quarta-feira, 7 de julho de 2010

E A IMPRENSA TOMA PARTIDO...

A Folha tem apresentado cobertura abertamente pró-Serra, sem fazer discurso a favor do candidato, claro. Um exemplo: quando o PT foi multado por fazer propaganda antecipada, o caso virou manchete de capa. Aconteceu a mesma coisa ontem, desta vez com Serra(multa de R$ 5.000,00) no entanto a notícia ficou escondida na parte inferior da capa, ocupando o menor espaço disponível para este espaço. Foi o mesmo que aconteceu com as pesquisas eleitorais;quando IBOBE e Gallup deram Dilma na frente da corrida presidencial, a manchete ficou escondida, uma semana depois o DataFolha dá empate técnico (com ligeira vantagem para o tucano) e é manchete principal.
Já a TV Cultura, como seria de se esperar(mas não desejável) faz campanha:no anúncio para o programa Roda Viva, o primeiro de uma série em que são entrevistados os candidatos à presidência da República, anúncio nos jornais diziam “No Roda Viva , o primeiro na largada para a corrida presidencial”. Era Serra, claro, e o anúncio, em tese, fazia referência apenas ao fato dele ser o primeiro dos entrevistados.
Não se trata de teoria da conspiração contra os pobres petistas (como adoram dizer os militantes) porque a Rede Record, por exemplo,é pró-Lula. O presidente já esteve na inauguração da Record News e libera quantidade generosa de dinheiro em propaganda oficial no canais de Edir Macedo.
Cabe ao eleitor apenas abrir o olho aos interesses por trás da maneira de se dar uma notícia.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

“O ABRAÇO CORPORATIVO” É UM DOCUMENTÁRIO OBRIGATÓRIO


O documentário O Abraço corporativo, do diretor Ricardo Kauffman está em cartaz em apenas uma sala da grande São Paulo, mas deveria estar ao alcance de todos tamanha é a importância dos temas que trata.
A coisa é assim: Um ex-executivo, Ary itnem,decidiu abandonar seu emprego após ter sofrido um colapso e juntar-se à Confraria Britânica do Abraço Corporativo e pregar as benesses de abraçar os colegas de trabalho- alta da produtividade é uma delas. Itnem faz isso andando para lá e para cá na avenida Paulista, de terno e gravata, segurando uma placa onde pedia um abraço aos transeuntes. Virou vídeo no youtube, ele foi entrevistado pela Folha, CBN, e vários canais de TV, revistas e portais de internet e seiu vídeo circulou de maneira viral por e-mail.
Só que nem Item nem a tal Confraria existiam, eram criações do diretor. Aliás, Itnem (intepretado por um ator profissional) é um quase anagrama da palavra “mentira”. E como isso foi parar nos mais respeitados veículos de comunicação?Aí, como diz o outro, é que o bicho pega e gente como o Contardo Caligaris (psicanalista), Juca Kfoury (ESPN,Folha), Mauro Wilton de Souza(cientista social e professor ad USP) , Manuel Chaparro(pesquisador do jornalismo) eoutros tentam entender não só como isso aconteceu, mas também como funciona a relação da sociedade com a notícia.


O que está lá exposto (mais do que a “pegadinha” que enganou meio mundo na mídia) é a permeabilização do jornalismo pelo entretenimento (programas como Hoje em Dia, entre tantos outros, onde o que menos importa é a qualidade da notícia), a ficcionalização da realidade (não importa se algo é real, mas sim que pareça) e a banalização da notícia, motivada, entre outros tantos fatores, pela pressa em noticiar- é exemplar o caso lá mostrado de um grande portal que noticiara a queda de um avião na grande são Paulo, logo copiado por quase todos os outros portais noticiosos mas ,como depois se descobriu, não tinha avião nenhum na história e sim uma fábrica de colchões queimando. Onde há fumaça não há apenas fogo, mas todo um espetáculo. Aliás o espetáculo que encobre o fato explica a cobertura feita pela TV dos atentados públicos do PCC , caso bem lembrado pelo ex-governador Claudio Lembo, quando chegou a se exibir como “ao vivo” a imagem gravada de um ônibus em chamas e a coisa toda pareceu bem maior do que realmente foi.
É um documentário importantíssimo, indispensável e se algum dia sair em DVD(o que é bem improvável) deve fazer parte do acervo de todo mundo, afinal, pensar a mídia é um exercício diário.


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Dá para estender a reflexão para outras searas. Num dado momento, Ary Itnem é convidado a dar uma palestra em uma dessas conveções empresariais onde todo mundo se apresenta como um grande especialista numa coisa que só ele faz e sempre tem uma fórmula mágica para aumentar a tal da produtividade. Pois bem, Itnem vai lá, faz sua palestra, diz para o povo se abraçar, eles obedecem e ele acaba aplaudido por um público quase em êxtase. Contardo Calligaris, em entrevista, diz que nenhum boato se espalha a toa, ele tem de dizer algo àqueles em que nele acreditam e é isso que o ator e diretor fizeram: dizem algumas verdades (a distância criada pela comunicação eletrônica,a frieza crescente da sociedade) e isso encontra resposta em angústias de todos nós (o medo –paradoxal- da solidão é das mais contemporâneas) e pronto, está todo mundo fisgado. O que ele disser em seguida vai ser aceito com verdade incontestável. Ora, essa é a retórica não só desses executivos de palanque, mas também dos livros de auto-ajuda e de muitos tele-evangelistas.


