sexta-feira, 12 de agosto de 2011

CINECLUBE GAMBALAIA ESPECIAL !


Dia 19 de agosto, sexta-feira, a partir das 20h, o já tradicional Cineclube Gambalaia se une ao coletivo de DJs Vira5Acaba10 para inventtar moda e promover a primeira 
Rock Horror Fest do Gambalaia!


A discotecagem será horripilante, no melhor sentido da palavra, começando por bandas que usaram e abusaram do horror como Cramps, Misfits, Mummies e também contemplando  artistas que flertaram com o tema como Ramones, Bauhaus, Sonic Youth, Fred Schneider, Michael Jackson, gente da New Wave, Surf Music, EBM, Soul e até Jovem Guarda! Vai tter de tudo !
Além disso tudo ainda rola uma discotecagem especial  só com  trilhas sonoras de filmes de horror (pra aguçar a curiosidade: uma delas é a do cult Vampiros Lesbos).



Entrada: R$ 10 - Quem chegar até às 20h paga só R$ 5!!!

Quer conhecer os caras?  http://www.vira5acaba10.com.br/


segunda-feira, 8 de agosto de 2011

CINECLUBE GAMBALAIA -11/08


Quinta-feira o Cineclube Gambalaia dedica a noite a um dos maiores ícones do cinema, Marilyn Monroe, que recentemente voltou a ser notícia por causa do leilão de um filme pornográfico supostamente protagonizado pela estrela antes da fama.

Além da exibição da comédia romântica "O Pecado Mora ao Lado" haverá uma exposição one shot em homenagem a Marilyn com livros, discos, revistas,reportagens, posters e memorabilia, além de um bate-papo com a poeta e professora Jurema Barreto de Souza, que gentilmente disponibilizou seu acervo para o evento.

Também exibiremos também cenas de "Something got to Give", filme inacabado que seria a última aparição de Marilyn Monroe no cinema, pouco antes de morrer precocemente aos 36 anos.

Como se não fosse o bastante, preparamos também algumas surpresinhas.

O Cineclube é gratuito e a pipoca também é free !


Assista aqui ao trailer do filme:





Quer saber mais sobre o polêmico leilão? Leia aqui:



quarta-feira, 3 de agosto de 2011

VELOZES E FURIOSOS


Na TV uma reportagem sobre a morte do administrador Vitor Gurman, 24, atropelado na calçada por um jipe LandRover desgovernado num rua em que o limite de veloicidade era de 30Km por hora.
Intervalo comercial  e o anúncio do Hyunday Veloster com o carro disparando feito um foguete e a voz em off dizendo algum tipo de abstração como "pense em novas possibilidades". 

 Seria ridículo se não fosse trágico.  Ridículo porque  associar carro e liberdade(daí a apologia da velocidade) não é  só batido, é datado. É de um tempo em que quase ninguém tinha carro e uma viagem de São Paulo a Santos podia mesmo ser chamada de viagem.  Sem falar dos congestionamentos de hoje.

Mas é trágico porque todo anúncio de automóvel enfatiza a velocidade. Basta comparar. A indústria do tabaco foi proibida de patrocinar eventos  esportivos porque com isso associava seu produto a saúde. A indústria de alimentos prontos e as redes de lanchonetes hoje sofrem pressão para demonstrarem que seus produtos podem ser prejudiciais  à saúde e a reduzir as gorduras trans. O MacDonalds nos  EUA já inclui frutas e leite desnatado no seu menu de café da manhã e mesmo assim sofre pesadas críticas pela chantagem emocional que faz com as crianças ao oferecer brinquedos como brinde na compra de lanches.

A indústria de cerveja  está livre de quase tudo, com excessão do ridículo e insignificante "beba com moderação", dito em 0,3  segundo.

Já a automobilística continua no paraíso de Pinóquio, afirmando o que bem quiser (ainda que não tenha sentido algum) e sem assumir  nenhuma responsabilidade pela carnificina que é o trânsito hoje.
Para se ter uma idéia, entre 1998 e 2008 cresceu 32,4 % o número de jovens mortos em acidentes de trânsito.Nesse período a população total cresceu 26,5%.
De janeiro a março deste ano foram pagas 76.515 indenizações DPVAT a vítimas de acidentes de trânsito no Brasil. E o número é certamente maior se pensarmos que nem todas as vítimas dão entrada no DPVAT.
De 2009 a 2010 o número de indenizações por invalidez cresceu 23,5 %.

