sexta-feira, 18 de junho de 2010

COPA, ELEIÇÕES, A GLOBO E A POLÍTICA POR DETRÁS DISSO TUDO


Escalada do Jornal Nacional na última quarta-feira:


Irã desafia comunidade internacional
Willian Bonner, em tom grave, falava que Ahmadinejad iria levar à frenbte seu projeto nuclear, à revelia da ONU. Para o JN, era uma grande ameaça que se espreitava, como tantas outras já anunciadas.


Hugo Chávez manda prender dono de TV
Na narração de Bonner, ficamos sabendo que é mais uma tentativa de Hugo Chavez calar a imprensa livre na Venezuela.- Quem quiser outra versão dos fatos é só ir ao cinema e ver o documentário Ao Sul da Fronteira, de Oliver Stone, que não exime Chavez de suas arbitrariedades(que não são poucas), mas tampouco fecha os olhos para os fatos.


Senado aprova novo Estatuto Racial
Para a Globo, foi uma conquista e, apesar de pontos como o fim do sistema de cotas nas Universidades, não houve polêmica. Só um membro do Movimento Negro falou contra, outras três opiniões ouvidas foram a favor a última delas, na verdade um discurso, foi do deputado Demóstenes Torres, do DEM, que disse que quer “ o fim das diferenças” e “ajudar os pobres e,assim, brancos e negros”.
Bem, pelo acordo internacional firmado pelo presidente Lula com o Irã e pelas relações não belicosas coma Venezuela, percebe-se que a escalada foi montada para desfavorecê-lo o que só se confirma pela maneira como o JN se posicionou no caso do Estatuto.

Fala-se muito de coisas como “Globo manipula o Brasil” ou “A Globo te faz de bobo”. Não é bem assim, essa crença do poder absoluto da mídia sobre as pessoas já considerada passado pelas teorias da comunicação, o chamado receptor nao é assim tão passivo quanto se imaginava nos anos 60 e 70- tem um filme dessa época, Rede de Intrigas, de Sidney Lumet que, apesar de fantástico, se apóia nessa crença, de que a TV pode manipular as pessoas a bel prazer. E também não se deve esquecer o quanto a Record(para o bem e para mau) se posiciona quase sempre contra a opinião da Globo. Só que perde quem a tem a como fonte única de informação.

ÁS DE COPAS
Anteontem foi a notícia de que a FIFA havia vetado o Morumbi como estádio sede da Copa do Mundo de 2014. Ricardo Teixeira apareceu na Globo com cara de decepcionado dizendo que, apesar de seus esforços, o São Paulo FC não fez sua parte. A Folha de São Paulo, mais lúcida, estampou “Ricardo Teixeira veta Morumbi para 2014”, mesma análise que fez a ESPN. Ora, não é segredo que a FIFA não tem nada a ver com a decisão, que o Morumbi foi vetado porque o presidente do São Paulo votou contra o candidato da CBF na eleição para presidente do Clube dos 13. E também porque com a construção de um novo estádio, o tubarões de sempre vão poder mamar nas tetas do Estado, como foi no PAN do Rio, apesar do governador Goldman e do prefeito Kassab terem jurado que não vão dar um centavo, como fizeram as autoridades no PAN do Rio. A Globo e Teixeira são aliados de sangue. Uns dois anos atrás a Record ofereceu uma quantia maior do que a da Globo pelo Campeonato Brasileiro, e Teixeira não se comoveu. Os clubes tomam dinheiro adiantado do patrocínio da globo , via clube dos 13, e fiam atrelados a Teixeira. É um jogo, mas de interesses. E hoje Dunga é a pedra no sapato dos dois. Técnico tampão que deu certo via um misto de disciplina de quartel e retórica de auto ajuda, se recusa a liberar seus jogadores para dar entrevistas exclusivas a quem quer que seja. Assim o showzinho patriota de 2006 não pôde se repetir e Fátima Bernardes ficou órfã nas entradas ao vivo. E Teixeira (e a Globo) fizeram de tudo para fritar Dunga, mas ele, teimoso como só, nem cedeu nem perdeu.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

AS VEIAS ABERTAS DA FOTOGRAFIA




Semana passada vazou esta foto que a atriz Carol Castro fez para a revista Boa Forma que, tivesse ido parar na capa sem o devido tratamento de photoshop, teria um tom de ironia interessante. A foto vazou, a revista caiu em descrédito, como também a coluna da jornalista Mônica Bergamo na Folha, que deu a “photo” dizendo que a calcinha larga é que escondia a tatuagem que a atriz detesta) e, no Twitter, Carol reclamou das pessoas “maldosas”.
Maldosa mesmo,nessa caso, talvez seja a revista, que vende uma beleza que não existe(essa cor de pele, por favor!) e deixa milhares de mulheres detestando seu próprio corpo. Mas o assunto aqui não é esse, o que nos interessa (a mim pelo menos, ao leitor não sei) é o status da imagem fotográfica no mundo contemporâneo.