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Dessa sociedade em que o que vale mais é a imagem do que o conteúdo eu tratei algumas postagens atrás, sobre o“caso” Carol Castro e ojornalismo com espetáculo, analisando a cobertura da Globo na Copa de 2006 .

Y- O ÚLTIMO HOMEM


Já saiu o segundo número de Y- O Último Homem, de Brian K. Vaughan (Panini, R$ 16,90), história de um ilusionista meio bobalhão que, após uma praga devastar todos espécimes do sexo masculino sobre a Terra(os portadores do cromossomo Y), se torna o tal último homem. Se nas mãos de um mestre do erótico como Milo Manara (Gullivera, Clic) isso daria numa orgia em escala planetária, aqui teremos, além do mistério que cerca a morte dos homens e animais machos(sobra apenas o macaco que o ajudava nos truques),mulheres querendo matar o pobre sobrevivente e uma série de cutucões na sociedade norte-americana. Por exemplo, boa parte dos transportes e da geração de energia está comprometida porque os cargos eram ocupados majoritariamente por homens. E surgem também todo tipo de rancor que evidencia a posição ainda secundária da mulher na sociedade. Sobra também, claro, para as feministas que, apesar de dizerem um bocado de verdades, se afundam no próprio radicalismo- mostrar o povo norte-americanos sendo capaz de ações fundamentalistas é um feito e tanto. Normalmente, na ficção, isso é sempre “privilégio” dos outros.
Se não fosse por tudo isso, só uma machadada que pega dispara o coração do leitor já valeria a compra da revista.
Pra quem estiver com medo de não entender porque não leu o primeiro número, não tem problema, há um resumo bem completo antes do início da história.

terça-feira, 29 de junho de 2010

O PAPEL DO JORNAL

A Folha de São Paulo se anuncia agora como o “jornal do futuro”. É um slogan batido, que já foi usado pelos mais diversos produtos principalmente nos anos 1980 ( tudo então era “do ano 2000”). Enfim, o “do futuro” no caso se refere na verdade à sempre propalada morte do papel, coisa que se anuncia também repetidamente, desde pelo menos a década de 1970 (houve então uma crise real do papel, econômica mesmo) e que,no entanto, é sempre prorrogada. Me lembro de um ridículo “jornal do fax” que teve vida curta e tumultuada aqui mesmo, no Brasil, antes da popularização do e-mail.
O tal futuro ao qual a Folha se anuncia é o do jornal pós-notícia que é, no fim das contas, o panorama atual. E a culpa (pelo manos a maior parte dela) não é do jornalismo pela internet, que tiraria o interesse pela compra do jornal, mas sim das redes sociais que estão cada vez mais ágeis, principalmente o Twitter e da comunicação instantânea via celulares e outros aparelhos móveis . Em termos de velocidade da notícia a internet nunca foi substancialmente mais rápida do que,por exemplo, o rádio. O jornal sempre ficou para trás, mas ainda assim era a fonte de informação quase indispesável – foi decaindo o interesse por ele na medida em que decaía o interesse pela leitura de forma geral, mas isso é outra coisa. Os donos de jornais até demoraram a perceber que uma notícia de capa como “Terremoto devasta Chile” chega hoje envelhecida demais, não só devido à velocidade com que se recebe informação hoje, mas à saturação dela. O diferencial da informação escrita (que permitia reflexão e podia ser feita não na hora da exibição pela TV ou rádio, mas na hora do leitor) como privilégio do jornal acabou, uma vez que o acesso a internet é cada vez mais rápido e fácil. Mas não é só isso.
A notícia de que uma cineasta brasileira estava no navio da missão humanitária atacado pelos soldado israelenses chegou primeiro a uma professora da USP, que ficou sabendo via Twitter. Foi assim também com a repressão violenta do governo iraniano aos protestos durante as eleições no Irã e ocorre com frequência no mundo esportivo, onde os jornalistas, todos eles, já foram alguma vez furados pelas próprias fontes.
Qual o papel do jornal, hoje? Para a Folha, é interpretar a notícia, por isso o batalhão de colunistas contratados. E também seguir na onda da internet, trazendo textos exageradamente mais enxutos e objetivos.
Se é isso mesmo, só o futuro dirá.

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O Estadão passou também por uma reforma gráfica recentemente mas não reduziu o texto como a Folha. As mesmas matérias (especialmente no Caderno 2 deles, em comparação coma Ilustrada) tem abordagem mais aprofundada, exatamente porque a fonte do texto é menor e a quantidade de caracteres, menor. Pode parecer mais “chato”, menos “clean” do que a Folha, mas é mais jornal.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

CALA A BOCA, GLOBO ?- 2


A chiadeira da Globo com as grosserias do ténico Dunga rendeu menos do que a emissora deveria estar esperando, ou, dito de outra forma, decepcionou tanto quanto o Fantástico vem decepcionando no IBOPE. E se o jornalista Tadeu Shmidt e a equipe do Fantástico se ofenderam tanto com os "palavrões" que Dunga dirigiu ao repórter Alex Escobar (o mais feio deles era "cagão") não custa nada lembrar de 2006 porque a história está se repetindo omo farsa. Então, como agora, os reais interesses não eram declarados. À Globo interessava exclusividade total, em troca de uma cobertura ufanista. A bebedeira e o entra-e-sai de mulheres na concentração, a desunião do grupo (como se comentou depois da derrota) eram oultados do público que, tendo uma única fonte de informação, achava que tudo ia às mil maravilhas e e ficou pasmo com a derrota vergonhosa para a França. Hoje a Globo tentou, mas não conseguiu exclusiva nenhuma e quando insistiu, ouviu uns palavrões, fez editorial no Fantástico, mas não disse que a bronca de Dunga era pela pressão por entrevistas exclusivas. Ao telespectador,meias verdades novamente.