Não é interessante à gritaria dos Datenas da vida, mas não se engane, estes são números de guerra.  

sexta-feira, 29 de julho de 2011

#SANDYFAZANAL



Diz o filósofo Jean  Baudrillard (1929-2007- foto ) no fundamental "Simulacros e Similação" (1988):


Estamos num universo em que existe cada vez mais informação e  cada vez menos sentido(...)A perda de sentido está directamente ligada à acção dissolvente,dissuasiva,da informação,dos media e dos mass media(...)Pois onde pensamos  que a informação produz sentido,é o  posto do que  se verifica.A informação devora seus próprios conteúdos.Devora a comunicação e o social(...)Em vez de comunicar,esgota-se na encenação da comunicação. Em vez de produzir sentido, esgota-se na encenação do sentido.Gigantesco processo de simulação que é bem nosso conhecido.Hiper-realidade da comunicação e  do sentido.Mais real do que o real,  é assim que se anula o real
 O texto,deu pra perceber, foi tirado da edição portuguesa do livro.Os grifos  são do autor.
Dirreto ao ponto. No princípio, Sandy era cantora-mirim. Até anteontem era a namoradinha do Brasil, ou seja, a moça pra casar(virgem)comportada ao ponto de ser retrógrada. A caretice sonhada por 99% das mães para suas filhas. Casou com um bom-moço.
Meses atrás Sandy foi vista na platéia do UFC, torneio de MMA(artes marcias mistas, o antigo vale-tudo). Semanas  depois ela é  anunciada como  a nova garota propaganda  da cerveja Devassa, substituindo Paris Hylton. Mas Sandy, logo ela...devassa? A justificativa do marketeiro(cito de memória)"ela tem um lado que  as pessoas desconhecem, gosta de artes marciais, por exemplo".
Hoje, exatamente hoje, bomba na internet  frase dita por ela em entrevista  e que estampará  a capa da Playboy agosto: "É possível ter prazer anal". O trend topic, reproduzido no título dessa postagem, lidera no twitter.
Como se vê, trata-se da construção da imagem, da encenação do real. Não há informação alguma na frase, não há sentido , há somente simulação.  Qual é o conteúdo da embalagem Sandy?(afinal ela é um produto).  Nenhum. A rigor, ela se constrói (ou é construída) ao oportunismo do momento.  Esgotada a criança vem a boa-moça, esgotada esta, vem a devassa. E a reboque dos produtos que se pode vender com isso. Alguma dúvida de que as ações foram calculadas para moldar a cantora à imagem e  semelhança da cerveja? 

É como o caso da marca de chinelos Havaianas, que nunca mudou nada em sua substância(tem o mesmo modelo, é feita do mesmo material, serve para a mesma coisa)mas passou de produto "de feira" a produto "descolado" em um ou dois anos através de uma eficiente campanha de marketing. Que é a havaiana afinal?
Ok, Sandy agora faz anal. Mas que Sandy?

***
É sinal  dos tempos uma   cerveja manipular sua imagem quando o fundamental é seu conteúdo   (sabor). Que importa se o nome é Devassa, Engenheira ou Madre Tereza? Que diferença faz? Por que diabos alguém deveria escolher uma bebida por que ela associa sua   imagem a um conceito sem real significado? Mas é assim que funciona. A Devassa apenas deu um passo além nas estúpidas propágandas com gente malhada e de pouca roupa dançando, cantando e namorando na praia.
***
Não da para pensar esse século sem tentar entender Lady Gaga, a própria imagem sem substância, personagem sem ator que a preceda, crítica e ao mesmo tempo representação dessa sociedade do simulacro. Mas isso é outra história.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

ADEUS, AMY !

Como sempre quando  morre um artista  é de praxe a cobertura jornalística tão exploratória quanto a  dos magazines que anunciam a venda dos discos  como "Tributo a fulano de tal". A TV dedica cobertura extensa, repisando o que já foi dito, explorando ninharias, ressaltando clichês.
Com Amy Winehouse não é diferente. As drogas, os escândalos, a bela voz e o talento perdidos. 
O tempero da vez é a idade  funesta, 27 anos(mesma com que morreram Joplin, Hendrix,Morrison e Cobain),  e dá-lhe o clichê romântico do gênio auto-destrutivo. 

O que interessa mesmo dizer de  Amy é colocar os pingos nos "Is" de sua curtíssima carreira. Musicalmente não inovou nada. Era um soul music retrô, um quase revival de Dusty Springfield. Bacana, principalmente se levado  em conta a anemia da música pop atual, com raras excessões (principalmente se pesarmos que LadyGaga é mais imagem do que música). Mas o forte mesmo da magrela beberrona era o conteúdo confessional de suas letras e, mais do quie isso, o tom pé na jaca delas. Essa simbiose sem constrangimento  da arte com a vida pra lá de desrregrada é que faz dela uma figura muito mais próxima de um escritor como Charles Bukowski do que, por exemplo, rockstars que também morreram jovens. Não que todos  eles não fossem tão ou mais porraloucas que Amy, mas essa  não era a forçaa motriz  de sua arte. Era ,em muitos casos, talvez, decorrência. 