A fotografia surgiu no século 19 e mudou de vez os rumos da pintura, como todo mundo sabe bem. E o curioso é que embora no início não tivesse cor –e quando teve por um bom tempo os resultados eram desatrosos- a “realidade” ali se colocava como superior a uma pintura de um Courbet, por exemplo, que é de um realismo absurdo,muito superior ao de muitas fotografias da época. O fato é que se pensava na ciência da coisa, que, entre a imagem e o espectador não existia mais uma construção através da mão humana, o intermediário humano, mas uma máquina e, lógica algo cartesiana, a máquina, ausência completa de sentimento, era incapaz de distorcer a realidade.



A imagem fotográfica nunca foi digna de confiança nem livre de ambigüidade, mas não era isso que se pensava então, nem depois. O cinema clássico norte-americano (o dos na os 30 e 40) e boa parte do atual vivia e vive dessa fé; o que está filmado corresponde exatamente a um único significado, não deve sobrar dúvida em quem assiste sobre aquilo que assiste, não deve haver ambigüidade na imagem. Os anos 50 trouxeram a ambigüidade e você já não podia dizer o que um personagem estava pensando só de olhar para a expressão no rosto do ator.



Pois bem, todo esse caminho não para falar das veias nas pernas branquelas ou da barrida engolida da Carol Castro, mas sim do Photoshop. O professor da USP Arlindo Machado, uns 10 anos atrás já descrevia o atual panorama como pós-fotográfico, ou seja, a imagem não existe mais num suporte físico, o filme em negativo, mas num virtual, uma sequência de código binário e, exatamente por isso, manipulável em sua origem. E no cenário pós-fotográfico não cabe mais nenhuma espécie de fé na imagem exatamente por aquilo que vemos aí, a tatuagem da atriz desaparece junto com suas veias e barriga, muito embora tudo isso tenha sido fotografado. Qualquer garoto em casa pode fazer isso. Então nossa postura frente a imagem é não mais de fé(como no século 19) mas de descrença antes de tudo.
E isso se estende à imagem filmada. Quem pode dizer quais vídeos no youtube são verdadeiros ou manipulados?
***
Isso tudo tem a ver, de certa forma, com a sociedade que valoriza a imagem acima do real, que precisa obsessivamente manipular a própria imagem, seja dizendo que é assim ou assado no perfil de um orkut ou facebook, seja transformando o corpo (anabolizante, silicone) seja fazendo caras e boas na capa da Caras. Mas isso é outro assunto, de que já tratei de certa forma ao falar de um pobre diabo no programa Domingo Legal http://bar1211.blogspot.com/2010/02/blog-post.html.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

POR QUE REVER -O PODEROSO CHEFÃO 2


Das maravilhosas passagens de Poderoso Chefão 2, escolhi comentar uma sem motivo especial, apenas para que o leitor tenha idéia do porquê esta é uma obra a ser vista e revista.
É um filme repleto de simbologia (as imagens muitas vezes tem um significado metafórico), onde a presença da morte e da decadência (que dialogam como o progressivo e inexorável isolamento de Michael Corleonne) é marcante e constante; são muitas as cenas de inverno pesado, aliás, significativamente, parte-se de um outono (o vento leva as folhas caídas, mortas) para um inverno rigoroso que se contrapõem à história solar, luminosa, que conta em paralelo a juventude de Vito Corleonne e sua ascensão no mundo do crime, tempos mais românticos(como fora o primeiro filme).


À cena, então :
Os mafiosos Michael Corleone e Hyman Roth (à esquerda na foto.Se o nome não for esse é bem parecido...)vão a Cuba sob o pretexto de serem empresários do ramo do “turismo e lazer”, quando, na verdade estão mesmo é dando uma boa grana para o presidente para poderem explorar os Cassinos locais. E não são só eles, muitos figurões da ilegalidade e da legalidade (ou ambos) aparecem no filme, como de fato era na realidade, fazendo de Cuba uma espécie de Resort dos Estados Unidos. Lá a máfia não seria incomodada pelo FBI, lá, com no resto da América Latina, os empresários teriam nos governo corrupto um parceiro interessado e dedicado. Mas veio Fidel e acabou com a farra. É precisamente nas horas que antecedem a queda de Fulgêncio Batista que o filme mostra um rebelde escapando do cerco policial e explodindo uma granada presa ao próprio corpo, levando consigo um agente da lei. Copolla corta para uma cena em uma mansão no alto de um morro onde se pode observar a ilha de cima. É aniversário do velho Roth, que recebe um bolo que chega com uma daquelas velas que espalham fagulhas e lembram uma bomba, uma dinamite. Roth pede que o criado mostre o bolo a todos os convidados antes de cortá-lo. Só então vemos que o bolo está pintado o mapa de Cuba, com a vela cravada bem no meio. Roth corta o bolo.
São os americanos partilhando Cuba, ou melhor, repartindo (como os europeus fizeram com a África), só que Cuba é um barril de pólvora prestes a explodir. E Copolla faz da montagem a ferramenta para nos dizer isso, ao justapor a cena do homem que explode à do bolo chegando.