Lá em 2006, enquanto a baderna rolava solta, éramos obrigados a engolir no Fantástico, clipes com vergonhosos "poemas" de Pedro Bial sobre imagens dos jogos, enaltecendo nossos jogadores e, principalmente o técnico Carlos Alberto Parreira (que a Globo em sabia que já tinha perdido a autoridade om os jogadores mais farristas, como o trio de Rs, Ronaldo, Roberto Carlos e Ronaldinho). Bem, foi só a derrota chegar e o torcedor se indignar, se perceber enganado, que trataram de pinchar a culpa em Parreira, de desmoralizá-lo. E omo fizeram isso? Com o expediente canalha de fazer leitura labial em Parreira, "revelando" os palavrões que ele dizia à beira do campo, supostos sinais de seu descontrole e incapacidade.

Pois bem, agora a Globo está aprendendo que certas coisas não se atira no ventilador...

terça-feira, 22 de junho de 2010

CALA A BOCA, GLOBO ?


Todo mundo está falando da bronca de Dunga com o repórter Alex Escobar, da Globo, que motivou um editorial de Tadeu Schmidt no Fantástico, em repúdio ao comportamento do técnico e, logo em seguida, o CALA BOCA TADEU SCHMIDT chegou aos trend topics do Twitter 9superando o fenômeno Cala a boca Galvão).
Reportagem do UOL (
http://copadomundo.uol.com.br/2010/ultimas-noticias/2010/06/22/globo-negociou-entrevistas-com-ricardo-teixeira-mas-dunga-vetou.jhtm trouxe à luz hoje o real motivo da confusão que nada mais do que aquilo que eu já havia adiantado na postagem anterior deste blog. A Globo havia negociado com o presidente da CBF entrevista exclusiva com os jogadores e Dunga vetou. Dunga se mostra cada vez mais um Frankenstein, uma criatura que saiu do controle de seus criadores. Colocado lá para acabar com a farra que foi 2006, impediu regalias da Globo, como ter Fátima Bernardes curtindo um pagode com os atletas no ônibus da seleção. Dunga é agressivo além da conta e quem pagou o pato dessa vez foi Escobar, que nunca falou mal do técnico e é “ um doce de pessoa” como frisaram jornalistas da ESPN. Dunga briga com a imprensa, com a Globo (que é mais do que a imprensa, mas foi reduzida a ser só isso) e com a própria CBF e acumula inimigos com prazer.
Não há inocentes nessa história, salvo, talvez, Escobar, que entrou de gaiato.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

COPA, ELEIÇÕES, A GLOBO E A POLÍTICA POR DETRÁS DISSO TUDO


Escalada do Jornal Nacional na última quarta-feira:


Irã desafia comunidade internacional
Willian Bonner, em tom grave, falava que Ahmadinejad iria levar à frenbte seu projeto nuclear, à revelia da ONU. Para o JN, era uma grande ameaça que se espreitava, como tantas outras já anunciadas.


Hugo Chávez manda prender dono de TV
Na narração de Bonner, ficamos sabendo que é mais uma tentativa de Hugo Chavez calar a imprensa livre na Venezuela.- Quem quiser outra versão dos fatos é só ir ao cinema e ver o documentário Ao Sul da Fronteira, de Oliver Stone, que não exime Chavez de suas arbitrariedades(que não são poucas), mas tampouco fecha os olhos para os fatos.


Senado aprova novo Estatuto Racial
Para a Globo, foi uma conquista e, apesar de pontos como o fim do sistema de cotas nas Universidades, não houve polêmica. Só um membro do Movimento Negro falou contra, outras três opiniões ouvidas foram a favor a última delas, na verdade um discurso, foi do deputado Demóstenes Torres, do DEM, que disse que quer “ o fim das diferenças” e “ajudar os pobres e,assim, brancos e negros”.
Bem, pelo acordo internacional firmado pelo presidente Lula com o Irã e pelas relações não belicosas coma Venezuela, percebe-se que a escalada foi montada para desfavorecê-lo o que só se confirma pela maneira como o JN se posicionou no caso do Estatuto.

Fala-se muito de coisas como “Globo manipula o Brasil” ou “A Globo te faz de bobo”. Não é bem assim, essa crença do poder absoluto da mídia sobre as pessoas já considerada passado pelas teorias da comunicação, o chamado receptor nao é assim tão passivo quanto se imaginava nos anos 60 e 70- tem um filme dessa época, Rede de Intrigas, de Sidney Lumet que, apesar de fantástico, se apóia nessa crença, de que a TV pode manipular as pessoas a bel prazer. E também não se deve esquecer o quanto a Record(para o bem e para mau) se posiciona quase sempre contra a opinião da Globo. Só que perde quem a tem a como fonte única de informação.