A literatura de Bukowski era repelta de bebedeiras, fracassos e situações constrangedoras. Sua vida fracassada de proletário (mas não sem diversão).
Essa era a  pimenta da música de Amy e o que lhe fazia distinta da soul music que a precedera e da cena pop atual, repleta de escândalos gerados em tubos de ensaio.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

TEMPOS DE CRIATIVIDADE E INVENÇÃO NAS HQS DE SUPER HERÓIS


Houve um tempo em que nem tudo era tolice adolescente nas HQs de super-heróis. Depois do cataclisma causado por Alan Moore(Watchmen/ A Piada Mortal) e Frank Miller (O Cavaleiro das Trevas) no final dos anos 1980 , toda trama de ivasores galácticos e vilões verborrágicos a fim de dominar o mundo pareciam insuportavelmente ridículas.

E fez-se a luz, ou melhor,  as trevas. Temas sombrios, abordagens complexas, num cenário fazia lembrar a nova Hollywood, quando a derrocada dos grandes estúdios tradicionais abriu as portas para uma geração de cineastas jovens, ousados e dispostos a fazer trabalhos autorais e absorver as inovações do cinema moderno europeu, como Francis Ford Coppola, Peter Bogdanovich, Martin Socorsese, Willian Friedkin e até mesmo Steven Spielberg e George  Lucas. Entre outros,claro.

Surgiram,então, nos anos 1990, uma profusão de graphic novels, onde os artistas tinham boa dose de liberdade para inovar, tanto na temática quanto no apuro visual. As imagens acima são dois bons exemplos. A primeira é da graphic "Batman-Houdini- Oficina do Diabo", de 1995, publicada pela editora Abril e que imagina o Homem-Morcego no início do século 20 às voltas com o maior escapista de todos os tempos. O argumento é de Howard Chykin e John Francis Moore e a arte de Mark Chiarello. A segunda é de "Gritos na Noite", escrita  por Archie Goodwin e pintada  por  Scott Hampton,  é de 1993 (também trazida pela Abril). Curiosamente ambas tratam de violência contra crianças.  Na primeira o tema é atenuado, porque obra do supervilão Coringa;na segunda o tratamento é mais contundente, porque cometida por criminosos comuns e baseada em fatos tristemente reais.

É interessante notar a maneira como cada uma usa a página expressivamente, branca-sépia, no primeiro caso(que realça os desenhos e dá vida à onomatopéia) e em tom de  chumbo, sufocante e opressivo, no segundo caso .
Como em Hollywood, essa fase de ousadia e  vitalidade critaiva durou pouco. Hoje, para atrair leitores,  vale mais um bom truque de marketing  do que bons artistas. Triste que seja assim. Sorte de quem comprou e guardou o material daquela época.

***

Sobre a postagem anterior, é importante notar também o valor da página em branco. Não em si, mas no espaço que o artista deixa de usar porque a repetiução em close da figura do yakuza camponês é bem maior do que a do outro, de brinco. Isso equivale,maol comparando, a incluir uma música que enfatizasse esse close, se isso fosse cinema.  E nos dá a entender quem é mais importante ali ee,mais ainda, qual deles exerce maior impacto sobre o leitor.
Tente imaginar a cena com os dois quadrinhos em tamanhos iguais e você vai saber do que eu estou falando.


terça-feira, 12 de julho de 2011

TRÊS HOMENS EM CONFLITO, TRÊS PERSONAGENS COM VIDA PRÓPRIA


Tem um ótimo artigo na coluna do Sérgio Codespoti no Universo HQ(que infelizmente não é mais publicada) em que ele fala sobre uso de fotografias por desenhistas de HQ para produzir o tal "efeito realista", muito comum hoje nos quadrinhos  de super heróis- http://www.universohq.com/quadrinhos/2009/chiaroscuro_realismo.cfm.
  Sem condenar o uso, Codespoti mostra no entanto sua limitação por artistas pouco talentosos;a página fica engessada, porque submete a composição toda à fotografia.
Ora,  um personagem deve agir, reagir,  mover-se de acordo com o que pede a história, não porque você tem uma referência fotográfica prévia e quer usá-la. Aí já é o contrário, você submete a história (que tem suas necessidades, "chama" por determinada ação) à fotografia.

 Existe um outro problema, que é  desenhar homens e mulheres de acordo  com modelos fixos. Todos tem  o mesmo tipo de corpo(toda mulher tem cinturinha ,peitos enormes e traseiro alongado como o da Pippa Middleton, pra ficar num exemplo famoso). 