Sem dúvida é uma obra para se ver muitas e muitas vezes, no entanto é bom avisar: a cópia que passa na TV é em tela cheia, o que destrói a rigorosa composição de cena de Copolla. Já das versões disponíveis em DVD, prefira a restaurada (Box de caixinha vermelha com assinatura do Copolla),a diferença é gritante. O profundo do negro , o brilho do dourado, tudo isso está pálido nas versões anteriores. E, neste filme, o contraste entre as cores tem muito significado. Dispensá-lo significa esvaziar um bom tanto de sua grandeza.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

PIXAÇÃO, ARTE E DESINFORMAÇÃO


Hoje no Bom Dia Brasil e depois no SPTV a jornalista Carla Vilhena chamou matéria em que dois pixadores foram flagrados pela Polícia (e pela câmera da TV Globo) e, em seguida, ao descer do prédio, caíram e foram levados ao hospital. O tom tanto da matéria quanto da locução de Carla, foi de comemoração. Só faltou dizer “bem feito”.
OK, ninguém é obrigado a gostar de pixadores ou de pixação e é quase lugar-comum dizer que “graffiti é bacana, pixação não”, mas a postura do jornalismo da Globo e de Carla Vilhena é a de sempre, a do desconhecimento dos temas que trata. A Bienal de Arte deste ano (abrirá em setembro) irá discutir exatamente isso, as fronteiras movediças entre arte , política, arte-política e “pixo” . E ninguém espere uma resposta, afinal eles não tem uma. A proposta inicial é de que o pixo é uma manifestação política, mas não arte. Isso é só uma idéia a ser discutida a partir de fotos e vídeos que serão expostos pelo pessoal que, ano passado, invadiu e pixou o andar vazio da própria Bienal, intitulada muito apropriadamente de Bienal do Vazio.
Ora, e no vazio de proposta e de perspectiva de uma Bienal de obras medíocres escolhidas uma direção então acusada de inepta e corrupta, o “pixo” foi o que mais chamou a atenção, logo, nada mais justo do que eles entrarem pela porta da frente e confrontarem suas ações à arte dadaísta(o gesto destrutivo, a irreverência, a não-arte).
Enfim, ninguém precisa gostar dos pixadores, mas também ninguém precisa engolir mais uma matéria moralista, “datenesca”, e vazia de informação. E levar informação é a obrigação do jornalismo.


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Se eu pudesse, recomendaria à sempre preocupada Carla a leitura do fanzine Subsolo- Ruas do ABC Paulista
http://imprensaalternativanoabc.blogspot.com/2010/04/subsolo-ruas-do-abc-paulista.html e da Revista Graffiti Poético http://graffitipoetico.com.br
Repito: ninguém precisa gostar, mas deve conhecer.

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A propósito, dia 11/06, às 19h00 em Santo André, lançamento do número 3 da Graffiti Poético. Informações no site.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Fecha-se a flor-de-Lótus.

Morreu, aos inacreditáveis 103 anos, Kazuo Ohno, gênio-criador do Butô.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

VALE A PENA ASSISTIR AOS CANAIS UNIVERSITÁRIOS

É uma boa experiência assistir aos canais universitários da TV a cabo. Com produção modesta, mas muita criatividade, eles não raro dão banho em programas semelhantes dos canais tradicionais. O mal uso da câmera é um problema comum à TV Uniban e a TV UniABC, o pessoal parece que quer escapar do estilo tradicional e fica dando umas piruetas desnecessárias, quase nauseantes, filmando coisas à toa enquanto o entrevistado fala. Mas é o tipo de erro saudável, que acompanha essa vontade de fazer diferente- se bem que nauseante mesmo é aquele Detetives da História, do History Channel, mas ali é outra coisa, eles acham que documentário é hato e pra fazer ficar "legal" e "ágil" usam aquela edição histérica e aqueles zoons insuportáveis, que tem impedem de sequer refletir sobre o que está vendo. Bom, voltando aos canais Universitários, alguns programas são ruins, outros mais ou menos e outros muito bons, não importa, o que vale é que nenhum deles reproduz aquele modelo de TV cristalizado pela Globo e reproduzido servilmente por todos os outros canais. Já vi um bocado de matérias em telejornais falando da Estação da Luz , por exemplo. Em um minuto e meio contam a história toda e em cinco minutos nós já esquecemos do que vimos, porque a informação era rala, porque entrevistado nenhum fala por mais de trinta segundos, porque as imagens aparecem e somem muito rapidamente. Pois bem, vi um programa em que um historiador falava da origem dos lubes de futebol, de como a estrada de ferro influenciou a criação de muitos deles. Em seguida entrou uma matéria que falou da Estação da Luz sem um pingo de pressa,como o assunto pede.
É uma maneira diferente de lidar com o material jornalístico, não sem erros, mas com muita vontade e boas ideias.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