ÁS DE COPAS
Anteontem foi a notícia de que a FIFA havia vetado o Morumbi como estádio sede da Copa do Mundo de 2014. Ricardo Teixeira apareceu na Globo com cara de decepcionado dizendo que, apesar de seus esforços, o São Paulo FC não fez sua parte. A Folha de São Paulo, mais lúcida, estampou “Ricardo Teixeira veta Morumbi para 2014”, mesma análise que fez a ESPN. Ora, não é segredo que a FIFA não tem nada a ver com a decisão, que o Morumbi foi vetado porque o presidente do São Paulo votou contra o candidato da CBF na eleição para presidente do Clube dos 13. E também porque com a construção de um novo estádio, o tubarões de sempre vão poder mamar nas tetas do Estado, como foi no PAN do Rio, apesar do governador Goldman e do prefeito Kassab terem jurado que não vão dar um centavo, como fizeram as autoridades no PAN do Rio. A Globo e Teixeira são aliados de sangue. Uns dois anos atrás a Record ofereceu uma quantia maior do que a da Globo pelo Campeonato Brasileiro, e Teixeira não se comoveu. Os clubes tomam dinheiro adiantado do patrocínio da globo , via clube dos 13, e fiam atrelados a Teixeira. É um jogo, mas de interesses. E hoje Dunga é a pedra no sapato dos dois. Técnico tampão que deu certo via um misto de disciplina de quartel e retórica de auto ajuda, se recusa a liberar seus jogadores para dar entrevistas exclusivas a quem quer que seja. Assim o showzinho patriota de 2006 não pôde se repetir e Fátima Bernardes ficou órfã nas entradas ao vivo. E Teixeira (e a Globo) fizeram de tudo para fritar Dunga, mas ele, teimoso como só, nem cedeu nem perdeu.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

AS VEIAS ABERTAS DA FOTOGRAFIA




Semana passada vazou esta foto que a atriz Carol Castro fez para a revista Boa Forma que, tivesse ido parar na capa sem o devido tratamento de photoshop, teria um tom de ironia interessante. A foto vazou, a revista caiu em descrédito, como também a coluna da jornalista Mônica Bergamo na Folha, que deu a “photo” dizendo que a calcinha larga é que escondia a tatuagem que a atriz detesta) e, no Twitter, Carol reclamou das pessoas “maldosas”.
Maldosa mesmo,nessa caso, talvez seja a revista, que vende uma beleza que não existe(essa cor de pele, por favor!) e deixa milhares de mulheres detestando seu próprio corpo. Mas o assunto aqui não é esse, o que nos interessa (a mim pelo menos, ao leitor não sei) é o status da imagem fotográfica no mundo contemporâneo.



A fotografia surgiu no século 19 e mudou de vez os rumos da pintura, como todo mundo sabe bem. E o curioso é que embora no início não tivesse cor –e quando teve por um bom tempo os resultados eram desatrosos- a “realidade” ali se colocava como superior a uma pintura de um Courbet, por exemplo, que é de um realismo absurdo,muito superior ao de muitas fotografias da época. O fato é que se pensava na ciência da coisa, que, entre a imagem e o espectador não existia mais uma construção através da mão humana, o intermediário humano, mas uma máquina e, lógica algo cartesiana, a máquina, ausência completa de sentimento, era incapaz de distorcer a realidade.



A imagem fotográfica nunca foi digna de confiança nem livre de ambigüidade, mas não era isso que se pensava então, nem depois. O cinema clássico norte-americano (o dos na os 30 e 40) e boa parte do atual vivia e vive dessa fé; o que está filmado corresponde exatamente a um único significado, não deve sobrar dúvida em quem assiste sobre aquilo que assiste, não deve haver ambigüidade na imagem. Os anos 50 trouxeram a ambigüidade e você já não podia dizer o que um personagem estava pensando só de olhar para a expressão no rosto do ator.



Pois bem, todo esse caminho não para falar das veias nas pernas branquelas ou da barrida engolida da Carol Castro, mas sim do Photoshop. O professor da USP Arlindo Machado, uns 10 anos atrás já descrevia o atual panorama como pós-fotográfico, ou seja, a imagem não existe mais num suporte físico, o filme em negativo, mas num virtual, uma sequência de código binário e, exatamente por isso, manipulável em sua origem. E no cenário pós-fotográfico não cabe mais nenhuma espécie de fé na imagem exatamente por aquilo que vemos aí, a tatuagem da atriz desaparece junto com suas veias e barriga, muito embora tudo isso tenha sido fotografado. Qualquer garoto em casa pode fazer isso. Então nossa postura frente a imagem é não mais de fé(como no século 19) mas de descrença antes de tudo.
E isso se estende à imagem filmada. Quem pode dizer quais vídeos no youtube são verdadeiros ou manipulados?
***
Isso tudo tem a ver, de certa forma, com a sociedade que valoriza a imagem acima do real, que precisa obsessivamente manipular a própria imagem, seja dizendo que é assim ou assado no perfil de um orkut ou facebook, seja transformando o corpo (anabolizante, silicone) seja fazendo caras e boas na capa da Caras. Mas isso é outro assunto, de que já tratei de certa forma ao falar de um pobre diabo no programa Domingo Legal http://bar1211.blogspot.com/2010/02/blog-post.html.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