Os rostos não tem individualidade, até porque trazem uma ou outra mínima variação do modelo. Enfim, nada disso é o que vemos numa série fantástica como Sanctuary, mangá que infelizmente teve sua publicação interrompida no Brasil pela Conrad.  Até é  provável que Ryoichi Ikegami, o artistaa,  tenha usado referência fotográfica, mas  ele soube submeter suas imagens à uma ordem maior, a da página, e, mais do que isso, dar individualidade aos rostos.  A maneira como se penteia um, como tem a barba por fazer o outro, dão pistas de seus caráteres que a história não explicita. E reparem que o personagem de brinco tem uma ligeira mudança de expressão entre um quadrinho e outro.

O desenho é o mesmo, com excessão de uma marca de expressão embaixo do olho esquerdo do personagem e de seua sobrancelha direita, que se  eleva um pouco. Ou seja, é o que pede a história, que naquele momento tem uma tensão crescente entre os três yakusas. E,solução inteligentíssima, ao simplesmente reproduzir a figura maior (com chapéu de camponês) ele mostra que, após as reações dos outros dois(espanto de um, leve indignação e dúvida do outro) ele permanece impassível, o que é realçado pelo close em seus olhos.
Parece pouco, mas não  é.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Dia 07 de julho ,  às 20h, no CINECLUBE GAMBALAIA
Laura (Idem- EUA,1944 – 88 min.), de Otto Preminger


Todos estão apaixonados por Laura !

Waldo, o jornalista, Shelby, o playboy e até mesmo Mark, o detetive.

Só que Laura, é bom dizer, está morta.
Foi encontrada em sua casa com um tiro no rosto.

E Mark, pobre Mark, que só a conheceu através de uma pintura ,agora tenta descobrir quem a matou.



* O filme que inspirou "Vertigo", de Alfred Hitchcock !


* A música mais marcante da história do Cinema.


* Uma obra prima do film noir.

* O diretor idolatrado pela geração da nouvelle vague.



"A perfeição ronda o cinema de Otto  Preminger, como ronda o de Kenji Mizoguchi e o de John Ford "


- Sérgio Alpendre, crítico do UOL Cinema



* Após a sessão exibiremos cenas de "Rio das Almas Perdidas", também de Otto Preminger.



Espaço Cultural Gambalaia – R. das Monções, 1018



Santo André - SP - f. (11) 4316-1726 http://www.gambalaia.com.br/








terça-feira, 28 de junho de 2011

TIRINHAS - LAERTE


Interessante o comentário da leitora na postagem anterior. Normalmente as  pessoas tendem a não dar importância às tiras. Ou nem sequer se lembrar delas depois da leitura. Muitos jornais inclusive fazem o possível para isso ao colocar as tiras num tamanho minúsculo que quase impede sua leitura e espremê-las entre o horóscopo e as cruzadinhas. Enfim...

Esta é uma tira de Laerte, artista que depois que abandonou as tiras de humor teve seu material recusado por vários jornais em todo Brasil. Ele não deu bola e prosseguiu testando os limites dessa arte.
Aqui ele lida com o som, limitação inerente aos quadrinhos e também com sua representação em imagem.
Há várias maneiras de fazê-lo, uma delas é usando aquelas linhas tortas para demonstrar barulho, mas Laerte recusa. Parece encarar um problema quase como se estivesse fazendo  literatura, ao criar esse signo impronunciável(bela ironia, aliás).  O som vem da maneira como reconhecemos a imagem do personagem desenhado. É é através dessa imagem que conferimos um significado a uma outra imagem(ou signo) que representa unicamente um som.

O desenho,aliás, é tosco, como percebe qualquer um que sabe do que Laerte é capaz. Mas o desenho não interessa aqui. O foco é  outro.Fazê-lo com perfeição ou detalhamento seria prestar um desserviço ao leitor, porque lhe edsviaria a atenção do que realmente interessa.
E há o humor, claro, que nos faz rir da empreitada inútil do personagem.

Quando Godard fez Une Femme Est une Femme (Uma Mulher É uma Mulher) em 1961 ele estava testando os limites de sua arte. Seu foco, também, era o som e para isso ele mudava a trilha sonora bruscamente numa mesma cena, conferindo significados diversos a ela.

Não fosse um artista de quadrinhos e,  "pior", de tiras, Laerte ja´teria um bocado de livros escritos a seu respeito, de teses analisando sua obra, de entrevistas em programas culturais. Como não é o caso, ele só aparece quando é pra falar da sua mania de crossdressing.




segunda-feira, 20 de junho de 2011

AS TIRAS MERECEM MAIS RESPEITO




O mercado  literário volta e meia  faz compilações de microcontos. Justo.  São inovadores, diferentes, até radicais em sua forma ultra condensada.
Hoje então, quando se tenta dizer tudo em 140 caracteres, podemos pensar se não é esta a mais contemporânea forma de narrar.

As tiras narram usando um espaço exíguo também. Tem a condensação por força de lei.