sexta-feira, 21 de maio de 2010

CULTURA- PORQUE O POVO PRECISA


Depois do longo texto com reflexões sobre a Virada Cultural, pego um das pontas que deixei soltas, a da Política Cultural. O que a Virada faz é levar cultura às pessoas de uma maneira atodos possam, mesmo que sem querer, tomar contato com diversos tipos de manifestações artísticas. Isso quebra todo tipo de barreira,como a do fã de rock que diz odiar samba, a do pessoal do teatro que não gosta, sei lá, de show de rock e por aí vai. Até porque se você gosta de algum tipo de arte e, claro, tem de pagar por ela, dificilmente você arrisca. Mas enfim, o que eu dizia é que se deve haver uma política cultural ela tem de começar por levar a arte ao povo, da mesma maneira que a Virada. Porque cultura paga elitiza, e você fica com regiões inteiras e milhares de pessoas cuja única forma de cultura que recebem vem da TV aberta (não que a paga seja grande coisa, mas aí é outro assunto), que, qualquer um sabe, 90 % do tempo joga como a seleção do Dunga, apenas pra garantir o resultado, arriscando o mínimo possível. Isso reduz a coisa ao mínimo denominador comum, à esterelidade total, às fórmulas prontas que agardam todo mundo sem exigir esforço nenhum. Pois bem é, ou pelo menos deveria ser, obrigação do Estado oferecer cultura(citei antes o exemplo de cinema a céu aberto) seja na forma de espetáculos de teatro, música clássica ou exposições. A situação é tão creítica que muitas cidades no Brasil não tem sequer uma sala de cinema ou um teatro. Aqui mesmo no grande ABC temos a onipresença do Cinemark, cuja programação não é muito melhor do que a da TV aberta, bem como salas de teatros municipais que cobram ingressos caríssimos para exibirem comédias Stand-Up.

Mais do que oferecer apenas cultura o Estado DEVERIA facilitar o aprendizado artístico, na forma de bolsas de estudo escolas gratuitas, sei lá.



Vamos pensar na seguinte situação: Um jovem da vila Brasilândia que vê a OSESP por exemplo. Não vai ver, não como as coisas são hoje, mas imaginemos que ele veja e decida se tornar um violoncelista, o que ele faz? Já éum milagre conseguir um colégio técnico, imagine então ensino artístico de qualidade-pedir qualidade é pedir mais que o milagre, vamos ser sinceros.



Está tudo errado desde o princípio, porque para que nosso jovem hipotético queira ver a OSESP (existem concertos gratuitos domingo de manhã, na Sala São Paulo) ele precisa primeiro saber que ela existe e isso não vai acontecer porque, até onde eu saiba, orquestra nenhuma toca em áreas carentes. Aliás, muitas orquestras estão na pindaíba, maltratadas pelas prefeituras, pelo nepotismo (entre muito músico ou cantor porque é amigo do vereador fulano...) e aí a crise é outra, a de qualidade.





Algo está sendo feito pelo Banco do Brasil, através do CCBB
http://bb.com.br/portalbb/home21,128,128,0,1,1,1.bb. É o programa No Centro da Arte, que leva a programação do CCBB SãoPaulo para a Praça do Patriarca. Entre maio e Junho se apresentam o grupo de forró trio Sabiá, o espetáculo de música e dança Lo Mejor Del Tango (foto) e o quinteto SLAP, que usa instrumentos de sopro (oboé, clarinete, sax) para interagir com o filme The Circus, de Charlie Chaplin. As apresentações são ou ao meio dia e meia ou às 18h00, o que é estratégico -você "fisga" as pessoas no almoço ou saindo do serviço.



Antes de reclamar que o povo não gosta disso ou daquilo, que prefere ver TV, é preciso levar a Cultura ao encontro das pessoas. O vale cultura vai ajudar, claro, mas a pessoa não vai buscar aquilo que não conhece e muita gente vai acabar usando esse valor apenas pra engordar a arrecadação de Transformers 8, Jogos Mortais 15, sei lá - nada contra ver filme em que psicopata retalha as pessoas ou que caminhão vira robô gigante, mas não dá pra ficar só nisso.

E se quisermos mai artistas, ajudar quem queira se tornar um. Só assim há um crescimento cultural no país. E pra quem estiver pensando que isso tudo é bobagem pode começar a repensar porque num país em que o nível cultural é nivelado pela TV e onde universitários tem dificuldade para interpretar um texto (escrever, então, nem se fala) é porque a coisa vai mal.