POR QUE REVER -O PODEROSO CHEFÃO 2


Das maravilhosas passagens de Poderoso Chefão 2, escolhi comentar uma sem motivo especial, apenas para que o leitor tenha idéia do porquê esta é uma obra a ser vista e revista.
É um filme repleto de simbologia (as imagens muitas vezes tem um significado metafórico), onde a presença da morte e da decadência (que dialogam como o progressivo e inexorável isolamento de Michael Corleonne) é marcante e constante; são muitas as cenas de inverno pesado, aliás, significativamente, parte-se de um outono (o vento leva as folhas caídas, mortas) para um inverno rigoroso que se contrapõem à história solar, luminosa, que conta em paralelo a juventude de Vito Corleonne e sua ascensão no mundo do crime, tempos mais românticos(como fora o primeiro filme).


À cena, então :
Os mafiosos Michael Corleone e Hyman Roth (à esquerda na foto.Se o nome não for esse é bem parecido...)vão a Cuba sob o pretexto de serem empresários do ramo do “turismo e lazer”, quando, na verdade estão mesmo é dando uma boa grana para o presidente para poderem explorar os Cassinos locais. E não são só eles, muitos figurões da ilegalidade e da legalidade (ou ambos) aparecem no filme, como de fato era na realidade, fazendo de Cuba uma espécie de Resort dos Estados Unidos. Lá a máfia não seria incomodada pelo FBI, lá, com no resto da América Latina, os empresários teriam nos governo corrupto um parceiro interessado e dedicado. Mas veio Fidel e acabou com a farra. É precisamente nas horas que antecedem a queda de Fulgêncio Batista que o filme mostra um rebelde escapando do cerco policial e explodindo uma granada presa ao próprio corpo, levando consigo um agente da lei. Copolla corta para uma cena em uma mansão no alto de um morro onde se pode observar a ilha de cima. É aniversário do velho Roth, que recebe um bolo que chega com uma daquelas velas que espalham fagulhas e lembram uma bomba, uma dinamite. Roth pede que o criado mostre o bolo a todos os convidados antes de cortá-lo. Só então vemos que o bolo está pintado o mapa de Cuba, com a vela cravada bem no meio. Roth corta o bolo.
São os americanos partilhando Cuba, ou melhor, repartindo (como os europeus fizeram com a África), só que Cuba é um barril de pólvora prestes a explodir. E Copolla faz da montagem a ferramenta para nos dizer isso, ao justapor a cena do homem que explode à do bolo chegando.


Sem dúvida é uma obra para se ver muitas e muitas vezes, no entanto é bom avisar: a cópia que passa na TV é em tela cheia, o que destrói a rigorosa composição de cena de Copolla. Já das versões disponíveis em DVD, prefira a restaurada (Box de caixinha vermelha com assinatura do Copolla),a diferença é gritante. O profundo do negro , o brilho do dourado, tudo isso está pálido nas versões anteriores. E, neste filme, o contraste entre as cores tem muito significado. Dispensá-lo significa esvaziar um bom tanto de sua grandeza.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

PIXAÇÃO, ARTE E DESINFORMAÇÃO


Hoje no Bom Dia Brasil e depois no SPTV a jornalista Carla Vilhena chamou matéria em que dois pixadores foram flagrados pela Polícia (e pela câmera da TV Globo) e, em seguida, ao descer do prédio, caíram e foram levados ao hospital. O tom tanto da matéria quanto da locução de Carla, foi de comemoração. Só faltou dizer “bem feito”.
OK, ninguém é obrigado a gostar de pixadores ou de pixação e é quase lugar-comum dizer que “graffiti é bacana, pixação não”, mas a postura do jornalismo da Globo e de Carla Vilhena é a de sempre, a do desconhecimento dos temas que trata. A Bienal de Arte deste ano (abrirá em setembro) irá discutir exatamente isso, as fronteiras movediças entre arte , política, arte-política e “pixo” . E ninguém espere uma resposta, afinal eles não tem uma. A proposta inicial é de que o pixo é uma manifestação política, mas não arte. Isso é só uma idéia a ser discutida a partir de fotos e vídeos que serão expostos pelo pessoal que, ano passado, invadiu e pixou o andar vazio da própria Bienal, intitulada muito apropriadamente de Bienal do Vazio.
Ora, e no vazio de proposta e de perspectiva de uma Bienal de obras medíocres escolhidas uma direção então acusada de inepta e corrupta, o “pixo” foi o que mais chamou a atenção, logo, nada mais justo do que eles entrarem pela porta da frente e confrontarem suas ações à arte dadaísta(o gesto destrutivo, a irreverência, a não-arte).
Enfim, ninguém precisa gostar dos pixadores, mas também ninguém precisa engolir mais uma matéria moralista, “datenesca”, e vazia de informação. E levar informação é a obrigação do jornalismo.