Pelo menos parte do prestígio  dos microcontos poderiam ter algumas tiras, não fossem os quadrinhos uma arte cadela, sem respeito de quase ninguém e não fossem as tiras,pelo menos aqui no Brasil, sinônimo de  piada, alívio cômico à parte "séria" do jornal.

Há poesia, beleza, melancolia e inocência nesta tira do argentino Liniers.
É arte também. E da boa.


***

"Quando acordou, o dinossauro ainda estava lá"
- Augusto Monterroso
Mais famoso microconto do mundo.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

FILMES " BARROCOS " (Atualizado)

Diz-se que o horror italiano é barroco ou que tal e tal cineasta é barroco. Com toda imprecisão que a definição ganha ao ser tirada de seu contexto original(pintura,escultura e arquitetura- e sobre isso já tratamos aqui neste blog ) pode –se dizer que barroco, no cinema, é um

termo que conota o bizarro,a complicação ou a estranheza, é utilizado para designar uma arte muito ornamentada,extravagante,sofisticada,com preciosismos
(AUMONT,MARIE, pg31).

De todo modo é interessante forçar as fronteiras só para ver o alcance e a limitação do termo.

O filósofo Heinrich Wölfflin, no início do século 20, procurou estabelecer uma metodologia que permitisse estabelecer categorias capazes de caracterizar a arte e,assim, definir os estilos artísticos. Para o alemão existiriam pares de conceitos opostos, um caracterizando a pintura renascentista, outro a barroca. Seriam eles:

Linear em oposição a pinturesco, planar em oposição a recessional , forma aberta sendo o oposto de forma fechada e,por fim, multiplicidade diferindo de unidade.

As pinturas Renascentistas,para Wölfflin, seriam lineares (os contornos das figuras são perfeitamente delineados e elas recebem luz de maneira uniforme),planares(os planos de profundidade são paralelos), fechadas(a composição é equilibrada, com figuras secundárias ou cenário “fechando” o quadro em torno da figura principal) e unidas(essa categoria se refere à maneira como cada elemento parece isolado pela luz, tendo sua cor própria, independente da influência de outros elementos).


ESCOLA DE ATENAS(1509-1511) Rafael, afresco na Stanza della Segnatura,Vaticano.

Uma pintura barroca, em oposição, teria os contornos das figuras obscurecidos pelo jogo de luz e sombra(as pinceladas mais ágeis), as figuras não em planos paralelos, mas numa profundidade dada por linhas diagonais, portanto não contidas dentro do próprio quadro por nenhum elemento e cujas cores se misturam, de uma figura para outra, de uma parte a outra da mesma figura.



Seria ingenuidade tentar transferir um a um os conceitos de Wölfflin para o cinema,mas é interessante notar que,pelo menos, uma das características presentes em “Suspiria” e “Máscara do Demônio” é correspondente : o uso da perspectiva em diagonal.

A “sofisticação” a que se refere Aumont é aquela que já discutimos aqui (ver postagens sobre o "Rococó") e que claramente está presente no cinema de Bava e Argento na forma de elementos de cena que muitas vezes são lançados para o primeiro plano, indo além da construção de cena comum, em que os atores estariam em primeiro plano e o restante seria meramente descritivo (para sabermos que aquilo é uma floresta e que as pessoas envolvidas são monges). Aqui o conjunto ganha em expressividade(não vamos falar em “expressionismo” pra não complicar de vez as coisas) e dramaticidade. Dramaticidade, aliás, conseguida também por meio do violento jogo de luz e sombra “caravagesco”. Mas , é bom sempre repetir, não da par ser sistemático quanto a  isso: são apenas aproximações possíveis.

                                          Rembrandt: A ronda noturna(1642)

Apenas para que o leitor não fique alheio: Como maneira de se definir o barroco, ou mesmo de procurar um meio de explicar o que define um estilo artístico, a análise de Wölflin, apesar de criteriosa e instigante, é considerada ultrapassada porque

permite uma análise sistemática do próprio produto artístico que se limita à sua descrição,compreensão e explicação,sem considerar a expressão de juizos de valor:fornece o método para reconhecer o mecanismo e o código de cada poética, excluindo a interpretação valorativa e intuitiva da obra de arte,inclusive o recurso análise extra textuais,como baseadas em documentos históricos

(CALABRESE,1987,24)

BIBLIOGRAFIA UTILIZADA

AUMONT, Jacques/ MARIE,Michel. Dicionário teórico e crítico de cinema. São Paulo: Papirus,2003.

AUMONT, Jaques. O olho interminável (cinema e pintura).São Paulo: Cosac Naify,2004.

CALABRESE, Omar. A linguagem da arte. São Paulo: Globo,1987.