segunda-feira, 17 de maio de 2010

VIRADA CULTURAL- PORQUE O POVO PRECISA

Escrever em um blog é uma luta e tanto contra si mesmo, afinal nõ é pequena a tentação de se fazer passar por sabe-tudo. São poucos os leitores e menos ainda os que colocam algum comentário(quando eles existem), então, na prática, fica como se fosse um monólogo diante do espelho. O blogueiro fala o que quiser e bate palmas para si mesmo e tudo fica bem.
Bom, nem tanto, afinal esta postagem serve pra desmentir (pelo menos em parte) a anterior, quando eu critiquei duramente a Virada Cultural. Em resumo eu disse que o evento havia chegado ao seu limite duas edições atrás e dali em diante a tendência seria trair sua própria essência que é ofereer cultura da maneira mais plural e acessível e também que a formação de público seria melhor conseguida se parte do orçamento da Virada fosse para políticas públicas (como exibição de filmes ao ar livre, por exemplo).
Vamos lá: essa edição da Virada conseguiu superar aquilo que havia sido um problema aparentemente insolúvel, o do execesso de pessoas, que impedia a circulação, portanto bloqueava o evento , mantendo as pessoas fechadas em nichos de sua preferência(quem era fã de rock ficava só no palco de rock, até porque não conseguiria ira outro lugar). Foi de certo modo uma questão de logística; a distribuição dos palcos foi inteligente, os que concentravam mais público estavam bem distante uns dos outros, evitando assim o "congestionamento" de pessoas. Também não havia atrações em ruas de acesso aos palcos, nem na entrada do metrô Sé. Isso possibilitou a livre circulação de pessoas e, portanto, o contato com toda forma de arte. Daí que aontecem coisas incríveis, só possíbilitadas pela Virada, como um grupo de Congada irculando pela cidade e, indo atrás deles, heppies, universitários típicos, pessoal com camisetas de bandas de metal e farotos fantasiados de Hary Potter.
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A OSESP, após um período turbulento sob o comando de John Nashling, estreou na Virada agora sob a batuta de Artur Nestróvski e sua nova diretriz: ir ao enontro do público. E não poderia ter sido melhor: uma multidão de pessoas num domingo à tarde, sentadas, em pé ou mesmo penduradas nas grades do parque da Luz, mas em silêncio ouvindo a Tchaikovsky e Shumman. E aplaudindo efusivamenbte os bailarinos da SP Companhia de Dança, que fizeram apresentação especial. Logo ao final, as pessoas levantaram , pegaram suas cadeiras e correram em disparada para o palco no lado oposto da avenida, onde começaria um espetáculo de dança contemporânea.
Aí está a prova de que não faz sentido essa elite (econõmica, não a intelectual) diz, que o Povo não gosta de músia clássica. Mentira, o povo gosta sim, só não tem acesso.
E exige pouco esforço imaginar o que uma política pública eficiente pode fazer em áreas eonomicamente desprivilegiadas. As criaças não tem acesso a cultura de espécie alguma, só à TV (cujos valores obedecem aos critérios da audi~encia) e seus ideais de sucesso na sociedade são os criminosos. O rime seduziria muito menos jovens se a possibilidade deles serem músicos, bailarinos, artistas fosse tão acesivel quanto conseguir um revolver.
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A melhor surpresa, para mim foi mesmo a tal "Dimensão Nerd" provando que o significado nda palavra cultura é mesm ampla. E o local foi significativo, a Praça Rossevelt, reduto de mendigos, usuários de drogas e do povo que circula pelos teatros e que não é qualquer público de teatro, é bem diferente,k por exemplo, dos endinheirados das salas do Bixiga, por exemplo.
Os artistas estavam lá, afinal os teatros e os bares estavam funcionando, mas convivendo com uma garotada que fazia um jogo que é também interpretação, o RPG e ao mesmo tempo usando fantasias. O diálogo deve ser explorado, entre a cultura pop nerd e o teatro "underground"(não gosto da palavra mas vai ela mesmo) da Roosevelt. E só mesmo na Virada para esses dosi grupos tão distinmdo dividirem o mesmo espaço, ainda que suas experi~encias sejm ligadas pela interpretação de apéius, por viver numa outra dimensão que não a real, a ordinária. Cada um a sua maneira, claro.
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A Virada devolve o Centro ao povo? Antes eu disse que isso era balela, que dado nenhum prova que a população volte ao centro por causa da Virada e que o que há é mera oupaçlão predatória. Ora, disse isso ainda lembnrando da edição de 2009, que aliás ganhou as manchetes dos jornais exatamente por causa do mau comportanto de muitas pessoas. Saiu notícia de uma morte este ano, a primeira. Mas parece ter sido um probelma daqueles impossíveis de evitar. O centro estava cheio de lixo, é verdade, mas isso foi burrice pura, achar que as lioxeiras minúsculas do centro dariam conta de 4 milhões de pessoas (número estimado pela prefeitura).
E havia uma profusão de banheiros, quie, apesar de tudo, não impediram alguns garotões bem vestidos de urinar da rua. A ocupação predatória existiu sim, é um mau hábito latino americano, mas diminuiu frente a uma organização eficiente.
E a Virada devolveu o Centro ao povo, ainda que por 24 horas apenas, quando se pôde atravessae aquela faixa de gaza que é a praça Roosevelt em direção ao Anhangabaú à meia noite sem ter medo de qualquer tipo de crime. O sensato é que fosse sempre assim, afinal a noite paulistana é uma espécie de virada cultural, mas que tranca as pessoas nos carros e as faz reféns dos estacionamentos. E, sem pessoas que circulem à pé, vivendo e não apenas usando a cidade, o centro não renascerá nunca.
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Pra finalizar; é só uma impressão minha (e isso não quer dizer nada), mas acredito que o público foi bem menor do ano passado. Primeiro porque não conhei ninguém que esteve na edição anterior e não se dissesse traumatizado. Segundo porque a prefeitura divulgou um número de visitantes igual ao do ano anterior. Sabendo que é uma prática comum aumentar o público de evntos desse tipo a cada ano,me parece que na impossíbilidade de faezr isso (iria dar muito na cara, vamos dizer assim) resolveram não dizer que o evento encolheu. Ainda mais em ano de eleição.
É só uma impressão que não diz nada, mas isso pouco importaria porque para mim foi a melhor das seis edições já realizadas até agora.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

