mau e em consequência interpreta mau um texto.


Reportagem de Fábio Mazzitelli para o Jornal da Tarde mostrou que foi o péssimo desempenho dos alunos em português que puxou a média do Enem para baixo- nenhum colégio do país teve 70% de acerto, o pior desempenho entre todas as áreas avaliadas. E em "português" foi avaliado não só o domínio da língua, mas também a interpretação de texto(de novo voltamos à postagem anterior).Professores criticaram a internet, que afasta o aluno do contato om a norma culta da língua e faz o aluno estranhar textos longos- textos longos estão em livros, voltamos ao ciclo.



Essa deficiência, notou Miguel Arruda, coordenador do ensino médio do Colégio Santo Américo, interfere "em outras áreas, como história, geografia e até na área de exatas, por causa da leitura" . E isso não é bom nem na formação do cidadão, que tem menos capacidade de enxergar criticamente o mundo à sua volta(isso só se adquire coma leitura) como para o mercado de trabalho.



O Programa Expressão Nacional, exibido pela TV Câmara em 29 de junho deste ano, debateu a qualidade da educação e o impacto sobre a economia da má formação escolar dos jovens, que se tornam profissionais incapazes de atender ao mercado. Participaram o deputado e também professor Antônio Carlos Biffi (PT-MS), o deputado Professor Ruy Pauletti (PSDB-RS), Roberto Franklin Leão , presidente da CNTE (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação) e o presidente do movimento Todos pela Educação, Mozart Neves Ramos.




É sempre bom lembrar que o rendimento do aluno sabidamente depende também de outros dois fatores além destes que eu já mencionei infraestrutura da escola e escolaridade dos pais. Um política educacional eficiente deve levar em conta tudo isso. Basta olhar à nossa volta, para as escolas Estaduais e ver o quanto o país está atrasado.

No caso específico da nota de Português no Enem(em que pese todas as deficiências dele como forma de avalição) até mesmo os colégios particulares bem estruturados apresentaram média sofrífel.Aí o problema é mais amplo.


Não, ainda não terminamos de discutir a Educação no Brasil. E obrigado a você que não achou este texto longo demais.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

ESTAMOS PAGANDO O PREÇO DE NOSSO ATRASO- 2

Retornando à postagem sobre a má formação universitária, deixei em aberto um ponto importante da discussão(que foi inteligentemente notada nos comentários) : a má formação dos universitários tem origem muito antes, no ensino fundamental. Nas escolas públicas o ensino é terrível, mas não da para dizer que as particulares sejam dignas de inveja. Canso de ler e-mails de pessoas com formação universitária que simplesmente não sabem diferenciar um ponto de exclamação de uma interrogação, uma vírgula de um ponto final.
Eu falava (citando a reportagem da Folha) da falta de professores das chamadas ciências pesadas, física e matemática. Mas o problema é geral e é particularmente grave no caso do ensino da língua portuguesa. Como alguém que desconhece os fundamentos da língua (a pontuação) pode interpretar um texto, seja ele qual for? E, se é incapaz de interpretar texto, é também um mau profissional em qualquer carreira que siga (com exceção,talvez, das meramente práticas).

Mas voltemos: porque não há professores? Simples, baixos salários. Porque o ensino é tão ruim? Em parte:baixos salários. Um professor da rede pública de ensino do Estado de São Paulo ganha R$ 1.500,00 por 30 horas de trabalho. Quer dizer, isso no papel, porque o trabalho de um professor nunca fica restrito ao horário de expediente, ele precisa criar e corrigir trabalhos e provas, planejar aulas e (utopia)se aprimorar estudando. Isso tudo “recebendo” um vale-alimentação de R$ 4,00 (apelidado de “vale coxinha”)que seria só uma piada de mau gosto se não estivesse atrasado desde fevereiro – daí as aspas.
Quem, na possibilidade de ter um salário razoável como, sei lá, bancário, vai querer ser professor e enfrentar a falta de estrutura do ensino e alunos desinteressados e desmotivados(o interesse vem da motivação que o país não oferece e do estímulo, que a escola não dá) e, ainda mais, o cotidiano violento de muitas escolas? Só mesmo os profissionais sem muita opção ou preparo e que não recebem estímulo para aperfeiçoamento porque um professor para ser bom depende dele mesmo estar em constante aprendizado o que depende de que ? Tempo e salário. Se o salário é pouco o professor tem de se sobrecarregar de trabalho para ter um rendimento decente, logo, não irá se aperfeiçoar. Se o Estado tivesse uma política educacional decente, com bons salários, teríamos profissionais cada vez melhores e alunos também e profissionais também. Sem contar que salário alto no ensino público forçaria uma alta nos salários das escolas particulares. E não se pode ignorar o efeito psicológico sobre o aluno que veria no professor um exemplo de sucesso e não o contrário- logo ele teria mais interesse no estudo. E “sucesso” não se entenda apenas dinheiro, mas benefícios , facilidades que denotem uma posição de prestígio na sociedade e não o contrário, como ocorre agora.

A Educação é de responsabilidade de Estados e municípios, mas não sei de nada substancial feito pelo governo Lula para melhorar o panorama. Serra, por outro lado, criou uma política demagógica que dá prêmios em dinheiro às escolas que melhorarem seus indicadores(notas dos alunos, índice de aprovação). O que ocorre? A direção força professores a não reprovar e você tem crianças em fase de alfabetização que não sabem sequer escrever o próprio nome.