WOODFORD, Suzan. A arte de ver a arte. São Paulo:  Circulo do Livro, 1983

Sobre Dario Argento , Suspiria e Mario Bava (fontes digitais)


Os esqueletos da imagem: o enigma do espaço em Dario Argento, por Jean-Baptiste Thoret ( Tradução: Luiz Soares Júnior). Disponível em:
http://dicionariosdecinema.blogspot.com/2011/02/o-esqueleto-da-imagem-o-enigma-do.html

Dario Argento- by Xavier Mendik. Revista digital "Senses of Cinema". Disponível em:
http://www.sensesofcinema.com/2003/great-directors/argento/

Kinoeye - new perspective on european films - edição especial Dario Argento. Disponível em:
http://www.kinoeye.org/index_02_11.php

Mario Bava’s Black Sunday aka The Mask of Satan By Christopher J. Jarmick. Disponível em:
http://www.sensesofcinema.com/2003/cteq/black_sunday/

























AUMONT, Jaques. O olho interminável (cinema e pintura).São Paulo: Cosac Naify,2004.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

CINECLUBE GAMBALAIA -09/06

Dia 09 de junho ,  às 20h, o  CINECLUBE GAMBALAIA exibe




Duplo Suicídio em Amijima( Japão,1969 – 104 min.) de Masahiro Shinoda



Uma estranha e terrível história de amor  entre um homem casado e uma gueixa.

Incapazes de levar a relação adiante eles decidem:farão amor uma última vez antes de cometerem suicídio.



Uma das obras-primas da Nouvelle Vague japonesa, ousada fusão de cinema, teatro e bunraku (teatro de bonecos).

Grátis !

 
** Após o filme,  exibiremos cenas de “Cega Obsessão” de Yasuzo Masumura.

Espaço Cultural Gambalaia – R. das Monções, 1018



Santo André - SP - f. (11) 4316-1726



http://www.gambalaia.com.br/



terça-feira, 31 de maio de 2011

DARIO ARGENTO- 4

A importância da cor Vermelha em suspiria  

Em Suspiria uma cor domina todo o filme: o vermelho. Ou melhor, domina a parte fantástica do filme, aquela partir do momento em que Susan deixa o aeroporto(a civilização) onde tudo é meio cinza, meio apagado. Uma figura,ainda lá, parece um prenúncio(como a chuva- ver post anterior) do mal: a mulher de vestido vermelho que passa apressada e é um corpo estranho, um fogo-fátuo em meio à calmaria. Por um rápido instante, o vermelho envolve Susan como vemos na imagem abaixo.


Antonioni, cineasta-pintor por excelência,como nos lembra Jacques Aumont, é um desses que utiliza as cores de maneira extremamente bem pensada:

“seu gosto pelas dominantes cinza (todo filme de Antonioni mostra a névoa), para fazer ressaltar melhor aí,como manchas fantásticas, a chama amarelo-limão das tochas de O deserto vermelho, as cores bem berrantes de Blow-up”.

Como já foi dito aqui, as cenas de Argento são construídas como pinturas e em Suspiria isso é ainda mais radical porque a imagem muitas vezes fica praticamente estática, convidando à contemplação. Nesses momentos Argento parece brincar com a arte abstrata, usando linhas, cores e os corpos das vítimas para criar uma imagem espantosamente bela. Não é por outro motivo que o sangue é de um vermelho vivo, que nos remete mais ao pigmento, à tinta, do que propriamente ao sangue real. A cena da garota pendurada no teto da escola é exemplar. Vemos ela morta, depois o chão, preto e branco. Em seguida goteja o sangue vermelho que começa a se espalhar, como se um artista o estivesse tivesse respingando com um pincel. E ela despenca junto dos cacos do vitral também vermelho.












O vermelho puro foi tradicionalmente usado na pintura figurativa para representar o fogo do Inferno, afinal é uma cor que,em demasia, gera  irritação, incômodo.

 Basta olharmos para a tela “A Morte da Virgem” (1605-06) de Caravaggio e sentir todo o incômodo do vermelho que torna a atmosfera asfixiante e nos passa sensação de temor, sofrimento e pesar.


Argento sabia bem disso quando fez a escola (fachada e interior) ser vermelha. Quanto mais Susan mergulha nos  domínios do mal, mais essa cor parece a envolver(e a nós também).


PS . Na última postagem da série, o cinema  "barroco" .

segunda-feira, 30 de maio de 2011

DARIO ARGENTO- 3

Suspiria

Um conto de fadas de horror


Para este filme Argento fez questão de trabalhar com o Technicolor, sistema já ultrapassado que tinha o inconveniente de empobrecer as nuances de cor. Para ele isso não era problema, pelo contrário, por que realçava as cores puras (tornando o vermelho ainda mais gritante) numa tentativa de mimetizar a paleta de cores do desenho animado da Disney, Branca de Neve. Por bom motivo: o sobrenatural, que ganhava espaço sobre o racional filme a filme, aqui toma conta e Suspiria, com a história de uma jovem bailarina que desce num aeroporto rumo à um prédio antigo e assutador no meio da floresta, não é outra coisa que não um conto de fadas, como aliás entrega o narrador em off logo antes dos créditos, como alguém que diz “era uma vez...”.