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Se eu pudesse, recomendaria à sempre preocupada Carla a leitura do fanzine Subsolo- Ruas do ABC Paulista
http://imprensaalternativanoabc.blogspot.com/2010/04/subsolo-ruas-do-abc-paulista.html e da Revista Graffiti Poético http://graffitipoetico.com.br
Repito: ninguém precisa gostar, mas deve conhecer.

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A propósito, dia 11/06, às 19h00 em Santo André, lançamento do número 3 da Graffiti Poético. Informações no site.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Fecha-se a flor-de-Lótus.

Morreu, aos inacreditáveis 103 anos, Kazuo Ohno, gênio-criador do Butô.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

VALE A PENA ASSISTIR AOS CANAIS UNIVERSITÁRIOS

É uma boa experiência assistir aos canais universitários da TV a cabo. Com produção modesta, mas muita criatividade, eles não raro dão banho em programas semelhantes dos canais tradicionais. O mal uso da câmera é um problema comum à TV Uniban e a TV UniABC, o pessoal parece que quer escapar do estilo tradicional e fica dando umas piruetas desnecessárias, quase nauseantes, filmando coisas à toa enquanto o entrevistado fala. Mas é o tipo de erro saudável, que acompanha essa vontade de fazer diferente- se bem que nauseante mesmo é aquele Detetives da História, do History Channel, mas ali é outra coisa, eles acham que documentário é hato e pra fazer ficar "legal" e "ágil" usam aquela edição histérica e aqueles zoons insuportáveis, que tem impedem de sequer refletir sobre o que está vendo. Bom, voltando aos canais Universitários, alguns programas são ruins, outros mais ou menos e outros muito bons, não importa, o que vale é que nenhum deles reproduz aquele modelo de TV cristalizado pela Globo e reproduzido servilmente por todos os outros canais. Já vi um bocado de matérias em telejornais falando da Estação da Luz , por exemplo. Em um minuto e meio contam a história toda e em cinco minutos nós já esquecemos do que vimos, porque a informação era rala, porque entrevistado nenhum fala por mais de trinta segundos, porque as imagens aparecem e somem muito rapidamente. Pois bem, vi um programa em que um historiador falava da origem dos lubes de futebol, de como a estrada de ferro influenciou a criação de muitos deles. Em seguida entrou uma matéria que falou da Estação da Luz sem um pingo de pressa,como o assunto pede.
É uma maneira diferente de lidar com o material jornalístico, não sem erros, mas com muita vontade e boas ideias.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

sexta-feira, 21 de maio de 2010

CULTURA- PORQUE O POVO PRECISA


Depois do longo texto com reflexões sobre a Virada Cultural, pego um das pontas que deixei soltas, a da Política Cultural. O que a Virada faz é levar cultura às pessoas de uma maneira atodos possam, mesmo que sem querer, tomar contato com diversos tipos de manifestações artísticas. Isso quebra todo tipo de barreira,como a do fã de rock que diz odiar samba, a do pessoal do teatro que não gosta, sei lá, de show de rock e por aí vai. Até porque se você gosta de algum tipo de arte e, claro, tem de pagar por ela, dificilmente você arrisca. Mas enfim, o que eu dizia é que se deve haver uma política cultural ela tem de começar por levar a arte ao povo, da mesma maneira que a Virada. Porque cultura paga elitiza, e você fica com regiões inteiras e milhares de pessoas cuja única forma de cultura que recebem vem da TV aberta (não que a paga seja grande coisa, mas aí é outro assunto), que, qualquer um sabe, 90 % do tempo joga como a seleção do Dunga, apenas pra garantir o resultado, arriscando o mínimo possível. Isso reduz a coisa ao mínimo denominador comum, à esterelidade total, às fórmulas prontas que agardam todo mundo sem exigir esforço nenhum. Pois bem é, ou pelo menos deveria ser, obrigação do Estado oferecer cultura(citei antes o exemplo de cinema a céu aberto) seja na forma de espetáculos de teatro, música clássica ou exposições. A situação é tão creítica que muitas cidades no Brasil não tem sequer uma sala de cinema ou um teatro. Aqui mesmo no grande ABC temos a onipresença do Cinemark, cuja programação não é muito melhor do que a da TV aberta, bem como salas de teatros municipais que cobram ingressos caríssimos para exibirem comédias Stand-Up.

Mais do que oferecer apenas cultura o Estado DEVERIA facilitar o aprendizado artístico, na forma de bolsas de estudo escolas gratuitas, sei lá.



Vamos pensar na seguinte situação: Um jovem da vila Brasilândia que vê a OSESP por exemplo. Não vai ver, não como as coisas são hoje, mas imaginemos que ele veja e decida se tornar um violoncelista, o que ele faz? Já éum milagre conseguir um colégio técnico, imagine então ensino artístico de qualidade-pedir qualidade é pedir mais que o milagre, vamos ser sinceros.



Está tudo errado desde o princípio, porque para que nosso jovem hipotético queira ver a OSESP (existem concertos gratuitos domingo de manhã, na Sala São Paulo) ele precisa primeiro saber que ela existe e isso não vai acontecer porque, até onde eu saiba, orquestra nenhuma toca em áreas carentes. Aliás, muitas orquestras estão na pindaíba, maltratadas pelas prefeituras, pelo nepotismo (entre muito músico ou cantor porque é amigo do vereador fulano...) e aí a crise é outra, a de qualidade.