VIRADA CULTURAL- PRA QUÊ?

Enfim outra Virada Cultural e mais um enorme número de atrações rolando 24 horas por toda São Paulo. Ótimo, né? Não na minha opinião. A Virada começou como uma aposta de risco de imitar as "noites brancas" francesas, com atrações que atravesassem a madrugada, um oásis de cultura no meio da escassez de eventos culturais gratuitos na cidade. Só que foi inchando, inchando até atingir a massa crítica ano retrasado. Já 2009 foi o caos completo, com depredação, gente urinando de cima do viaduto do chá e pessoas não conseguindo nem sequer se desloar de um ponto outro do centro da cidade.
A que serve um evento assim? Aos marketeiros da prefeitura que rejubilam com números recordes(ano passado disseram que foram 4 milhões de pessoas, este ano esperam ainda mais), com certeza. Mas e ao público? A intenção era a de formar público, oque só é possível se você permite om que as pessoas irculem livremente entre uim ponto e outro, podendo encontrar uma pista de música eletrônica aqui, uma orquestra sinfônica lá e, no meio do caminho, ouvir heavy metal e ver uma exposição no CCBB. Senão o que acontece é a formação de bolsões de pessoas por interesse pessoal. Quem gosta de rock ,por exemplo, fica só no palco de rock e não toma contato com outras artes. Quem quiser ver comomdeveria ser a viarad cultural é só ir á virada esportiva., que até agora não cedeu à tentação de colocar atrações que chamam um públio enorme, além do tolerável.
E aí tem aquela história de que serve pra "repovoar" o centro, para trazer as pessoas de volta ao centro de São Paulo. Balela, o que ocorre é uma ocupação predatória, daquelas que o pensador Argentino Nestor Garcia Canclini fala tanto e que é herança duplamente maldita; do comporytamento do colonizador, que vinha aqui levava o que queria e deixava destruição para trás e do índio nômade, que usa até a fatigação um local e muda-se para outro. Não é cidadania, não é repovoação, nada . E nesse sentido não há um único dado que prove que a virada tenha contribuído.
E não é política cultural também, porque para isso teria de ter um objetivo , pelo menos um ideal, o que não há. E é de se pensar no gigantismo do evento, que traz um investimento igualmente giogante, se , pelo menos parte dele não seri muito mnelhor aproveitado numa execução de uma política pública de cultura. Um exemplo? Cinema a céu aberto. O governo financia a produção de filmes, mas não possibilita que eles cheguiem às pessoas.
A Virada não precsia inchar tanto ao ponto de explodir. Pode muito bem encontrar um tammanho e uma finalidade ideiais.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

YA BA DA BA DOOO !!!


Pois é, agora, meio encoberto nos noticiários pelo barulho da Crise econômia na Grécia e pelas disputadíssimas eleições no Reino Unido, um grupo de cientistas divulga que houve cruzamento entre o homo sapiens e o homem de neanderthal, extintos há 25 mil anos.

O que isso tem de tão importante? Muita coisa. Primeiro, o que os cientistas alemães do Instituto de Antropologia Max Plank mostram é que nossa idéia de pureza e superioridade racial (os outros desaparaecema porque eram "menos evoluídos") foi pras cucuias pelo simples motivo de que aquela linha evolotiva, com um macaquinho (que mais parecia o mascote dos SuperGêmeos0 numa ponta, mostrando o ser menos evoluído seguindo até o bonitão de coluna ereta (todos nós, mas sem barriga alvície ou lordose) não faz mesmo sentido. Quer dizer, isso não é novidade, Stephen Jay Gould paleontólogo pop que já apareceu até nos Simpsons sempre fez questão de frisar quie a evolução não era uma seta no tempo que ia do menos ao mais evoluído, mas era assim que aparecia nos jornais e até nos livros didáticos. A rigor, nem Darwin nunca acreditou nisso. Mas, voltando ao sexo inter racial (como dizem nso filmes pornôs), essa idéia de que o neanderthal desapareeu para dar lugar à espécie feita á imagem e semelhança da divindade cai por terra. Grosso modo, não desendemos dos macacos(essa também é outra confusão, mas não abe neste texto), nós somos esse tal "macaco", temos de 1 a 4 % de seus genes.