A série de postagens sobre Educação continua amanhã.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

MORREU HERMAN LEONARD


O Jazz surgiu por volta de 1900 em New Orleans, da fusão da música negra com elementos brancos e da intersecção das culturas afro-americanas, latino-americanas e espanhola num momento e locais únicos na história. O gramofone, “máquina falante” de Emile Berliner e ancestral dos toca-discos nasceu em 1896, alguns meses depois da estréia em 28 de dezembro de 1895, no Grand café, em Paris, do cinematógrafo dos Irmãos Lumiére. Em 1888 George Eastman lançou a câmera e a empresa Kodak que abria uma nova era na fotografia (até então feita de daguerreótipos e chapas metálicas) e ao criar uma caixa portátil com um rolo de filme negativo(que seria o princípio do cinema). Pouco antes, em 1872,Claude Monet pintara “Impressão- Nascer do Sol”, de cujo nome derivaria um apelido desdenhoso, "impressionismo", que acabaria por nomear toda uma nova fase da pintura ocidental.

É a modernidade que chegava, em suas diversas faces, com a fotografia criando o cinema e transformando a pintura, criando enfim, todo um novo mundo.

E foi através da fotografia, tanto quanto do disco e do rádio, que o jazz se consolidou no imaginário mundial. Herman Leonard, que morreu sábado em Los Angeles aos 87 anos, foi sem dúvida quem melhor soube retratar o universo do jazz, traduzindo sua imprevisibilidade, sua fugacidade brutal em imagens tão bem quanto Baudelaire descrevia a modernidade. O trompetista Chet Baker(1929-1988), sobretudo, deve boa parte de sua fama e reconhecimento menos a perícia com seu instrumento do que às fotos de Leonard , que o mostravam com um James Dean do cool jazz, um rosto bonito e algo triste. Acima, em foto de 1949 no BirdLand, o autodestrutivo e revolucionário Charlie Parker perdido em si mesmo, gênio romântico totalmente entregue a sua arte.

Gênio Herman também.
Site oficial, direto nas fotos que têm o jazz como tema:

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

ARTE EM ESTADO IMPURO


Moisés Patrício é da Vila Industrial ,região da Zona Leste de São Paulo relegada ao desprezo típico que normalmente recebem do poder público os bairros mais pobres e vizinhos a outras cidades. Grafiteiro, enveredou por outras artes visuais e hoje expõe suas cromotipias em locais como o Espaço Cultural Gambalaia.


Grafite e Vila Industrial estão impregnados em sua obra, composta muitas vezes de linhas retas sobrepostas por manchas de cores que mimetizam a decomposição dos muros sujos de fuligem, cobertos de pixo, pintados com publicidade. As cores não tem pureza, contaminam umas às outras, interpenetram-se rumando ao desaparecimento nas bordas do papel, como uma parede diversas vezes pintada e que perde sua cor. A que morre revela sua ancestral mas esta não conta nenhuma história de sua existência, não deixa testemunho, apenas rastros,pistas.


A arte de Moisés Patrício é urbana e atualíssima, uma vez que dialoga com o grafite, atual queridinho dos galeristas, sem negar sua origem de caos urbano(ao que os galeristas tem verdadeiro horror).E, é bom lembrar, mês que vem tem Bienal de Arte de São Paulo discutindo a pixação o que faz essa (última) oportunidade de ver a arte de Moisés ser ainda mais imperdível.


O Gambalaia funciona de segunda a sexta-feira das 10h00 às 12h00 e das 14h00 às 17h00 e nos finais de semana, das 20h00 às23h00. A entrada é gratuita. A exposição fica só até este domingo.

UMA BELA VISÃO SOBRE OS MORADORES DE RUA


O grande número de mendigos nas ruas é um problema gravíssimo do bairro”, foi o que disse Célia Marcondes, presidente da Sociedade dos Amigos e Moradores do Bairro de Cerqueira César à Folha de São Paulo em matéria da última terça-feira que tratava da revitalização de parques e praças empreendida pelo prefeito Kassab. Marcondes, sobre a revitalização, dissera que “finalmente resolveram dar uma melhorada nisso”. “Dar um jeito" nos moradores de rua é o que muita gente quer, tanto é que nas imediações de Santa Cecília se discute não doar mais alimentos a eles, para que migrem de lá, para onde foram desde que se iniciou um policiamento mais duro na chamada cracolândia. Que eles incomodam, não há dúvida, mas também as políticas públicas voltadas a eles são nulas. O caso é complexo: a maioria é de homens, usuários de drogas. Poucos são os com mais de 40, porque a taxa de mortalidade é ata nessa faixa. Os com mais de 40 são na maioria dependentes de álcool. Muitos não dormem em albergues justamente porque ficam longe dos centros, onde eles trabalham, muitas vezes recolhendo materiais reciclados. Há pouca assistência social voltada à reinsersão deles na sociedade, que passe pelo tratamento da dependência química. Enfim, estes são apenas alguns dados recentemente divulgados por pesquisas com moradores de rua, mas, apensar de tudo, são só números. Se você quiser ver além (ou através) dos números vá até o Espaço Cultural Gambalaia neste domingo conferir a última apresentação de "Oswaldo Raspado no Asfalto", peça da companhia Teatro de Asfalto que dramatiza depoimentos reais colhidos nas ruas.
Os números, então, se tornam pessoas, e os dados, vidas engraçadas, tristes e até trágicas.

Domingo, 20h – R.das Monções, 1018 - Santo André SP-

F(11) 4316-1726 – Ingr. R$ 10.00 (a inteira)