Algo está sendo feito pelo Banco do Brasil, através do CCBB
http://bb.com.br/portalbb/home21,128,128,0,1,1,1.bb. É o programa No Centro da Arte, que leva a programação do CCBB SãoPaulo para a Praça do Patriarca. Entre maio e Junho se apresentam o grupo de forró trio Sabiá, o espetáculo de música e dança Lo Mejor Del Tango (foto) e o quinteto SLAP, que usa instrumentos de sopro (oboé, clarinete, sax) para interagir com o filme The Circus, de Charlie Chaplin. As apresentações são ou ao meio dia e meia ou às 18h00, o que é estratégico -você "fisga" as pessoas no almoço ou saindo do serviço.



Antes de reclamar que o povo não gosta disso ou daquilo, que prefere ver TV, é preciso levar a Cultura ao encontro das pessoas. O vale cultura vai ajudar, claro, mas a pessoa não vai buscar aquilo que não conhece e muita gente vai acabar usando esse valor apenas pra engordar a arrecadação de Transformers 8, Jogos Mortais 15, sei lá - nada contra ver filme em que psicopata retalha as pessoas ou que caminhão vira robô gigante, mas não dá pra ficar só nisso.

E se quisermos mai artistas, ajudar quem queira se tornar um. Só assim há um crescimento cultural no país. E pra quem estiver pensando que isso tudo é bobagem pode começar a repensar porque num país em que o nível cultural é nivelado pela TV e onde universitários tem dificuldade para interpretar um texto (escrever, então, nem se fala) é porque a coisa vai mal.


segunda-feira, 17 de maio de 2010

VIRADA CULTURAL- PORQUE O POVO PRECISA

Escrever em um blog é uma luta e tanto contra si mesmo, afinal nõ é pequena a tentação de se fazer passar por sabe-tudo. São poucos os leitores e menos ainda os que colocam algum comentário(quando eles existem), então, na prática, fica como se fosse um monólogo diante do espelho. O blogueiro fala o que quiser e bate palmas para si mesmo e tudo fica bem.
Bom, nem tanto, afinal esta postagem serve pra desmentir (pelo menos em parte) a anterior, quando eu critiquei duramente a Virada Cultural. Em resumo eu disse que o evento havia chegado ao seu limite duas edições atrás e dali em diante a tendência seria trair sua própria essência que é ofereer cultura da maneira mais plural e acessível e também que a formação de público seria melhor conseguida se parte do orçamento da Virada fosse para políticas públicas (como exibição de filmes ao ar livre, por exemplo).
Vamos lá: essa edição da Virada conseguiu superar aquilo que havia sido um problema aparentemente insolúvel, o do execesso de pessoas, que impedia a circulação, portanto bloqueava o evento , mantendo as pessoas fechadas em nichos de sua preferência(quem era fã de rock ficava só no palco de rock, até porque não conseguiria ira outro lugar). Foi de certo modo uma questão de logística; a distribuição dos palcos foi inteligente, os que concentravam mais público estavam bem distante uns dos outros, evitando assim o "congestionamento" de pessoas. Também não havia atrações em ruas de acesso aos palcos, nem na entrada do metrô Sé. Isso possibilitou a livre circulação de pessoas e, portanto, o contato com toda forma de arte. Daí que aontecem coisas incríveis, só possíbilitadas pela Virada, como um grupo de Congada irculando pela cidade e, indo atrás deles, heppies, universitários típicos, pessoal com camisetas de bandas de metal e farotos fantasiados de Hary Potter.
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A OSESP, após um período turbulento sob o comando de John Nashling, estreou na Virada agora sob a batuta de Artur Nestróvski e sua nova diretriz: ir ao enontro do público. E não poderia ter sido melhor: uma multidão de pessoas num domingo à tarde, sentadas, em pé ou mesmo penduradas nas grades do parque da Luz, mas em silêncio ouvindo a Tchaikovsky e Shumman. E aplaudindo efusivamenbte os bailarinos da SP Companhia de Dança, que fizeram apresentação especial. Logo ao final, as pessoas levantaram , pegaram suas cadeiras e correram em disparada para o palco no lado oposto da avenida, onde começaria um espetáculo de dança contemporânea.
Aí está a prova de que não faz sentido essa elite (econõmica, não a intelectual) diz, que o Povo não gosta de músia clássica. Mentira, o povo gosta sim, só não tem acesso.
E exige pouco esforço imaginar o que uma política pública eficiente pode fazer em áreas eonomicamente desprivilegiadas. As criaças não tem acesso a cultura de espécie alguma, só à TV (cujos valores obedecem aos critérios da audi~encia) e seus ideais de sucesso na sociedade são os criminosos. O rime seduziria muito menos jovens se a possibilidade deles serem músicos, bailarinos, artistas fosse tão acesivel quanto conseguir um revolver.
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A melhor surpresa, para mim foi mesmo a tal "Dimensão Nerd" provando que o significado nda palavra cultura é mesm ampla. E o local foi significativo, a Praça Rossevelt, reduto de mendigos, usuários de drogas e do povo que circula pelos teatros e que não é qualquer público de teatro, é bem diferente,k por exemplo, dos endinheirados das salas do Bixiga, por exemplo.
Os artistas estavam lá, afinal os teatros e os bares estavam funcionando, mas convivendo com uma garotada que fazia um jogo que é também interpretação, o RPG e ao mesmo tempo usando fantasias. O diálogo deve ser explorado, entre a cultura pop nerd e o teatro "underground"(não gosto da palavra mas vai ela mesmo) da Roosevelt. E só mesmo na Virada para esses dosi grupos tão distinmdo dividirem o mesmo espaço, ainda que suas experi~encias sejm ligadas pela interpretação de apéius, por viver numa outra dimensão que não a real, a ordinária. Cada um a sua maneira, claro.
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A Virada devolve o Centro ao povo? Antes eu disse que isso era balela, que dado nenhum prova que a população volte ao centro por causa da Virada e que o que há é mera oupaçlão predatória. Ora, disse isso ainda lembnrando da edição de 2009, que aliás ganhou as manchetes dos jornais exatamente por causa do mau comportanto de muitas pessoas. Saiu notícia de uma morte este ano, a primeira. Mas parece ter sido um probelma daqueles impossíveis de evitar. O centro estava cheio de lixo, é verdade, mas isso foi burrice pura, achar que as lioxeiras minúsculas do centro dariam conta de 4 milhões de pessoas (número estimado pela prefeitura).
E havia uma profusão de banheiros, quie, apesar de tudo, não impediram alguns garotões bem vestidos de urinar da rua. A ocupação predatória existiu sim, é um mau hábito latino americano, mas diminuiu frente a uma organização eficiente.
E a Virada devolveu o Centro ao povo, ainda que por 24 horas apenas, quando se pôde atravessae aquela faixa de gaza que é a praça Roosevelt em direção ao Anhangabaú à meia noite sem ter medo de qualquer tipo de crime. O sensato é que fosse sempre assim, afinal a noite paulistana é uma espécie de virada cultural, mas que tranca as pessoas nos carros e as faz reféns dos estacionamentos. E, sem pessoas que circulem à pé, vivendo e não apenas usando a cidade, o centro não renascerá nunca.
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Pra finalizar; é só uma impressão minha (e isso não quer dizer nada), mas acredito que o público foi bem menor do ano passado. Primeiro porque não conhei ninguém que esteve na edição anterior e não se dissesse traumatizado. Segundo porque a prefeitura divulgou um número de visitantes igual ao do ano anterior. Sabendo que é uma prática comum aumentar o público de evntos desse tipo a cada ano,me parece que na impossíbilidade de faezr isso (iria dar muito na cara, vamos dizer assim) resolveram não dizer que o evento encolheu. Ainda mais em ano de eleição.
É só uma impressão que não diz nada, mas isso pouco importaria porque para mim foi a melhor das seis edições já realizadas até agora.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