Agora todas as metáforas de pureza, ditas quase sempre por religiosos, ou por gente violenta (ou, não raro, as duas coisas juntas), devem ser ainda mais desacreditadas, afinal este é mais um golpe no orgulho humano, que vem sendo espancado faz tempo, com Kepler, Copérnico, Darwin,Marx, Eistein, Freud...

quinta-feira, 29 de abril de 2010

30 ANOS DA MORTE DE ALFRED HITCHCOCK


Hitchcock é daqueles cineastas de quem se tem tanto a falar que até desanima. Escrever pouco sobre ele é trair o leitor. Pois lá vou eu bancar o traidor, até pela falta de tempo que corróe este blog aos poucos.

Seus filmes nunca se resumem à história que contam, nem suas imagem meramente a aquilo que mostram e por isso é preciso ver e rever um Hitchcock várias vezes, descobrindo suas camadas aos poucos.

Vamos tomar como exemplo (rápido, infelizmente) de Psicose: Ele não foi filmado em preto e branco à toa (na época os filmes já eram em cores), mas sim para expressar uma violenta dualidade sobre a qual se constrói o filme,um embate entre trevas e luz . Marion Crane, a personagem de Janeth Leigh, logo no início, aparece trocando de roupa, com sua lingerie branca (sinal de pureza). Ela, todo mundo sabe, cede à tentação de um roubo fácil e, na próxima vez que a vemos trocando de roupa, a lingerie já é preta (sinal das trevas em que ela mergulhara). Não por acaso, ela já está no Bates Motel, onde novos pares de opostos se constróem: mãe e filho; vida e morte (é interessante notar o hobby de Norman a taxidermia e os animais empalhados); homem e mulher, todos sempre em tensão, conflito. A primeira vez em que Norman Bates aparece é registrando a entrada de Marion em sua pensão. De seu lado no balcão, um espelho reflete sua imagem(se não me engano ele corresponde ao ponto de fuga, ao centro da imagem filmada). Esse espelho não está ali a toa, mas sim para motrar que há um outro duplo, outra pessoa por detrás daquele simpático e tímido hoteleiro. Aliás, não só dele, de Marion também. No mundo de Hitchcock nada fica apenas na superfície.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

FAZENDO JUSTIÇA A AVATAR, UM WESTERN INCOMPREENDIDO - 5

CONCLUSÃO

Vimos que dizer que o filme é um amontoado de clichês não faz sentido, afinal Avatar traz convenções de um gênero, o Western e faz um uso significativo delas ao situar na posição de vilões aqueles tradicionalmente tidos como heróis. Essa construção engenhosa está a serviço de uma mensagem que, além da clara defesa de ideais ecológicos, condena a política da guerra como única saída para a solução de conflitos. Por conseguinte isso toca os próprios cidadãos norte-americanos e sua obsessão pelo direito de portar armas de fogo(legitimada, inclusive, pelo western), obsessão esta que tem raízes no individualismo protestante norte-americano. Portanto não dá para dizer que Avatar seja um daqueles filmes com “tudo já conhecemos no passado, sem acrescentar-lhes nada em complexidade”, ou seja, ele não é um amontoado de clichês.
Tirar o western de seu cenário tradicional não é novidade, Akira Kurosawa fez isso com Os Sete Samurais e George Lucas com seu Star Wars. A propósito, há que se notar um paralelismo entre o Darth Vader de Lucas (o pistoleiro violento desse western espacial), que é um homúnculo dentro de uma armadura a serviço de um sistema de regras inumano e os militares dentro das tanques de guerra humanóides que invadem Pandora e mesmo com a figura do Exterminador do Futuro, máquina travestida de homem.
Também não podemos esquecer que o filme apresenta um “happy end” agridoce. Vemos os terráqueos expulsos de Pandora, mas não destruídos. Nada é dito ou mostrado que comprove que eles desistiram e que não voltarão com força maior.
Quanto à maior fragilidade do filme, os personagens extremamente planos, podemos dizer que um alto grau de complexidade prejudicaria, por exemplo, a identificação do Coronel Quaritch com o monstro mitológico e,logo, a premissa do longa. O que no entanto não o exime de todo das críticas, basta retornar a “ET”e comparar os dois filmes ou a outros grandes Westerns como Rastros de Ódio ou O Homem que matou o Facínora, ambos de John Ford.
Não tem a estatura de uma obra-prima mas tampouco é ingênuo como apregoaram por aí. É,sim, mais um grande filme de James Cameron que merece ser revisto, afinal, retornando a Inácio Araújo:

“A riqueza de um bom filme consiste,portanto,na sua capacidade de assimilar o
gênero que pratica,oferecendo algo novo(mesmo que isso não se
dê,obrigatoriamente, de maneira ostensiva)” (ARAÚJO,2002,p.21)
BIBLIOGRAFIA

AUMONT, Jacques/ MARIE,Michel. Dicionário teórico e crítico de cinema. São Paulo: Papirus, 2003.