De fato há ainda a persistência do racional na presença de especialistas que “explicam” a bruxaria, no entanto não é a lógica que sustenta o filme, pelo contrário, desaba diante dele. Coisas acontecem sem explicação alguma ,como um braço que assassina um das jovens do internato. De onde vem? De quem é? Não se sabe.

Ocorre de início em Suspiria a cisão entre espaços, o moderno (civilizado) e o antigo (domínio do sobrenatural). A chuva torrencial com que a bailarina Susan Baynion é recebida no aeroporto é ao mesmo tempo a barreira a ser rompida entre os dois mundos mas também presságio do mal que virá. Sua volta, ao final do filme, induz mais ao mal-estar do que ao alívio,com seria comum. Ela não é um banho na alma, metáfora de purificação ou liberdade. Dado sua primeira aparição sinistra, indica uma permanência do mal , sua mutação, de fogo em água. Nisso Argento parece nos levar de volta à chuva que impede a fogueira de matar Asa, a princesa-bruxa de Máscara do Demônio, monstro ressurreto tal qual a Helena Markus de Suspiria.


De fato há ainda a persistência do racional na presença de especialistas que “explicam” a bruxaria, no entanto não é a lógica que sustenta o filme, pelo contrário, desaba diante dele. Coisas acontecem sem explicação alguma ,como um braço que assassina um das jovens do internato. De onde vem? De quem é? Não se sabe.

Ocorre de início em Suspiria a cisão entre espaços, o moderno (civilizado) e o antigo (domínio do sobrenatural). A chuva torrencial com que a bailarina Susan Baynion é recebida no aeroporto é ao mesmo tempo a barreira a ser rompida entre os dois mundos mas também presságio do mal que virá. Sua volta, ao final do filme, induz mais ao mal-estar do que ao alívio,com seria comum. Ela não é um banho na alma, metáfora de purificação ou liberdade. Dado sua primeira aparição sinistra, indica uma permanência do mal , sua mutação, de fogo em água. Nisso Argento parece nos levar de volta à chuva que impede a fogueira de matar Asa, a princesa-bruxa de Máscara do Demônio, demônio ressurreto tal qual a Helena Markus de Suspiria.

Os sons e o olhar

Se há um sentido profundamente enganoso em Suspiria, este é o olhar. É por meio dele que se comete todos os equívocos, é ele quem induz a julgamentos errados. Não à toa o personagem do pianista cego, antes de todos (e mesmo antes de nós, espectadores guiados pela visão) é que sabe o que realmente ocorre na mansão. “Eu sou cego, não surdo” ele sai dizendo ao ser expulso. A morte chega também para a garota que contempla sua imagem refletida na janela, durante uma noite chuvosa.


De fato, se o olhar é enganoso, a audição é indício constante da presença do mal.A trilha sonora composta pela banda de rock progressivo Goblins incorpora sons diversos, gemidos, sussurros que conferem vida ao inanimado e indicam essa presença fantasma, esse mal que percorre os domínios da mansão mas que em momento aalgum tem forma definida. Pelo contrário, ele(ou ela) é a indefinição completa, expressa somente pelos sons e por “imagens” que nada mostram. Como diz Jean Baptiste-Thoret:

“Quando o personagem penetra no lugar, o espaço subitamente se anima: gemidos e ruídos estridentes surgem na trilha sonora, sombras e manchas luminosas desfilam nas fachadas, até que um movimento de câmera- encarregado de reproduzir o ponto de vista ( ou o espírito?) de uma gárgula- fende o ar até o centro da praça. Tudo concorre aqui a movimentar o espaço, a transmitir a sensação de uma atividade espiritual ou orgânica, como se no coração destas estruturas imóveis palpitassem forças vivas e desconhecidas"

segunda-feira, 23 de maio de 2011

DARIO ARGENTO- 2

OS FILMES GIALLO


Apesar de Suspiria ser um dos melhores filmes de horror já feitos e a obra-prima de Dario Argento, o diretor estreou em 1970 com “O Pássaro das Plumas de Cristal” , filme do gênero giallo que,aliás, o fez célebre. Giallo na Itália é um gênero amplo, que engloba todo tipo histórias de mistério, trillers e suspense, freqentemente com um sujeito qualquer, que investiga crimes ajudando(ou à margem) da polícia. O nome vem de livrinhos baratos de capa amarela com tramas meio ao estilo Agatha Christie,bastante populares por lá.

Argento não era um novato, claro. Já tinha uma carreira como crítico de cinema em Roma quando, junto de Bernardo Bertolucci, escreveu o roteiro de “Era uma vez no Oeste”(1968), para Sergio Leone.