VIRADA CULTURAL- PRA QUÊ?

Enfim outra Virada Cultural e mais um enorme número de atrações rolando 24 horas por toda São Paulo. Ótimo, né? Não na minha opinião. A Virada começou como uma aposta de risco de imitar as "noites brancas" francesas, com atrações que atravesassem a madrugada, um oásis de cultura no meio da escassez de eventos culturais gratuitos na cidade. Só que foi inchando, inchando até atingir a massa crítica ano retrasado. Já 2009 foi o caos completo, com depredação, gente urinando de cima do viaduto do chá e pessoas não conseguindo nem sequer se desloar de um ponto outro do centro da cidade.
A que serve um evento assim? Aos marketeiros da prefeitura que rejubilam com números recordes(ano passado disseram que foram 4 milhões de pessoas, este ano esperam ainda mais), com certeza. Mas e ao público? A intenção era a de formar público, oque só é possível se você permite om que as pessoas irculem livremente entre uim ponto e outro, podendo encontrar uma pista de música eletrônica aqui, uma orquestra sinfônica lá e, no meio do caminho, ouvir heavy metal e ver uma exposição no CCBB. Senão o que acontece é a formação de bolsões de pessoas por interesse pessoal. Quem gosta de rock ,por exemplo, fica só no palco de rock e não toma contato com outras artes. Quem quiser ver comomdeveria ser a viarad cultural é só ir á virada esportiva., que até agora não cedeu à tentação de colocar atrações que chamam um públio enorme, além do tolerável.
E aí tem aquela história de que serve pra "repovoar" o centro, para trazer as pessoas de volta ao centro de São Paulo. Balela, o que ocorre é uma ocupação predatória, daquelas que o pensador Argentino Nestor Garcia Canclini fala tanto e que é herança duplamente maldita; do comporytamento do colonizador, que vinha aqui levava o que queria e deixava destruição para trás e do índio nômade, que usa até a fatigação um local e muda-se para outro. Não é cidadania, não é repovoação, nada . E nesse sentido não há um único dado que prove que a virada tenha contribuído.
E não é política cultural também, porque para isso teria de ter um objetivo , pelo menos um ideal, o que não há. E é de se pensar no gigantismo do evento, que traz um investimento igualmente giogante, se , pelo menos parte dele não seri muito mnelhor aproveitado numa execução de uma política pública de cultura. Um exemplo? Cinema a céu aberto. O governo financia a produção de filmes, mas não possibilita que eles cheguiem às pessoas.
A Virada não precsia inchar tanto ao ponto de explodir. Pode muito bem encontrar um tammanho e uma finalidade ideiais.