CAMPBELL, Joseph. O herói de mil faces. São Paulo:Ed Cultrix, 2005.

VERNANT, Jean Pierre. Mito e sociedade na grécia antiga. Rio de Janeiro: José Olympio, 2006.


ARAÚJO, Inácio. Cinema: o mundo em movimento. São Paulo: Scipione, 2002 .

sexta-feira, 16 de abril de 2010

ANDY WARHOL


É absolutamente incortonável a exposição Andy Warhol, Mr.America por vários motivos. Primeiro para desfaze aquela idéia de que ele seria um violento rítico do capitalismo e dos EUA. Isso os textos e as próprias imagens fazem bem. Mas também para se captar toda a dimensão de sua arte porque existe uma mania terrível de se ler sobre um artista e ver as fotos de seu trabalho, seja num livro ou na internet e se acreditar que pode parar por aí. No caso do artista POP isso é ainda mais grave porque as obras dele buscam se pareer com gravuras, fotografias ou anúnios publicitários. E aí vem aquela idéia : bom, se isso se parece com um anúncio do "Seleções" pra quer ver ao vivo? O caso é que é preciso ter em mente que aquilo é uma obra de arte e expoxta num museu, portanto o fato dela parecer algo banal é bastante signifiativo. Ela seria banal se estivesse num lugar banal, ou seja m, se fosse só um anúncio de jornal, uma embalagem de sopa, etc. Mas é muito mais do que isso e sua forma quer nos dizer algo. É preciso estar frente a frente com as Marilyns em série para sentir a força daquilo a que Warhol se propõs a fazer. Engana-se quem pensa que uma foto, por captar todos os detalhes (de uma obra sem minúncias) é capaz de apreender toda suia dimensão.

É preciso estar lá para ver e sentir.


A exposição fica até 23 de maio na Estação Pinacoteca, Lgo Gen.Osório,66,Luz Centro-SP. Tel. (11)3335-4990, de Terça a domingo das 10h às 17:30. Ingressos : R$ 6,00, grátis aos sábados.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

FAZENDO JUSTIÇA A AVATAR, UM WESTERN INCOMPREENDIDO - 4

OS PERSONAGENS


Como já foi apontado, muito se criticou os personagens planos, estereotipados de Avatar
Na verdade é característico do western privilegiar personagens planas, arquetípicas por que não trata da história de indivíduos, mas de uma nação. E assim é em Avatar, o que proporciona uma possibilidade de deslocar a atenção para as outras camadas do filme.
É comum no Western o grande criador de gados enviar seu pistoleiro violento para aterrorizar os agricultores(foi este papel que eternizou a figura de Jack Palance em “Os Brutos Também Amam, de 1952). No longa de James Cameron vemos uma expedição chefiada por um burocrata ganancioso e levada a cabo por um coronel assustador. Mas é o caso de se pensar nele não apenas como um clichê de militar malvado mas como alguém extremamente ególatra e egoísta, que busca destruir o outro para auto afirmar-se e que é incapaz de ver na grandeza de Pandora nada além de um adversário imponente, afinal este é um planeta cruel, que o encheu de cicatrizes. Ele não vai ao planeta para desmatar, mas para massacrar. Destruir a árvore sagrada, sob a qual está o tão cobiçado minério de seus chefes engravatados, é apenas a parte chata do trabalho. Ele, afinal, é o pistoleiro, não o fazendeiro desse western.
Diz Joseph Campbell em “O Herói de mil Faces”:

“A figura do monstro tirano é familiar às mitologias, tradições folclóricas, lendas e até pesadelos do mundo; e suas características, em todas as manifestações , são essencialmente as mesmas.Ele é o acumulador do benefício geral.É o monstro ávido pelos vorazes direitos do “meu e para mim”. A ruína que atrai para si é descrita na mitologia e nos contos de fadas como generalizada, alçando todo o seu domínio”
(CAMPBELL,2005, p.25)

Campbell tinha o defeito de ser um simplificador da mitologia, notório pela ausência de metodologia em seus trabalhos mas inegavelmente era um conhecedor de mitologia comparada, alguém capaz de descrever e traçar semelhanças e estruturas comuns aos mitos como ninguém.
Há uma clara identificação da figura do monstro, como a define Campbell, com a postura do militar e, como já vimos, da nação norte-americana. Basta trocar a pedra que está no subsolo de Pandora por petróleo e temos a invasão do Iraque. Aqui está o coração do filme, sua mensagem e ideologia afinal monstro mitológico Cameron identifica justamente com a nação norte americana e sua postura com relação ao resto do mundo, àqueles cujas culturas não conhecemos bem o suficiente para respeitar.
Campbell prossegue:

“Auto-aterrorizado; dominado pelo medo;alerta contra tudo, para enfrentar e combater as agressões de seu ambiente-que são, primariamente, reflexos dos incontroláveis dos impulsos de aquisição que se encontram em seu próprio íntimo”.
(CAMPBELL,2005, p.25)


Esse é o monstro primordial, esse é o coronel estereotipado, esse é George W.Bush.
continua