O Pássaro das Plumas de Cristal e seu filme seguinte, “O Gato de Nove Caudas”(1971), valeram a Argento o apelido de “Hitchcock italiano”, mais pelo estilo utilizado em algumas das cenas do que pelas tramas (o diretor inglês não fazia filmes de mistério*). Desde o primeiro longa algumas marcas já se impõem: um personagem cego, animais ocupando parte importante da trama ,a presença de um personagem masculino fraco, dominado por mulheres cruéis e mortes chocantes cujas vítimas freqüentemente são...mulheres.

As cenas ultra-violentas,aliás, se tornam a assinatura do diretor italiano,que faz o possível para se superar a cada filme. Mas também é marcante o fato do herói ser alguém de certa forma(ou amplamente) impotente perante os acontecimentos(em “O gato...” é um cego) e cujos erros na investigação não raramente causam mortes inocentes.

“O Gato...” traz uma guinada em relação às tramas tradicionalmente racionais dos giallo,feitas de deduções lógicas coerentes: a influência do absurdo, inexplicável, do fantástico. O desfecho do filme parece absurdo, incoerente, o que irrita muita gente.
                                                               "O Gato de Nove Caudas"

Seus filmes seguintes, apesar de não abrirem mão de personagens e tramas racionais, pendem cada vez mais para o fantástico. O ápice antes da guinada é “Profondo Rosso”,de 1975, que marca também a aproximação de Argento com o chamado cinema “de arte”, especialmente Michelangelo Antonioni.

A guinada,claro, é Suspiria, quando o fantástico toma a forma do horror e a investigação racional chega a ser quase um corpo estranho no organismo do filme. Quase.
 Cena de "Profondo Rosso"



* Hitchcock usava um exemplo para diferenciar suspense de mistério. No filme de mistério o assassino ou culpado só é revelado ao público e aos demais personagens no final. Trata-se de uma surpresa. No suspense sabe-se de início quem é o culpado(ou algo assim), mas os personagens,no entanto, ignoram.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

DARIO ARGENTO-1


Mario Bava

Não da para falar em Dario Argento, diretor de Suspiria, sem recorrer ao nome de Mario Bava, cineasta italiano que estreou tarde na direção(aos 46 anos)mas com uma dessas obras de impacto profundo, La Maschera del demônio.O filme, de 1959, é também chamado de “Mask of Satan” ou “Black Sunday”, dependendo do país e da versão, por causa da implicância dos censores da época com a violência inédita do filme.

A Máscara do Demônio(vamos chamar assim) reciclava o visual dos filmes da Universal Pictures dos anos 1930 e 40 para contar a história (baseada no conto “Viy”do russo Nikolai Gogol) de uma princesa do séc 17, Asa (interpretada por Barbara Steele, de “8 e ½”), condenada por seu próprio irmão, um inquisidor, por bruxaria e vampirismo.Sua pena é ter cravada no rosto uma máscara de ferro cheia de espinhos metálicos antes de ir para a fogueira. Asa promete retornar à vida e vingar-se de sua descendência.

A sequência de abertura , principalmente o golpe de marreta do carrasco no rosto de Asa, chocou a audiência e continua poderosa ainda hoje. Estaria fincada (com perdão do trocadilho) uma da bases do horror italiano, as cenas ultraviolentas.Visto então, o Drácula de Bela Lugosi parecia desconcertantemente ingênuo.



Mas fosse só por isso, A Máscara do Demônio não teria tido uma sobrevida mais longa do que a princesa Asa. Mario Bava demonstrou domínio pleno do preto-e-branco e um uso espantoso do jogo de luz e sombras(impressionante mesmo se comparado às obras da Universal Pictures) e da composição de cena que fazem o espectador esquecer algumas seqüências canhestras(até para a época) como um desajeitado morcego que ataca os invasores da cripta onde está a vampira. Bava compunha as cenas como um pintor “barroco”(vamos tratar disso adiante).

Com frequênca a câmera está em posição desconcertante e os objetos de cena ainda mais, quase colados nela, deixando os atores lá no fundo, numa perspectiva em diagonal.
Ou a ação principal é deslocada do centro para as lateriais da tela, deixando grandes áreas "livres" criando uma beleza literalmente assustadora. As cenas são para ser admiradas como belas pinturas, isoladas mesmo de seu contexto.
Tudo isso gera uma estranheza, um mal-estar que não passa desapercebido pelo espectador. 


Mario Bava não ficou restrito aos filmes de horror, até porque eles não eram populares na Itália,na época. Aventurou-se por um outro gênero, o giallo, que faria famoso Dario Argento, que soube absorver todas as lições do mestre, desde a violência chocante ao domínio da luz e da composição de cena.
A isso voltamos na próxima postagem.